Mercado minimiza tensão política e fecha perto da estabilidade

Mercado minimiza tensão política e fecha perto da estabilidade

As preocupações com a saída de um integrante da equipe econômica do governo foram deixadas em segundo plano no primeiro pregão desta semana mais curta. O dólar e o Ibovespa trabalharam próximos da estabilidade durante quase toda a sessão, mesmo depois de um fim de semana carregado no noticiário político.

Depois de desavenças com o presidente Jair Bolsonaro, Joaquim Levy pediu demissão e deixou o comando do BNDES. No entanto, a perspectiva de que a reforma da Previdência principal ponto de atenção entre os investidores locais está relativamente endereçada fez os ativos brasileiros não serem afetados pelo desligamento.

O impacto [da demissão de Joaquim Levy] é irrelevante porque os investidores estão mais voltados às chances de a PEC da Previdência ser votada em plenário antes do recesso parlamentar, diz Eduardo Velho, sócioexecutivo da GO Associados.

O dólar encerrou o dia em queda de 0,04%, aos R$ 3,8981. No exterior, o comportamento frente aos pares emergentes e ligados a commodities foi misto, com oscilações também sem muita convicção. O destaque foi o avanço de 0,37% em relação ao peso colombiano e o recuo de 0,34% frente à lira turca.

Dinâmica semelhante prevaleceu no Ibovespa, que fechou em baixa de 0,43%, aos 97.623 pontos. O giro financeiro foi de R$ 10,4 bilhões, abaixo da média anual.

Após o fechamento do pregão, foi anunciada a escolha de Gustavo Montezano, atual secretário adjunto do ministério da Economia, para o comando do BNDES. O nome foi bem recebido por profissionais de mercado, apesar de não ter figurado entre os mais cotados para o cargo. Na visão dos analistas, Montezano deve ajudar a alinhar as diretrizes da instituição à visão proposta pelo ministro da Economia.

Foi importante nomear alguém alinhado com o governo rapidamente, mesmo que não seja um nome de expressão, diz um profissional da área que preferiu não ser identificado.

A leitura do mercado é que a demissão de Levy não traz riscos imediatos aos negócios, podendo representar certa tensão um pouco maior no longo prazo. Uma demissão abrupta como essa causa preocupação sobre a manutenção da equipe econômica, justamente aquela que tem uma responsabilidade imensa pela frente. E não falo apenas da reforma da Previdência, mas de todos os outros problemas econômicos, afirma o sócio da Áfira Investimentos, Maurício Pedrosa.

Para além da política, o foco dos investidores está voltado para a reunião do banco central americano, o Federal Reserve, que anuncia sua decisão de política monetária amanhã. No mesmo dia, o Comitê de Política Monetária (Copom) também divulga sua decisão sobre a taxa básica de juros, a Selic. Pela importância dos anúncios, a ordem é ter cautela.

Esperamos que o Fed deixe de usar o termo paciente e adote o monitorando de perto para os riscos negativos à meta, dizem analistas do ING em nota. Também esperamos alguma revisão para baixo das expectativas de inflação. Esses detalhes devem dar aos dirigentes maior espaço para adotar uma postura mais estimulativa.

Mesmo se os ruídos da política permanecerem em segundo plano, a negociação do câmbio não deverá ter fôlego para abandonar o atual patamar desta semana, avalia Fernando Bergallo, diretor da FB Capital. Os mercados já estão bastante posicionados em relação a uma sinalização de corte tanto do Copom quanto do Fed. Com tudo precificado, só uma grande surpresa pode tirar o dólar desse nível, diz.

Na renda variável, as siderúrgicas e o setor de mineração exerceram influência no recuo do Ibovespa por causa da queda no preço do minério de ferro. Vale ON (-2,33%); Gerdau PN (-0,98%) e CSN ON (-2,39%) fecharam desvalorizadas.

Sabesp ON também foi destaque e fechou o dia com alta de 1,24%. A estatal prevê captação de até R$ 400 milhões de investidores com uma emissão de debêntures de infraestrutura.

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