Ministro venezuelano garante envio de energia a Roraima e pede ajuda ao Brasil

Ministro venezuelano garante envio de energia a Roraima e pede ajuda ao Brasil

Em viagem secreta à cidade venezuelana de Puerto Ordáz, o ministro brasileiro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, pediu ao seu homólogo venezuelano, general Vladimir Padrino, a continuidade do fornecimento de energia elétrica a Roraima, e escutou do representante do país vizinho um pedido de ajuda diante da crise humanitária que nos últimos três anos expulsou 1,6 milhão de venezuelanos, segundo a ONU.

Em viagem secreta à cidade venezuelana de Puerto Ordáz, o ministro brasileiro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, pediu ao seu homólogo venezuelano, general Vladimir Padrino, a continuidade do fornecimento de energia elétrica a Roraima, e escutou do representante do país vizinho um pedido de ajuda diante da crise humanitária que nos últimos três anos expulsou 1,6 milhão de venezuelanos, segundo a ONU.

Os dois ministros se reuniram ontem numa agenda mantida em segredo até a realização do encontro. Em entrevista ao GLOBO, Luna disse que procurou `esconder` a viagem como estratégia de reaproximação entre Brasil e Venezuela, estremecidos diplomaticamente desde dezembro do ano passado.

-Eu procurei esconder. Foi estratégia minha, mesmo. Eu não sabia como ia ser essa recepção. As relações diplomáticas com a Venezuela estão rompidas. Nosso embaixador foi expulso. Estamos há dez meses sem ter contato com a Venezuela. E o primeiro representante do governo que vai ao país desde o rompimento afirmou o ministro da Defesa.

O governo de Nicolás Maduro nunca reconheceu a legitimidade do governo de Michel Temer. Maduro considera o impeachment de Dilma Rousseff um golpe orquestrado por Temer. No fim de dezembro, Caracas anunciou que o embaixador brasileiro no país era `persona non grata`, o que significava uma expulsão. Em resposta, o governo brasileiro decidiu, três dias depois, expulsar o encarregado de negócios da Venezuela em Brasília, principal diplomata de Caracas no país.

EMBARGO IMPEDE PAGAMENTO

A crise migratória, com milhares de venezuelanos entrando no Brasil por Roraima, inclusive com cenas explícitas de xenofobia na fronteira, obrigou os dois países a estabelecerem um mínimo de diálogo. Além disso, uma questão energética atravessou o caminho: a Venezuela ameaçou cortar o fornecimento de energia para Roraima, único estado que não está ligado ao sistema energético nacional. O governo brasileiro não paga uma parcela de US$ 33 milhões, prevista num contrato que vigora desde 2001 entre a Eletronorte e a venezuelana Corpoelec. Brasília alega que o pagamento não é feito em razão das sanções econômicas dos Estados Unidos contra a Venezuela, que impedem um depósito em dólar.

Temer avalizou a ida à Venezuela, segundo o ministro, que se encontrou com o presidente e com o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, para tratar do assunto.

-Ele (general Padrino) ofereceu que fosse em Caracas ou em Puerto Ordáz, que é no meio do caminho. Eu preferi Puerto Ordaz, pois evitaria exposição midiática lá. A recepção foi muito calorosa. Parecia um velho amigo que não encontrava há muito tempo. Nunca tinha tido contato com ele afirmou Luna.

O ministro da Defesa diz ter ouvido de seu par venezuelano que não haverá corte na energia fornecida a Roraima:

-Eles garantiram que não vai ter corte nenhum. Eles sabem que não conseguimos fazer o pagamento por conta do embargo econômico. Até brincou: `Não vai ter corte de energia e nunca vai ter corte nas nossas relações. Não é por causa disso que a Venezuela vai interromper o fornecimento de energia`.

Ainda conforme o general, o ministro venezuelano reconheceu a`diáspora` decorrente da crise econômica no país e se mostrou aberto à ajuda dos países vizinhos:

-Eles precisam de ajuda. O país está passando fome. Adiáspora deles tem a ver com embargo econômico que foi colocado lá dentro. `Eu quero trazer o meu pessoal de volta, não tenho meios de fazer`, ele me disse. Eu perguntei: `Você aceita ajuda?` Ele aceita tudo.

O ministro da Defesa venezuelano relatou que o governo Maduro tenta colocar em prática um programa para trazer de volta os emigrantes que deixaram o país. Segundo o ministro brasileiro, os relatos e pedidos de ajuda serão levados ao Itamaraty.

-Ele disse que não há histórico de saída de migrantes para o Brasil por causa da dificuldade das fronteiras. Isso aconteceu por problema econômico, mesmo. Não há condições econômicas para segurar o pessoal lá. Não há emprego, não há trabalho disse Luna.

ALOYSIO: RELAÇÕES FIRMES

Até agora, em suas declarações públicas, as autoridades venezuelanas negavam a existência de uma crise humanitária no país. Maduro e vários ministros chamaram o êxodo de `fake news` e chegaram a sugerir que as imagens de milhares de venezuelanos cruzando fronteiras foram encenadas pela Colômbia.

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, negou ontem que o Brasil tenha rompido relações diplomáticas com a Venezuela, e lembrou que partiu de Maduro a posição de não reconhecer o governo Temer. Ele reforçou que os países continuam tendo relações, e que o Brasil mantém uma embaixada e três consulados na Venezuela.

Apesar da tensão provocada pela chegada de imigrantes a Roraima, o Brasil não é o país que mais recebeu venezuelanos no período recente. Segundo o governo federal, entre 2017 e 2018,127.778 imigrantes entraram no Brasil pela fronteira terrestre. Desse total, porém, 68.968 foram para outros países. Os números divulgados na semana passada pelo IBGE, no entanto, são menores: 30,8 mil venezuelanos estariam vivendo aqui.

Enquanto isso, a Colômbia abriga atualmente cerca de 870 mil venezuelanos, enquanto o Peru, 400 mil, e o Equador, cerca de 110 mil. A economia venezuelana, dependente do petróleo, está em queda livre desde 2014, quando os preços do produto caíram. O Fundo Monetário Internacional estimou que a inflação no país este ano chegará a 1.000.000%, enquanto o PIB cairá 15%.

 

 

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