Mercados emergentes e commodities ainda não precificaram desaceleração chinesa, diz BCA

Mercados emergentes e commodities ainda não precificaram desaceleração chinesa, diz BCA

“O enfraquecimento do minério de ferro e do aço ainda não acabou. Ainda será algo significativo e grande”, prevê estrategista-chefe de mercados emergentes da BCA Research

Primeiro país a se recuperar dos impactos econômicos da pandemia, o crescimento da China já está em desaceleração desde o início do ano e o mercado financeiro só agora se atentou para isso, o que explica as fortes perdas da Vale e do Ibovespa na semana que passou.

Para o estrategista-chefe de mercados emergentes da BCA Research, Arthur Budaghyan, o importante não é tanto a perda de tração da economia chinesa, mas sim quais setores vão deixar de crescer e isso afeta especialmente os ativos emergentes relacionados às commodities e os preços das matérias-primas.

“A China tem desacelerado desde janeiro e vai continuar desacelerando” , afirmou o estrategista, em entrevista exclusiva ao Valor. Segundo Budaghyan, esse processo na segunda maior economia do mundo ocorre devido à transição da “velha economia” , relacionada a investimentos em infraestrutura, para uma economia mais voltada às “ambições verdes” , com a China se movendo em direção ao baixo consumo de carbono.

“Os mercados financeiros alavancados pela velha economia ainda vão sofrer, pois o crescimento chinês vai continuar a decepcionar nos próximos meses”, prevê. Isso significa que segmentos ligados à expansão do crédito e ao estímulo fiscal, como as construção civil e grandes obras urbanas, vão continuar se enfraquecendo. “Muitas empresas cíclicas vão ver variações negativas do lucro porque vão vender menos”, emenda Budaghyan, referindo-se às empresas ligadas ao crescimento econômico e à demanda por commodities.

Além disso, Budaghyan avalia que os preços das commodities metálicas, em especial minério de ferro e aço, e das moedas correlacionadas às commodities, como o real brasileiro, também vão sofrer. “Nada disso está precificado”, afirma. “Os mercados emergentes não colocaram nos preços a desaceleração da China”, afirma. “Nem os ativos chineses precificaram isso totalmente”, completa.

Commodities
Para ele, os preços dos metais industriais vão continuar com um desempenho fraco, ainda que se mantenha uma postura de flexibilização da política monetária. “O enfraquecimento do minério de ferro e do aço ainda não acabou. Ainda será algo significativo e grande”, prevê Budaghyan. “Não se trata de uma desaceleração, é algo que será contraído por causa da demanda menor”, explica

O estrategista explica que essa perspectiva está relacionada à meta do governo chinês de reduzir a poluição, alcançando a neutralidade de emissão de dióxido de carbono em 2060. “É a prioridade prioritária da política e eles devem atingir esse objetivo”, avalia. Nesse sentido, Budaghyan afirma que outras commodities poluentes, como o carvão e o petróleo, também devem ser impactadas.

“O cobre também vai sentir, mas menos porque também é usado nas ‘tecnologias verdes’”, pondera, referindo-se ao uso do metal em projetos de energia renovável, como eólica e solar, além de ser um componente importante dos veículos elétricos. “Mas nada disso ainda é um segmento que não é grande o suficiente para compensar a pressão vinda da desaceleração da ‘velha economia’ chinesa”, acrescenta.

Emergentes
Para o estrategista da consultoria independente, o cenário relacionado à China é muito mais importante para as economias emergentes do que o que se passa nos Estados Unidos. “A economia norte-americana é uma economia fechada e não será afetada pelo que acontece na China”, explica. “Para os mercados emergentes, essa visão é diferente, pois dinâmica chinesa pode ser mais dolorosa nessas economias”, completa.

Com isso, a BCA Research prevê que o crescimento em muitas economias emergentes ligadas à China permanecerá sem brilho. “A questão fiscal, os impactos da covid-19 bem como o aperto monetário em alguns países vão impedir um crescimento maior”, enumera o estrategista.

Para ele, um período prolongado de fraco crescimento da renda e alta desigualdade social estão provocando turbulências políticas, o que demanda um prêmio de risco mais alto. “Por isso, a história no Brasil pode ser interessante depois de 2022. É preciso ver qual governo irá vencer nas eleições”, conclui

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