Macron e sua campanha contra o agronegócio brasileiro

Macron e sua campanha contra o agronegócio brasileiro

As declarações do presidente de que se deve deixar de comprar a soja brasileira por ser proveniente do desmatamento da Amazônia, sob o falso pretexto de proteger o meio ambiente e estimular o agronegócio francês, traz, na verdade, reflexões importantes sobre o protagonismo brasileiro no agronegócio mundial.

Nicolau Maquiavel, no livro O Príncipe, promove de forma certeira a cisão entre a moral e a política. Uma de suas frases capitulares – “Mas a ambição do homem é tão grande que, para satisfazer uma vontade presente, não pensa no mal que daí a algum tempo pode resultar dela” –, reflete claramente a declaração irresponsável do presidente francês Emmanuel Macron sobre o agronegócio brasileiro. Macron precisa de votos do setor ambientalista e ruralista de seu país e utiliza inverdades sobre o Brasil para tentar reverter sua impopularidade e suas diversas derrotas políticas dos últimos meses.

As declarações do presidente de que se deve deixar de comprar a soja brasileira por ser proveniente do desmatamento da Amazônia, sob o falso pretexto de proteger o meio ambiente e estimular o agronegócio francês, traz, na verdade, reflexões importantes sobre o protagonismo brasileiro no agronegócio mundial.

É fato que há desmatamento ilegal na Amazônia. Mas é sabido, também, que a soja brasileira não é proveniente daquele bioma, sendo seu plantio concentrado em outras regiões, como o Cerrado e as fronteiras agrícolas de estados como Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins.

Há uma tendência mundial contra a aquisição de produtos provenientes de áreas de desmatamento. E esse cenário é irreversível. Não só a União Europeia, mas os Estados Unidos, a China e outros grandes importadores têm exigido preservação ambiental para aquisição de produtos agropecuários.

Cabe ressaltar, contudo, que a intenção maquiavélica de Macron de impulsionar uma sojicultura europeia, atacando – sob falsos argumentos – a produção nacional, é desonesta e pouco factível.

A produção mundial de soja está concentrada, atualmente, em três países: Brasil, Argentina e EUA, sendo o Brasil o maior produtor e exportador mundial, além do mais produtivo.

Em entrevista à rede privada TF1 e à televisão pública France 2, o chefe de estado reconheceu não ter conseguido ser um presidente conciliador com os franceses e, diante de sua campanha à reeleição em 2022 e da realização da Conferência do Clima (COP 26) em Glasgow, na Escócia, no início de novembro de 2021, corre de maneira frenética contra o tempo, a fim de reconquistar sua popularidade.

Atacando o agronegócio brasileiro, exemplo de sustentabilidade, cria uma cortina de fumaça, produzindo inverdades sobre nosso protagonismo, tentando resgatar sua imagem entre diferentes grupos franceses.

Em suma, as declarações em relação à soja brasileira são desastrosas e fazem parte de um projeto político inadequado e eleitoreiro de Macron, devendo ser rechaçadas de forma contundente, em defesa do agronegócio brasileiro e das boas relações internacionais e do comércio exterior.

*Marco Tulio Bastos Martani, presidente da Comissão de Agronegócios e Relações Agrárias da OAB SP

*Bernardo Felipe Abrão, vice-presidente da Comissão de Agronegócios e Relações Agrárias da OAB SP

*José Roberto Gomes de Paula Júnior, relator da Subcomissão de Direito Ambiental da Comissão de Agronegócios e Relações Agrárias da OAB SP

Marco Tulio Bastos Martani, Bernardo Felipe Abrão e José Roberto Gomes de Paula Júnior*

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