Macron pressiona contra acordo com Mercosul

Macron pressiona contra acordo com Mercosul

Presidente francês diz que interrompeu as negociações. Para integrantes do governo brasileiro, decisão do chefe de Estado de reforçar a agenda ambiental e criticar o Brasil é estratégia política, após a derrota em eleições municipais

O presidente da França, Emmanuel Macron, aumentou ontem a pressão pela rejeição do tratado de livre comércio entre o Mercosul e a União Européia (UE). O acordo também ganhou a oposição de 265 instituições civis europeias e latino-americanas, incluindo duas dezenas de grupos franceses e seis brasileiros.

Depois de se reunir com representantes da Convenção Cidadã pelo Clima, um painel que defende a adoção de uma economia verde, Macron reforçou sua posição contrária ao acordo assinado há um ano, mas que depende da ratificação de todos os países do bloco europeu. Vocês dizem: `nenhum acordo comercial com países que não respeitarem o Acordo do Paris`. Eu compartilho dessa opinião afirmou Macron no Palácio do Eliseu.

E por isso que, em relação ao Mercosul, interrompi as negociações, e o último relatório que nos foi apresentado reforça essa decisão. A declaração de Macron, numa referência à postura do governo brasileiro em relação ao meio ambiente, acontece no dia seguinte à derrota de seu partido para os Verdes nas eleições municipais francesas. Por isso, a rejeição do acordo pode ser vista, em parte, como estratégia para buscar apoio entre esse eleitorado.

´ONDA VERDE´

Além de se declarar contra o tratado de livre comércio, Macron se comprometeu a direcionar 15 bilhões, em dois anos, para promover a `transformação ecológica` da economia francesa, com investimentos em `transportes limpos, renovação imobiliária e invenção das indústrias do futuro`. O presidente francês declarou apoio a outras iniciativas propostas pela Convenção Cidadã, como a criminalização do `ecocídio` na Justiça internacional, para punir quem não respeita os ecossistemas, e a criação de uma `nota de carbono` para ser estampada em embalagens de produtos.

No domingo, o partido Europa Ecologia (Os Verdes) foi o grande vencedor das eleições municipais, conquistando prefeituras importantes como Lyon, Bordéus e Estrasburgo. Não é a primeira vez que o presidente francês se diz contrário ao tratado. Em agosto do ano passado, apenas dois meses após a assinatura, ele defendeu essa posição, com críticas à gestão ambiental do governo Jair Bolsonaro.

A avaliação de integrantes do governo brasileiro ouvidos pelo GLOBO é que, diante da vitória dos ambientalistas, Macron acabou por decidir reforçar sua agenda ambiental e disparar críticas contra um alvo recorrente, que é o Brasil. Outros países, como a Áustria, Holanda e a Irlanda, também já deram sinais de que seus congressistas não deverão aprovar o acordo.

Esse cenário não preocupa o governo brasileiro. Uma das razões é que os setores industriais europeus, como o português e o alemão, têm interesse em comprar produtos agrícolas mais baratos e sem subsídios do Mercosul. Além disso, pelo que foi acertado, a parte econômico-comercial do acordo entrará em vigor assim que o Parlamento Europeu e os Legislativos do Mercosul derem sinal verde.

(Colaborou Eliane Oliveira)

Em reunião com membros da Convenção Cidadã, Macron defende uso do Acordo de Paris em negociações comerciais

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