Mercado espera com cautela plano econômico na Argentina

Mercado espera com cautela plano econômico na Argentina

América do Sul Investidores clarão benefício da dúvida ao novo ministro

Investidores e analistas esperam com preocupação os detalhes da proposta de reestruturação da dívida pública e do plano macroeconômico do presidente eleito d a Argentina, Alberto Fernández. Depois do anúncio de Martin Guzmãn para o Ministério da Economia, o mercado deve reagir com cautela até o novo ministro revelar quais serão as prioridades do governo na área econômica. Guzmãn deve anunciar um `plano integral` na quarta-feira, um dia depois da posse, segundo fonte da equipe de Fernández. Até lá, o mercado deve lhe dar o benefício da dúvida.

O plano terá três objetivos: reestruturar a dívida pública para aliviar a carga do Tesouro e permitir que o governo concentre os esforços em equilibrar a macroeconomia, reativar a demanda interna para estimular o mercado doméstico, e mitigar os efeitos da crise econômica que deixou 40,8% de pessoas na linha da pobreza, conforme dados do Observatório da Dívida Social da Universidade Católica da Argentina(UCA).

O mercado já conta com a idéia defendida por Guzmãn de postergar por dois anos o pagamento do serviço da dívida. Mas no governo eleito ninguém confirmou a medida. Uma fonte próxima a Fernández lembrou que ele já avisou o Fundo Monetário Internacional (FMI) e credores privados que `não há recursos para pagar sem que seja feito um rigoroso ajuste, que sufocaria ainda mais a economia`. Fernández deixou claro que não haverá ajustes.

Dada a complexidade da restruturação da dívida, é p rcciso ver se é viável o período que Guzmãn propõe sem pagamento de juros e vencimentos, questiona Diego Martinez Burzako, chefe de estratégia da consultoria MB Investimentos. Ele vê Guzmán como urna incógnita, já que nunca teve experiência em gestão pública nem participou de reestruturações.

Burzako explicou que os valores dos bônus soberanos refletem que a negociação será muito agressiva, parecida à de 2015, que teve descontos de até 70%. `É praticamente impossível pensar em um corte dessa magnitude. Se for confirmado, vai levar a reestruturação àJustiça e haverá uma grande quantidade de credores que não aceitará a oferta`, opinou o estrategista sobre os chamados `holdouts`.

Ele acrescenta ainda que o próximo governo tem de mostrar sustentabilidacle fiscal e capacidade de pagar a dívida. Caso contrário, `qualquer acordo será descumprido dentro de três ou quatro anos`, ressaltou.

Guzmãn tem pouco tempo para anunciar qual o plano econômico e a estratégia para restruturação da dívida.`Os vencimentos da dívida já começam no primeiro trimestre de 2020, e é preciso gerar sinais positivos`, disse o analista Gustavo Ber, da consultoria Ber.

O mais urgente, afirmou, é redefinir os vencimentos de curto prazo e diminuir os juros. Para ele, se for confirmado o período de suspensão do seiviço da dívida, haverá um choque com os investidores.

Ber avaliou que Guzmánn tem de fazer uma renegociação até março ou abril, para evitar um default desordenado, que complicaria ainda mais a situação econômica do país, rebaixando o rating de províncias, municípios e empresas da Argentina.

No próximo ano vencerão dívidas com credores privados no valorde USS 30 bilhões. Em 202! serão USS 12 bilhões. Já em 2022 e 2023 haverá vencimentos de USS 32 bilhões em cada ano.

`O que será observado agora é a integridade do plano macroeconômico`, disse Ber. Ele afirmou que a âncora da sustentabilidade da dívida será ter superávit, o que vai requerer um ordenamento das contas públicas e da convergência da política monetária e cambial.

`O principal problema que tem a economia hoje é a questão da dívida. Quando você olha os fundamentos da economia, tanto o setor externo quanto o público caminham para um equilíbrio`, disse Martin Tetaz, economista da Universidade de La Plata. `Guzmãn é a pessoa adequada para cuidar desse tema.`

Tetaz não vê um default desordenado iminente, pois estima que o Banco Central terá cerca de USS 15 bilhões de reservas para pagar os próximos vencimentos da dívida, o que daria algu ns poucos meses para o futuro ministro renegociar com os credores.

Segundo o jornal `Financial Times`, os credores foram tranqüilizados pelo Gabinete moderado nomeado na sexta-feira. Mas ficaram surpresos com as alegações de Fernández de que as negociações com o FMI caminham bem. `Fontes próximas às negociações dizem que não houve progresso`, diz o jornal. (

Marina Guimarães e Marsílea Gombata

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