Macron: pacto com Mercosul depende de clima

Macron: pacto com Mercosul depende de clima

Diplomatas brasileiros disseram ao Estado que, em governos anteriores,o acordo climático nunca foi um obstáculo. Eles alertam, porém, que a postura da França pode ser `oportunista`. Paris jamais cedeu em abrir seu mercado para as exportações agrícolas do Mercosul. Agora, segundo alguns diplomatas, encontrou um argumento para impedir o acordo. Após as declarações de Macron, Bolsonaro se manifestou ontem à noite pelo Twitter. `É legítimo que países no mundo defendam seus interesses e estaremos dispostos a dialogar sempre, mas defenderemos os interesses do Brasil e dos brasileiros`. Procurado, o Itamaraty disse que não iria se pronunciar.

O presidente da França, Enimanuel Macron, afirmou ontem que um pacto comercial entre União Européia e Mercosul depende do apoio do governo brasileiro ao Acordo de Paris. Jair Bolsonaro é contrário aos termos da política de combate às mudanças climáticas

O presidente da França, Emmanuel Maeron, disse ontem, em Buenos Aires, que a assinatura de um acordo comercial entre União Européia e Mercosul depende do apoio do governo brasileiro ao Acordo de Paris, um compromisso internacional que tem o objetivo de minimizar os impactos do aquecimento global. As declarações foram feitas durante uma entrevista coletiva na capital argentina, onde começa hoje o encontro dos líderes do G-20, grupo que reúne as maiores economias do mundo.

`Do lado francês, eu digo claramente que não sou favorável à assinatura de um acordo comercial amplo com potências que não respeitam o Acordo de Paris e que anunciam que não vão respeitar o Acordo de Paris`, disse Macron. Nesta semana, o Brasil decidiu retirar sua candidatura para sediar a reunião sobre mudanças climáticas da ONU, em 2019. Bolsonaro admitiu, anteontem, ter participado dessa decisão e explicou que não faria sentido sediar o evento, uma vez que o País pode deixar o acordo do clima.

As negociações para assinatura de um acordo comercial entre Mercosul e União Européia se estendem por quase 20 anos e estão na reta final. A França sempre foi resistente a um acordo que prejudicasse seus produtores de carne e açúcar, mas recentemente deu sinais de que poderia chegar a um entendimento. Ontem,noentanto,Macron deixou claro que as conversas podem travar novamente. `Há uma mudança política maior no Mercosul que acaba de ocorrer no Brasil. Portanto, é do lado do Mercosul que a questão está colocada para saber qual é a natureza do impacto que essa mudança vai ter`, afirmou Macron.

Segundo ele, houve um encontro no início do ano em Paris com o presidente da Argentina Maurício Macri e certos compromissos foram adotados por ambos os lados para garantir que houvesse um avanço nas negociações entre Mercosul e UE. Um desses compromissos foi de que todos, em um eventual acordo comercial, respeitassem os princípios do Acordo de Paris. `Eu exijo esforços de meus trabalhadores, meus industriais, para se adaptarem ao Acordo de Paris. É um sacrifício`, disse Macron. `E do outro lado, assinaríamos acordos comerciais com países que dizem ab ertamente que não há problemas de aquecimento climático, que não fazem esses esforços.`

Nesta semana, Bolsonaro o agronegóciobrasieliro estásufocado `por questões ambientais que não colaboram em nada para o d e senvolvimento e a pre servação do meio ambiente.`

Diplomatas brasileiros disseram ao Estado que, em governos anteriores,o acordo climático nunca foi um obstáculo. Eles alertam, porém, que a postura da França pode ser `oportunista`. Paris jamais cedeu em abrir seu mercado para as exportações agrícolas do Mercosul. Agora, segundo alguns diplomatas, encontrou um argumento para impedir o acordo.

Após as declarações de Macron, Bolsonaro se manifestou ontem à noite pelo Twitter. `É legítimo que países no mundo defendam seus interesses e estaremos dispostos a dialogar sempre, mas defenderemos os interesses do Brasil e dos brasileiros`. Procurado, o Itamaraty disse que não iria se pronunciar.

Comércio exterior. Em meio às declarações de Bolsonaro de que o Brasil pode deixar o Acordo de Paris, presidente francês sinalizou, ontem, na Argentina, que negociações entre blocos econômicos, na reta final após quase 20 anos, podem travar nuevamente.

 

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