Ministério da Saúde projeta 300 casos suspeitos de coronavírus

Ministério da Saúde projeta 300 casos suspeitos de coronavírus

19:52 - São 132 suspeitas até agora, um caso confirmado e 60 descartados, além de 213 notificações ainda em análise

BRASÍLIA — Balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira mostra que há um caso confirmado, 132 suspeitos e 60 descartados do novo coronavírus no Brasil. Os dados estão atualizados até o meio-dia desta quinta e não incluem outras 213 notificações ainda em análise pela pasta.

Esses 213 casos podem ser incluídos nos suspeitos ou descartados, e a projeção do secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, é que chegue, ao fim, perto de 300 suspeitos.

No balanço anterior, de quarta, eram 20 suspeitos e 59 descartados, além de um caso confirmado.

— Esse número 132 precisa de uma correção. Ele não é definitivo. É muito maior que 132 — disse Gabbardo. — Na verdade, estamos hoje perto de 300 casos suspeitos.

Entre os motivos para a elevação dos casos suspeitos apontados por ele está o fato de o Brasil ter um fluxo maior de pessoas com a Europa do que com a China, onde os primeiros casos estavam concentrados.

Dos 132 casos suspeitos, três são de pessoas que tiveram contato com o empresário que foi o primeiro caso confirmado no Brasil. Outros 121 são de pessoas que viajaram recentemente para países onde há transmissão do vírus. O restante é de gente que não viajou, mas teve contato com outros casos suspeitos. Todos eles apresentaram sintomas da doença.

Gabbardo não quis dar detalhes dos três casos suspeitos que tiveram contato com o caso confirmado de São Paulo. Caso se confirmem essas suspeitas, já terá ocorrido transmissão local no Brasil. O único caso confirmado até agora foi importado, uma vez que o vírus foi contraído na Itália.

— São três contatos que estão sendo investigados desse caso confirmado. Temos as informações, mas, por uma questão de ética, não vamos dar nenhum dado sobre essas pessoas, porque isso poderia direcionar uma busca por essas pessoas. Isso nos colocaria numa situação de constrangimento. Apesar de saber essa informação, não vamos falar especificamente sobre esses casos — disse Gabbardo.

Dos 132 casos suspeitos atualizados até o meio-dia desta quinta, 55 são de São Paulo (já a Secretaria Estadual de Saúde de SP afirma que são 85), 24 do Rio Grande do Sul, 9 do Rio de Janeiro, 8 de Santa Catarina, 5 do Paraná, 5 de Minas Gerais, 5 do Distrito Federal, 5 do Ceará, 4 do Rio Grande do Norte, 3 de Pernambuco, 3 de Goiás, 2 de Mato Grosso do Sul, 1 do Espírito Santo, 1 de Alagoas, 1 da Bahia e 1 da Paraíba.

No Rio de Janeiro, a Secretaria de Estado da Saúde informou que os nove casos suspeitos estão distribuídos da seguinte forma: dois no Rio, dois em Niterói, um em Macaé, um em Nova Iguaçu, além de dois turistas e um caso com local de residência ainda em investigação. Além dos sintomas respiratórios, os pacientes têm histórico de viagem para países com circulação ativa do vírus. 

Entre os casos suspeitos, são 73 mulheres e 59 homens. A pessoa mais jovem tem oito anos, e a mais velha, 82.

Entre os casos descartados, eles deram positivo para outros tipos de vírus, ou negativo no teste específico para o novo coronavírus. Dos 60 descartados, 28 são de São Paulo, 10 do Rio Grande do Sul, 8 do Rio de Janeiro, 4 de Santa Catarina, 3 do Paraná, 3 de Minas Gerais, 2 da Bahia, um do Ceará e um do Distrito Federal.

Em razão do primeiro caso confirmado no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez algumas reuniões ao fim das quais decidiu manter os mesmos protocolos de fiscalização sanitária nos portos e aeroportos. Haverá apenas mais atenção aos voos proveniente de países onde há transmissão do vírus.

O novo coronavírus, que já matou mais de 2 mil pessoas, a maioria na China, provoca febre e sintomas respiratórios.

Os números apresentados pelo Ministério da Saúde mostram que a doença matou 3,5% das pessoas que contraíram o vírus na China, e 1,5% em outros países. Para Gabbardo, o percentual menor tende a ser o mais correto, porque praticamente todos os casos fora da China estão sendo investigados.

Critérios utilizados

O secretário-executivo afirmou ainda que os critérios para definir um caso suspeito são baseados em evidências científicas. Assim, se houver novas evidências, eles podem ser modificados. Mas, por enquanto, segue a definição atual, que costuma considerar a necessidade de haver febre para um caso ser tido como suspeito.

Esse critério é defendido, por exemplo, pela médica infectologista Nancy Bellei, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Segundo ela, de fato há alguns pacientes que não apresentam febre, mas, em saúde pública, é preciso pesar vários fatores, inclusive os gastos com testes.

Para a médica, não faz sentido, por exemplo, fazer testes com todo mundo que apresentar sintomas de resfriado, o que levará a vários exames desnecessários. Por isso, a escolha em concentrar os testes nos casos mais evidentes, como aqueles com febre.

De acordo com um informe divulgado pela SBI na quarta-feira, a "febre pode não estar presente em alguns casos como, por exemplo, em crianças menores que 5 anos, idosos, pessoas com baixa imunidade ou que em algumas situações possam ter utilizado medicamento antitérmico".

— Existem pacientes que não tinham febre, assim como existem pacientes assintomáticos. Mas, quando se pensa em saúde pública, tem que pesar aquilo que tem que detectar e o gasto que vai ter. O meu entendimento é que esse critério (considerar pessoas com febre) pode detectar casos suspeitos com mais chances de serem positivos, sem desperdiçar recursos públicos — disse Nancy.

Ela acredita que o país está caminhando para uma epidemia. Quando passar a haver transmissão local com vários casos, a confirmação não será mais laboratorial, mas por meio de diagnóstico clínico, analisando os sintomas. Pelo protocolo do Ministério da Saúde, essa mudança ocorrerá quando houver 100 casos confirmados. Na China, país mais afetado pela doença, esse critério já é adotado.

Pandemia?

Na quarta-feira, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse haver elementos para a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar uma pandemia, ou seja, uma epidemia de escala global.

Nesta quinta, Gabbardo disse que, se for de fato declarada uma pandemia, pessoas provenientes de qualquer país poderão entrar na lista de casos suspeitos, desde que apresentem sintomas.

O atual critério do Ministério da Saúde é que, para ser incluído na lista, o país precisa ter ao menos cinco casos de transmissão interna do vírus.

Gabbardo afirmou também que o reconhecimento formal da existência de uma pandemia vai facilitar a liberação de recursos.

As afirmações do secretário-executivo contrastam com o que disse na quarta-feira o secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Wanderson de Oliveira. Segundo ele, a eventual declaração de uma pandemia não mudaria em nada o planejamento do Brasil. Quanto à lista de países, Wanderson havia afirmado que o Brasil poderia ampliá-la sem depender de decisão da OMS.

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