Mercado reage bem a pacote moderado na Argentina

Mercado reage bem a pacote moderado na Argentina

América do Sul: Medidas dão fôlego ao governo para renegociar dívida.

O temor de um viés demasiado de esquerda do primeiro pacote de medidas do novo governo argentino não se materializou. O projeto enviado ao Congresso pelo presidente Alberto Fernández agradou o mercado, que viu sinais cie responsabilidade fiscal para equilibrar as contas e honrar os compromissos financeiros.

Com isso, o risco-país, medido pelo JP Morgan, retrocedeu 6,6%, para 1.974 pontos-base, e os bônus argentinos reagiram positivamente. Os títulos Bonar2020 e 2024 subiram 8,5% e 7,9% , respectivamente, enquanto o internacional 2117 aumentou 5%.

`O pacote descarta cie cara uma emissão monetária descontrolada e isso é algo positivo. Também é um pacote que tem um efeito fiscal neutro, outro ponto positivo, porque toda a aplicação de recursos para a assistência social sairá de uma maior carga de impostos`, disse o economista diretor da consultora MB Investimentos, Diego Martinez Burzako. Para completar, ressaltou, uma das medidas permite que o Tesouro tome emprestado USS 4,5 bilhões das reservas do Banco Central mediante a emissão de um título de 10 anos de prazo, e esses recursos serão usados para pagar a dívida de curto prazo, o que dá algum tempo ao governo para negociar um acordo com os credores sem entrarem default.

O mercado temia que o discurso de Fernández e de seu ministro de Economia, Martín Guzmãn, de ter como prioridade os gastos sociais pudesse levar o governo a aumentar a emissão monetária para financiar o déficit fiscal, o que elevaria o risco de uma espiral inflacionãria. Mas, pelo projeto, esses gastos serão cobertos pela arrecadação de impostos incluída no pacote, como a elevação do imposto sobre as exportações agropecuárias (as `retenciones`), a taxa de 30% para a compra de dólares e uso de cartão de crédito no exterior, além de altas cio imposto de renda.

Para Burzako, a perspectiva é de um plano que somente atende a conjuntura e a urgência, afeta a classe média e os investimentos de médio e longo prazos, deixando de lado o estímulo ao investimento produtivo para gerar crescimento. `Para mim não é um pacote que gere a confiança que o país possa crescer fortemente, mas por conter medidas com impacto fiscal neutro ou algo positivo, foi recebido bem pelos credores`, disse.

`Não creio que só isso baste para por a Argentina de pé, como disse Fernández`, concluiu Burzako. Pare ele, se o governo deseja realmente avançar rumo a um caminho de crescimento, terá que lançar medidas profundas e estruturais nas próximas semanas, Se não, qualquer choque de confiança no consumo das classes mais baixas será efêmero.

Se por um lado os credores da dívida gostaram das medidas, na Bolsa de Buenos Aires, a reação foi negativa . O índice Merval fechou com queda de 1,86%, a 36,918 pontos, puxado pelas ações de bancos e de empresas de energia.

`No caso dos bancos, a reação negativa se deve a expectativa de que o governo imponha um credito com taxas subsidiadas para o setor produtivo. Já com as empresas de energia, o problema é passar 180 dias com as tarifas congeladas`, explicou o analista de mercado da consultoria Ber, Gustavo Ber.

Uma das medidas do pacote determina o congelamento de todas as tarifas por seis meses, período no qual as empresas terão que rever a estrutura de aumentos. No caso da dívida pública, Ber avalia que a leitura do mercado é de que o pacote melhora a possibilidade de a Argentina de pagar a dívida publica. `As medidas anunciadas reduziram algumas dúvidas que o mercado tinha e melhoraram o cenário para a negociação com os credores, numa reestruturação da dívida mais amigável do que se havia imaginado`, opinou.

Para o chefe de estratégia da consultoria Portfolio Personal.Joaquin Bagues,embora o clima para o mercado de dívida tenha melhorado neste primeiro momento de lançamento do pacote, é preciso observar que muitos impostos são contraditórios com objetivo de fazer crescer a economia. `O aumento das retenções para exportações e das contribuições patronais, que subiram 100%, somados à dupla indenização para demissões sem justa causa são uma carga muito grande para o setor produtivo.`

Em termos gerais, `o mercado percebeu que o pacote mostrou um governo racional, pragmático e muito antenado com os problemas que têm que resolver, mas sem tomar nenhum atalho, buscando primeiro ordenar o que é prioritário`, avaliou o analista diretor da Delphos Investiments, Leonardo Chialva.

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