Mercosul: Brasil convida Maduro para conversa sobre crise venezuelana

Mercosul: Brasil convida Maduro para conversa sobre crise venezuelana

Bloco emitiu nota mais moderada do que o esperado para pressionar por solução política

Janaína Figueiredo, enviada especial - 21/07/2017 16:51 / Atualizado 21/07/2017 17:34

MENDOZA — A esperada reação contundente dos presidentes do Mercosul em relação à crise da Venezuela finalmente não aconteceu. Após uma manhã de debates, os presidentes do bloco assinaram uma declaração bem mais moderada do que o previsto, sem mencionar a recente consulta popular realizada pela oposição e, tampouco, a Constituinte convocada pelo governo do presidente Nicolás Maduro para o próximo dia 30 de julho. O chefe de Estado venezuelano e seus opositores foram convidados para uma rodada de consultas em Brasília, ainda sem data marcada. Segundo fontes argentinas e uruguaias, não houve consenso para aprovar uma declaração mais dura por pressões do presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez.

— Nós, pessoalmente, queríamos uma declaração mais forte — disse o secretário de Relações Internacionais do governo argentino, Fulvio Pompeo.

A Casa Rosada cogitara até mesmo avançar na aplicação da Carta Democrática do bloco, caso o governo Maduro não desistisse da Constituinte. Nesta quinta, o vice-chanceler argentino, Daniel Raimundi, falou em medidas políticas contra a Venezuela. Mas nada disso saiu dos discursos e de documentos preliminares.

O Uruguai tem limitações claras. O governo do presidente Vázquez precisa aprovar uma série de projetos no Parlamento neste ano e depende do respaldo de toda a governista Frente Ampla, onde a ala comandada pelo senador e ex-presidente José Mujica (2010-2015) é majoritária.

— Tabaré sabia que não teria margem de ação em Mendoza — comentou uma fonte uruguaia.

Perguntados sobre o assunto, os chanceleres de Brasil e Argentina, Aloysio Nunes e Jorge Faurie, respectivamente, tentaram minimizar a discussão.

— As declarações são fruto do consenso, nisso está a força do que pode ser dito… não importa quem disse o que — apontou o ministro argentino.

Já Nunes disse que "eventuais sanções devem ser adotadas por consenso" e lembrou que, no passado, foram muito importantes as ações diplomáticas para enfrentar ditaduras.

— Não gostaria que subestimassem a importância dos esforços diplomáticos no sentido de isolar regimes e governos que se afastam da democracia — afirmou o ministro brasileiro.

Durante o encontro, o presidente da Bolívia, Evo Morales, defendeu a não intervenção da região na Venezuela e se opôs a assinar qualquer documento nesse sentido. Já a presidente do Chile, Michelle Bachelet, disse sentir-se "decepcionada" pelas ações do governo Maduro. Bolívia e Chile são membros associados do bloco.

 
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