Moedas de Argentina, Ucrânia e África do Sul são mais vulneráveis, diz estudo

Moedas de Argentina, Ucrânia e África do Sul são mais vulneráveis, diz estudo

A crise cambial na Turquia elevou a aversão ao risco e prejudicou as moedas de emergentes em geral. Segundo análise da Oxford Economics, os mais suscetíveis a contágio são Argentina e Ucrânia, com África do Sul, México, Brasil e Rússia na seqüência, porém um pouco mais resistentes.

A crise cambial na Turquia elevou a aversão ao risco e prejudicou as moedas de emergentes em geral. Segundo análise da Oxford Economics, os mais suscetíveis a contágio são Argentina e Ucrânia, com África do Sul, México, Brasil e Rússia na seqüência, porém um pouco mais resistentes.

A consultoria aponta que seus modelos indicam um potencial reequilíbrio das moedas de emergentes após o choque inicial com a Turquia. As divisas da Colômbia e do Chile, por exemplo, tiveram uma reação exagerada, enquanto na Rússia, Romênia e México o impacto foi menor do que o previsto.

`No longo prazo, a febre pode baixar, mas as condições são propícias para novos surtos`, dizem os analistas da Oxford em relatório. `A principal mensagem é que as moedas emergentes estão vulneráveis mesmo a choques específicos em alguns países, dados os receios de uma redução na liquidez global.`

A consultoria criou um indicador de vulnerabilidade cambial, que varia de zero a dez, baseado em diversas categorias, como diferencial de juros em relação aos EUA; inflação; saldo em conta corrente; resultado fiscal; reservas internacionais; entre outros.

Nesse ranking, a moeda mais vulnerável, com nota 8,5, é o peso argentino. Na seqüência aparece a lira turca (nota 8,0), a grívnia ucraniana (nota 7,0), o rancl sulafricano (nota 4,7), o peso mexicano (nota 4,0), o real brasileiro (nota 3,9), o rublo russo (nota 3,8), a rupia indonésia (nota 3,5), o peso colombiano (nota 3,4) e o ringgit malaio (nota 3,4).

A moeda brasileira deve se manter sensível à influência da crise cambial turca, mas o Brasil tem menos capital estrangeiro para perder comparado a outras economias emergentes, o que reduz a vulnerabilidade a um contágio maior, afirmou a economista sênior e responsável pela modelagem de riscos para a Europa Central e Oriental da Oxford Economics, Evghenia Sleptsova, em entrevista por e-mail ao Valor.

`Os desequilíbrios do Brasil são principalmente domésticos, relacionados à dívida pública e ao déficit fiscal`, disse. A economista salientou que essas incertezas internas elevam a sensibilidade do real às turbulências externas, mas não agravam a fragilidade cambial.

A Oxford reitera não esperar que o Banco Central do Brasil tenha de elevar os juros, em algum momento no futuro, como resposta a uma onda de vendas de ativos de emergentes.

Segundo Nafez Zouk, economista-chefe e estrategista para mercados emergentes da Oxford, `até o momento a crise pode ser resolvida, mas as autoridades da Turquia estão correndo contra o tempo para implementar medidas mais fortes e drásticas`. Para o especialista, o governo deveria, nos próximos dias, adotar `uma agressiva alta de juros, na ordem de 6 a 8 pontos percentuais, para retomar as rédeas da inflação e se comprometer com um pacote de consolidação fiscal, enquanto provê apoio a setores mais afetados pela crise cambial, como energia e construção, que têm alto grau de endividamento em moeda estrangeira sem hedge [proteção]`.

Álvaro Campos e Sérgio Tauhata

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