Mercado inicia 2- semestre sob forte incerteza

Mercado inicia 2- semestre sob forte incerteza

O que era para ser um ano de recuperação no ambiente de negócios do país se consolidou como um momento de enormes desafios e testes de força para os ativos locais.

O que era para ser um ano de recuperação no ambiente de negócios do país se consolidou como um momento de enormes desafios e testes de força para os ativos locais. Os mercados chegam ao segundo semestre dominados pela leitura de risco contra emergentes, em meio a aperto monetário nas economias desenvolvidas. A pouco mais de três meses das eleições, os investidores seguem sem visibilidade em relação às principais candidaturas à Presidência.

Esse enredo de risco fez com que os mercados de câmbio, juros e bolsa oscilassem de abril a junho de forma simétrica. No caso da bolsa, a última semana do mês recém-encerrado foi marcada por uma breve recuperação, e o índice subiu 3% depois de seis semanas seguidas acumulando quedas.

Em junho, o Ibovespa acumulou perdas de 5,20%; na primeira metade do ano, a queda foi de 4,76%. É no resultado do segundo trimestre, no entanto, que fica mais visível o tamanho do tombo, com o crescimento da aversão ao risco: o Ibovespa caiu 14,8% no período, mais do que anulando a alta de 11,7% dos primeiros três meses do ano.

Jorge Mariscai, diretor de investimento de mercados emergentes do UBS, lembra que já houve piora nas projeções econômicas do país para 2018 a instituição cortou a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, de 2,2% para 1,8%. Além disso, mais do que a incerteza, o mercado vem sendo bombardeado por leituras até mais pessimistas sobre o que vem pela frente.

`O desfecho da eleição presidencial parece agora menos favorável do que há alguns meses`, diz ele, ressaltando que as chances de um candidato `verdadeiramente reformista` chegar ao segundo turno são, hoje, menores do que foram no passado. O cenário base do UBS considera 60% de chances de um `semi-reformista` alguém sem uma convicção forte quanto à necessidade das reformas econômicas vencer as eleições. Já as chances de um candidato `antireformista` chegar ao segundo turno também aumentaram.

No caso do dólar, a dinâmica foi muito semelhante à da bolsa, mas deixa ainda mais evidente a fragilidade do Brasil neste momento. De abril para cá, a cotação da divisa americana subiu 17,36%, para R$ 3,8766, registrando o salto trimestral mais acentuado desde o terceiro trimestre 2015. O avanço só não foi mais acentuado por causa da intervenção agressiva, de US$ 43 bilhões, do Banco Central (BC) com a oferta líquida de swap cambial desde meados de maio. O impacto na cotação se concentrou em junho, que reuniu 68% do volume de operações do BC. No mês, a alta do dólar foi de 3,77%, após avanços seguidos de 6% nos dois meses anteriores.

A atuação do Tesouro Nacional também se fez necessária nesse período, com a recompra líquida de R$ 19,1 bilhões em NTN-E, NTN-B e LTN. E as operações extraordinárias de compra e venda de papéis continuam nesta semana, enquanto o BC já anunciou o início da rolagem de US$ 14,023 destes derivativos, evitando queda do estoque. O mercado de juros futuros enfrentou momentos de disfuncionalidade, com a disparada das taxas. Os novos patamares do dólar culminaram na quebra de expectativa do mercado quando, em maio, o BC interrompeu o ciclo de corte dos juros e manteve a Selic em 6,5%, trazendo instabilidade adicional para os ativos financeiros. Junto a isso, pesou a greve dos caminhoneiros, que trouxe incerteza sobre o ritmo da atividade e o efeito que teria na inflação.

Para Emy Shayo, estrategistachefe do J.P. Morgan na América Latina e no Brasil, a greve dos caminhoneiros antecipou a atenção que os investidores estrangeiros dão às eleições. Assim como Mariscai, ela também ressalta o corte nas projeções de crescimento econômico do país como fator de estresse para os mercados. O time de economia do J.P. Morgan já revisou a estimativa de expansão do PIB em 2018 de 2,4% para 1,2%. `Do lado de equities [ações], isso deve acabar se refletindo numa queda de previsão de lucros, que era o motor principal do otimismo com o Brasil neste ano`, diz Shayo. Algo que entra no caminho da análise de preços das ações é o nível dos juros no Brasil, principalmente os de longo prazo. Embora as taxas tenham passado por alívio nas duas últimas semanas, as perspectivas para a segunda metade do ano não são as mais animadoras. A taxa do Dl para janeiro de 2020 saltou de 7% no começo de abril para o pico de 9,46% em 14 de junho, mas voltou agora para 8,32%.

`Achamos que a curva continuará premiada. O BC não deu sinais [nas comunicações recentes] de que há alta de juros iminente, pelo contrário, sinaliza manutenção da Selic na próxima reunião do Copom [Comitê de Política Monetária]. Mas as incertezas ainda são maiores`, afirma Mariana Dreux, gestora da Truxt Investimentos. `Não sabemos onde o mercado externo vai parar e o local começa a negociar com base no cenário eleitoral brasileiro, que não é dos mais favoráveis.` O sinal do dólar por aqui tem papel central nos preços. Uma possível alta na moeda americana poderia contaminar as expectativas de inflação e levar o Banco Central a elevar a taxa básica de juros,  na avaliação de Dreux.

O gestor de renda fixa da Franklin Templeton, Rodrigo Borges, acredita que a autoridade monetária conseguiu fazer o mercado olhar menos o cenário externo, por ora, e mais o cenário inflacionário local. Para este mês, é esperado que o IPCA venha mais alto por conta dos efeitos da greve dos caminhoneiros, mas volte a cair na seqüência. `Se isso for se confirmado durante o mês de julho, o Dl tende a ir perdendo mais prêmio`, afirma o gestor. Ativos Perspectivas seguem nebulosas após perda expressiva da bolsa e forte alta do dólar no último trimestre.

Juliana Machado & Victor Aguiar & Lucas Hirata & Daniela Meibak

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