Maduro manda fechar fronteira com o Brasil; Bolsonaro mantém envio de ajuda

Maduro manda fechar fronteira com o Brasil; Bolsonaro mantém envio de ajuda

Pressão internacional. Governo chavista fecha espaço aéreo e isola Venezuela para impedir entrada de comida e de remédios; após reunião, presidente brasileiro reafirma apoio à iniciativa da oposição venezuelana e garante saída de carregamentos de Roraima

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fechou ontem o espaço aéreo do país e ordenou o fechamento da fronteira com o Brasil para impedir a entrada de ajuda humanitária. Em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro manteve a participação do País no envio da ajuda. Um deputado da oposição venezuelana postou fotos em sua conta no Twitter de caminhões transportando veículos blindados do Exército na cidade de Santa Elena de Uairén, a 12 km da fronteira com o Brasil.

Adecisão ocorre adois dias de a oposição venezuelana iniciar uma operação de entrega de mantimentos enviados pelos EUA com ajuda brasileira e colombiana. `Decidi que, no sul da Venezuela, fica fechada completamente a fronteira com o Brasil, até segunda ordem`, disse Maduro, após reunião com o alto comando militar em Caracas.

Sobre a Colômbia, o chavista afirmou que avalia uma medida similar e disse que o armazenamento de ajuda humanitária é uma `provocação barata`. `Responsabilizo o senhor Iván Duque (presidente colombiano) por qualquer violência na fronteira.`

Mesmo com o fechamento da fronteira da Venezuela com o Brasil, Bolsonaro decidiu manter a missão humanitária. O portavoz da Presidência da República, Otávio Rego Barros, informou que os produtos serão mantidos nas cidades de Boa Vista e de Pacaraima, em Roraima, até que meios de transporte venezuelanos busquem os suprimentos.

`Estamos disponibilizando os meios para a operação e continuamos aguardando a vinda dos caminhões de transporte dirigidos por venezuelanos`, disse. Segundo ele, os alimentos não são perecíveis e o prazo de validade dos medicamentos é longo, o que permite o armazenamento por um longo período.

A partir de amanhã começa o envio de ajudahumanitária desde Roraima para a Venezuela, afirmou ontem Maria Teresa Belandria, representante de Guaidó no Brasil. `Foram definidos os procedimentos para realizara operação, por meio da qual serão transportadas em uma primeira fase até 100 toneladasde ajuda, composta por alimentos, remédios e kits de emergência, que sairão de Boa Vista`, explicou Maria Teresa. O controle da operação será das autoridades brasileiras.

A decisão de manter a operação foi tomada em reunião ontem entre Bolsonaro e os ministros Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Santos Cruz (Governo). O chanceler Ernesto Araújo não participou, mas foi consultad o por telefone, segundo o governo.

A pedido de Jair Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão irá a Bogotá para a reunião do Grupo de Lima, que ocorre segunda-feira. O tema do encontro será a crise na Venezuela, que pode se agravar após a decisão de Nicolás Maduro de fechar as fronteiras.

`Maduro mandou fechar a fronteira para evitar que o pessoal da Venezuela venhaao Brasil buscar suprimento`, disse Mourão ao Estado. O vice-presidente garantiu que, `em hipótese alguma`, o Brasil entrará na Venezuela para qualquer finalidade. `Isso não existe.`

De acordo com Mourão, `não há situação tensa`. `E stá da mesma forma que antes. Nada mudou. Vamos aguardar o que vai acontecer amanhã`, comentou, referindo-se à decisão de Guaidó de forçar a entrada da ajuda amanhã. Segundo o líder d a oposição venezuelana, as doações chegarão por Cúcuta, na Colômbia, e Roraima, no Brasil. No entanto, com a fronteira fechada, isso pode não acontecer.

O aumento da tensão com o fechamento da fronteira ocorre no momento em que o alto comando do Exército se reúne em Brasília, desde a segunda-feira, em uma agenda previamente marcad a, para d efinir as promoções de março. Nos encontros são feitas avaliações de conjunturas nacional e internacional.

Nas reuniões, os militares brasileiros descartaram qualquer chance de confronto. `O governo brasileiro não identifica, neste momento, possibilidade de fricção na fronteira`, afirmou ontem o porta-voz da Presidência.

As Forças Armadas e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ainda têm adidos em Caracas e mantêm o governo brasileiro informado. `A situação é de observação. Apenas isso`, afirmou um general, que preferiu não se identificar, já que a questão éconduzidapelo Ministério das Relações Exteriores em conjunto com o Planalto. Chanceler. Na viagem a Bogotá, Mourão será acompanhado pelo chanceler Ernesto Araújo. Ontem, o vice-presidente negou que sua ida à Colômbia represente o isolamento de Araújo. `De j eito nenhum. Ele vai comigo, só que a reunião é de presidentes e, por isso, o presidente Bolsonaro pediu para eu representá-lo`, declarou Mourão.

Na reunião do Grupo de Lima, na segunda-feira, na Colômbia, estarão representantes dos 14 países do Grupo de Lima. Entre os integrantes, apenas o México não reconhece Guaidó como presidente interino da Venezuela.

 

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