Macri gera otimismo com escolha de vice peronista

Macri gera otimismo com escolha de vice peronista

Argentina Dólar e risco-país caem com melhora no cenário de reeleição

A decisão do presidente Maurício Macri de convidar um peronista moderado para ser o seu vice na chapa que disputará as eleições de outubro animou os mercados na Argentina, levando à queda do dólar e do risco-país nos últimos dias.

Na avaliação dos investidores, a escolha de Miguel Pichetto para a chapa governista aumenta as chances de Macri vencer a disputa e, no médio prazo, favorece a governabilidade e a aprovação de reformas, afirmam analistas. Depois do anúncio do dia 11, o dólar caiu de quase 45 pesos para 42,44 pesos ontem. Com isso, o peso passou a ser uma da moedas de mercados emergentes com melhor desempenho nas últimas semanas.

O risco-país, elaborado pelo JP Morgan, retrocedeu para 849 pontos, depois de atingir 1.008 pontos no dia 3. `Há alguns meses o mercado estava convencido de que Macri não poderia se reeleger frente a um kirchnerismo mais radicalizado. Mas a escolha de Alberto Fernández como cabeça de chapa de Cristina Kirchner e a de Pichetto como vice de Macri indicam maior moderação, o que acalmou o mercado`, diz o analista político Júlio Burdman.

O índice de Sentimento do Mercado Argentino, elaborado pela Universidade de San Andrés e pela Bolsa de Comércio de Buenos Aires, passou de 33,3% para 51,6%, segundo o jornal `El Cronista`. Isso indica que investidores estão mais otimistas em relação ao mercado financeiro para os próximos três meses. O índice para seis meses atingiu o nível mais alto desde julho de 2018, com 60% se dizendo otimistas.

O analista financeiro Christian Buteler argumenta que, com Pichetto como vice de Macri, esvaziou-se um terceiro grupo político, dos peronistas moderados, que poderia tirar mais votos de Macri do que de Fernández. `O mercado passou a ver uma possibilidade menor de Macri perder num primeiro turno`, diz. Buteler afirma que o dólar atingiu um piso e tem espaço para subir até o primeiro turno, em 27 de outubro, se investidores que dolarizam suas carteiras em épocas de eleição decidirem aproveitar essa baixa da moeda americana.

Já o comportamento do riscopaís, diz ele, vai depender de dois fatores: o eleitoral e o econômico. `O avanço de Fernández nas pesquisas de intenção de voto e mais dados ruins sobre a economia argentina podem levar a nova alta.` Os mais recentes indicadores mostram que o PIB argentino contraiu-se 5,8% no primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período de 2018. Em maio, a inflação mensal caiu para 3,1%, mas subiu para 57,3% no acumulado de 12 meses.

O nível de desemprego subiu de 9,1% para 10,1 % no primeiro trimestre. Para Carlos de Sousa, da consultoria Oxford Economics, a escolha de Pichetto busca não apenas cortejar eleitores de centro, mas também enviar sinal de maior governabilidade num eventual segundo mandato de Macri. Pichetto foi líder da bancada peronista no Senado de 2002 até este mês e apoiou as reformas econômicas do governo Macri, como a previdenciária.

`Com as coligações eleitorais voltadas para o centro, a probabilidade de mudança radical das políticas econômicas após a eleição diminui, o que ajuda a estabilizar o câmbio`, diz. `Um peso mais forte pode ajudar a reeleição de Macri, ao fazer com que o eleitorado sinta menos a crise.` Essa aparente tranqüilidade, contudo, não está garantida até a eleição, diz Thomaz Favaro, da consultoria Control Risks.

`Essa estabilidade dependerá de temas da conjuntura externa, como a disputa comercial entre EUA e China, que pode gerar maior aversão dos investidores a mercados emergentes`, diz. `No âmbito doméstico, a maioria das pesquisas ainda mostra empate técnico entre as duas principais forças políticas, mas qualquer debilidade da coligação governista pressionará o câmbio.`

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