Mesmo sob críticas, Weintraub deve assumir cargo no Banco Mundial

Mesmo sob críticas, Weintraub deve assumir cargo no Banco Mundial

Associação de funcionários da instituição pede suspensão da nomeação e diz que ex-ministro é contrário a direitos de minorias

Indicado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, para assumir a diretoria-executiva do Banco Mundial (Bird) até outubro deste ano, o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, não deverá enfrentar grandes dificuldades para se eleger e cumprir, o restante do mandato de Fábio Kanczuk que deixou a função para ser diretor de Política Econômica do Banco Central. O exministro, contudo, terá de conter seu estilo agressivo, se quiser pleitear uma recondução por mais dois anos, em nova eleição em novembro. Caso contrário, vai se deparar com a resistência de parte dos oito países que integram a cadeira do Brasil, especialmente os latino-americanos, que recebem fortes investimentos da China.

Ontem, a associação dos funcionários do Bird enviou uma carta ao comitê de ética da instituição com posição contrária à nomeação do exministro. A entidade pede que a indicação seja suspensa até que acusações contra o economista brasileiro sejam analisadas pelo comitê. No documento, a associação diz que `muitos funcionários estão profundamente perturbados` com algumas atitudes do ex-ministro, entre elas a mensagem em que culpa a China pela pandemia do novo coronavírus. A carta menciona o fato de Weintraub ter sugerido a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de ter feito pronunciamentos públicos contrários aos direitos de minorias e a promoção da equidade racial.

A pressão dos funcionários do Bird se soma à carta enviada na semana passada com quase 300 assinaturas de representantes da sociedade civil no Brasil às embaixadas de países que integram o grupo, em Brasília, com um apelo para que Weintraub não seja eleito. Segundo o documento, sua gestão no MEC foi `destrutiva e venenosa`. Os funcionários do banco ressaltam ainda que o Banco Mundial tomou medidas recentes para eliminar o racismo na instituição. `Isso quer dizer um comprometimento de todos os funcionários e membros da diretoria a denunciar o racismo quando presenciá-lo`. `Nós acreditamos que o Comitê de Ética compartilha essa visão e fará o possível para cumpri-la`, completa. De acordo com fontes ouvidas pelo GLOBO, Weintraub não deve, porém, ter problemas no conselho de ética do Banco Mundial por sua atuação no passado, mas terá de andar na linha quando assumir o cargo, sobretudo nas redes sociais, explicou um interlocutor próxima à instituição. E que, dependendo do que o ex-ministro falar ou fizer, ele arriscaria ser demitido.

SEM PLANO B

Por ora, o Brasil não precisa de apoio dos outros países da cadeira que ele irá ocupar, que são Colômbia, Equador, Panamá, Suriname, Haiti e Filipinas. Esses países querem ganhar tempo e podem se abster sobre o assunto, diz um interlocutor colombiano. Segundo membros da equipe econômica, não há muito o que fazer caso a indicação de Weintraub seja negada. Um interlocutor explicou que Guedes já fez o que era possível em relação ao ex-colega, que era encaminhar o nome ao Bird. Agora, só resta esperar pelo resultado da votação. Em caso de negativa, Guedes indicará outra pessoa. Ainda não há uma definição sobre quem seria o plano B. A rejeição do nome de alguém indicado pelo Brasil seria algo inédito na história do banco. A instituição pode reagir a coisas que sejam feitas ou faladas por quem já está lá, não antes disse o exvice-presidente e ex-diretor-executivo do Bird, OtavianoCanuto.

Para Nelson Franco Jobim, professor de pós-graduação em Relações Internacionais das Faculdades Hélio Alonso, Weintraub corre o risco de enfrentar a oposição de países que não votam na diretoria em que o Brasil é representado, mas podem exercer algum tipo de influência. E o caso da China. Há cerca de dois meses, por exemplo, em uma rede social, o então ministro da Educação imitou o sotaque chinês usando o linguajar do personagem de história em quadrinhos Cebolinha, irritando Pequim. A China não decide pelos países que o Brasil representa, mas pode usar seu poder econômico. Hoj e é grande investidora na América Latina. Não tem interferência direta, mas pode atuar debaixo do pano. Vem lutando para ter mais votos nas organizações internacionais disse Jobim. Mas a avaliação de um interlocutor da área diplomática é que os países que o Brasil representa (Colômbia, Equador, República Dominicana, Haiti, Panamá, Suriname, Trinidad & Tobago e Filipinas) não devem se opor, em respeito ao princípio da soberania nacional. (Colaboraram Leandro Prazeres e Victor Farias)

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