Macri corre contra o tempo para sanear economia argentina

Macri corre contra o tempo para sanear economia argentina

Popularidade do presidente recua em meio à instabilidade global e a temores de recessão este ano

O ministro da Fazenda da Argentina, Nicolás Dujovne, afirmou ontem que o governo de Mauricio Macri solicitou ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que adiante para setembro a liberação de US$ 3 bilhões do acordo de stand by de US$ 50 bilhões firmado em junho, segundo informaram agências internacionais.

O ministro acrescentou que a economia argentina cairá este ano 1%, devido sobretudo à estiagem que afetou a produção agropecuária, principal fonte de recursos do país. Com o ajuste que o governo vem implementando, porém, Dujovne previu que o PIB argentino crescerá 1,5% em 2019.

Desde que chegou ao governo, em 2015, com a promessa de tirar o país da estagnação, Macri teve que corrigir os equívocos legados por 12 anos de uma economia dirigida pela ideologia bolivariana do casal K (Néstor e Cristina Kirchner). Inicialmente, as metas de Macri deram certo nas três frentes em que se propôs atuar: desfazer as políticas populistas, estimular o crescimento sustentável e conter a inflação.

No entanto, com erros de gestão e uma conjuntura externa adversa que afetou sobretudo o câmbio, hoje o país patina rumo à recessão; o peso se desvaloriza; e a inflação oscila numa faixa superior a 30% ao ano, para decepção de seu eleitorado. Dujovne disse que o governo calcula um déficit em conta corrente de 3% do PIB em 2019, o que põe em risco o cumprimento do programa econômico fechado com o FMI.

Recentemente, a diretora-gerente do Fundo, Christine Lagarde, disse que a instabilidade atual da economia global, sobretudo a curto prazo, se deve aos efeitos da guerra comercial, a pressões financeiras nas economias emergentes e à volta do risco soberano em alguns países do euro. Segundo ela, é essencial que as autoridades macroeconômicas encarem esses desafios, sobretudo os países com déficits fiscais.

Macri corre contra o tempo para domar a economia, e o adiantamento da parcela de ajuda pelo FMI poderá ter um papel importante no processo de saneamento das contas do governo. É provável, porém, que o presidente argentino pague algum preço político. Já há sinais disso na queda de seu índice de aprovação e em disputas em sua própria coalizão, o Mudemos.

Por outro lado, a Lava-Jato argentina se aproxima da ex-presidente Cristina Kirchner e de seus aliados. A depender do desfecho das investigações e operações policiais sobretudo se forem provadas as denúncias de conluio do kirchnerismo com o esquema costurado pelo lulopetismo no Brasil , os argentinos terão algo a mais com que se preocupar.

 

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