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Macri tenta barreira contra câmbio, e bancos esperam corrida por dólares

Macri tenta barreira contra câmbio, e bancos esperam corrida por dólares

Novas regras limitam compra da moeda e mandam exportador retornar divisas ao país em 5 días

Esta segundafeira (2) promete ser agitada nos bancos da capita] argentina, Buenos Aires, que se preparam para uma forte procura por dólarese muita confu são após o governo ter decretado, neste domingo (i°), limites no mercado de câmbio. Segundo as novas regras, as pessoas físicas serão limitadas a comprar ou transferir para contas no exterioraté US$ 10 mil por mês (o equivalente a  66 milpesos na Argentina, ou R$ 41.379 no Brasil).

Os exportadores terão de retornar ao país as divisas que resultem de vendas no exterior em até cinco dias após receber ouematé seis meses após o embarque. O governo também decidiu centralizar o câmbio, determinando que o acesso a dólares, metais e transferências ao exterior sejam feitos só com autorização do banco central. As medidas se somam à restrição levantada na última sexta {30}, de bancos remeterem resultados ao exterior, num primeiro sinal de que mais ações para o limitado acesso a dólares seriam implementadas.

Dessa maneira, o presidente Maurício Macri retoma parte dos controles que vigoraram naArgentína até o fim do mandato da ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), que disputa a eleição presidencial no mês que vem como vice na chapa opositora. Desde a última quarta (28), quando o governo decretou moratória parcial de sua dívida interna, a cotação do dólar) em pesos escalou, aprofundando a crise financeira que se instalou desde as eleições primárias de 11 de agosto. A chapa opositora, liderada pelo peronista Alberto Fernández, apareceu virtualmente vitoriosa já no primeiro turno. Embora Fernández tenhase comprometido em evitar um default da dívida, há desconfiança sobre como os peronistas conduzirão a frágil situação financeira da Argentina cuja dívida pública alcança 90% do PIB e roda com uma inflação acima deja% ao ano. Neste contexto, argentinos buscaram refúgio no dólares forçaram a alta da moeda.

As reservas do banco central encolheram quase US$ 9 bilhões entre a primária e a ultima quarta, segundo dados oficiais. Coma sangria, economistas passaram a contaros dias para as reservas em poder do banco central chegar ao limite. O BCRA teria em caixa cerca de R$ 56 bilhões, porém menos de US$ 20 bilhões seriam de ativos de liquidação imediata ou seja, poderiam ser acionados imediatamente. Nesta segunda os bancos deverão funcionar duas horas mais, para dar conta do movimento, e terão depor em prática as novas regras vigentes.

Argentinos costumam fazer poupança em dólar, tanto por meio de aplicações em moeda estrangeira quanto em escaninhos privados mantidos em agências bancárias, on de são guardados dólares em espécie. Por essa razão, existe uma demanda por dólares em papel na boca do caixa. No sábado {31), casas de câmbio já ficaram movimentadas na capital argentina. Não havia filas, mas muitas sucursais no Centro, na Recoleta e em Palermo estavam cheias até omeio da tarde. Nas conversas, a incerteza sobre o dólar era tema recorrente. As mudanças no câmbio pegam em cheio um dos setores econômicos que mais apoiaram o presidente Macri. Até 2017, os exportadores tinham que retornai` com a moeda estrangeira para o país em até 30 dias. Macri derrubou estes controles, como prometera na campanha eleitoral.

Agora, volta a impor as regras, dado o contexto de escassez de divisas às portas da eleição, cujo primeiro turno ocorre dia 27 de outubro. O grupo empresarial Idea (do espanhol Instituto para el Desarrollo Empresarial de la Argentina), que reúne líderes de grandes grupos industriais como o Techint {que no Brasil controla a Usiminas), lançou um manifesto pedindo um acordo entre Macri e a oposição p ara amainar a cris e. No comunicado, os empresários afirmam que a falta de diálogo levou o país a crises recorrentes, com efeitos cada vez mais negativos sobre a sociedade argentina. `Acreditamos que é muito importante que os dois prin cipais candidatos, acompanhados dos dirigentes políticos e sociais de todos os setores, criemos espaços necessários para acorri aras principais ações a serem adotadas neste momento até as eleições e o início do próximo governo`, afirmou a entidade.

Diálogo contra crise com a oposição é difícil de ocorrer Aideia de que oposição e governo deveriam `dialogar` para garantir uma transição menos turbulenta tem sido evocada por economistas e analistas, mas é de difícil execução. Logo após as primárias, Maurício Macri procurou Alberto Fernández para conversar. Embora o peronista (que ganhou p or 47% a 32%) tenha garantido que não faria nada para conturbar ainda mais asítuação iristável do país,seguiu criticando e defendendo-se como argumento de que era só `um candidato, e não um presidente eleito`, e que a responsabilidade da crise era de Macri.

Mesmo que os bons modos tenham prevalecido nos pri meiros dias, politicamente a polarização se impôs. A maerista Elisa Carrió fez discursosincendiários dizendo que `apenas mortos deixaremos Olivos` (a residência oficial). Fernández anunciou agenda na Esp anha e em Portugal, para onde viajou no domingo. Depois, vaiao México, onde se encontrará com o presidente esquerdista López Obrador, com quem pretende aliar-se pelo menosem um quesito: não apoiar a Juan Guaidó, na Venezuela, porque crê que isso é uma ingerência e que o país não vive uma ditadura, e sim `um regime autoritário`.

Com Cristina combativa e Fernández no exterior, há poucas chances de diálogo. Desde as primárias, empresários e analistas passaram a falar em uma saída ã brasileira, defendendo que Macri e Fernández entrassem em diálogo como EHC e Lida fizeram em 2002, quando os dois negociaram juntos um novo socorro ao FMI (Fundo Monetário Internacional). Mas, ao contrário de FHC, Macri está em campanha de reeleição, apesar do insólito clima de tr ansição a pouco mais de 50 dias da eleição. Macri até se referiu a essa transiçãoFHC-Lulana entre vista que deu no ultimo dia 12, um diadepoisdasprimárias. Dizendo que Lula não tinha tido muito trabalho porque FHC tinha preparado o terreno para que ele fizesse um bom governo, mas que isso na Argentina pare cia não serpossível, porque a oposição `sempre quervoltarpara trás,para uma solução que o mercado internacional rejeita`.

O analista político Marcos Novaro resumiu; `não dá para o governo dialogar porque está em campanha e tem de atacar Fernández, enão o contrário. E Fernández, para ganhar, precisa que Macri sangre até o fim

Quanto custa a Argentina?

Café US$1,60

Alfajor US$ 0,48

Suco US$2,40

Gasto por refeição US$8,05

Taxi da Recoleta para centro de Buenos Aires US$2,90

 Salário mínimo US$201

Salário do presidente da República US$4.320

Acima de 50%

é inflação anual argentina

 1.800 pesos:  é quanto custa uma refeição para duas pessoas em um restaurante de Palermo, sem bebida alcoólica

1.200 pesos : era quanto custava, há poucas semanas, uma boa refeição para duas pessoas com uma garrafa de vinho

Mariana Carneiro e Sylvia Colombo

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