Livro de Bolton reforça papel lateral do Brasil na política americana

Livro de Bolton reforça papel lateral do Brasil na política americana

Ex-assessor de Trump menciona seis vezes o país e duas vezes Bolsonaro na obra que será lançada nesta terça

Se alguém duvidava do papel cada vez menor do Brasil na política externa continental americana, o livro do ex-assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, é um exemplo difícil de ignorar. Jair Bolsonaro é mencionado duas vezes, de passagem, em `The líoom Where It Happ ened; A White House Memoir` {a sala onde aconteceu: um livro de memórias da Casa Branca). E o Brasil merece seis menções, todas no contexto do esforço para ajudar a oposição venezuelana na tentativa de apressar o fim do regime de Nicolás Maduro. Apesar de narrar uma visita ao Brasil, emnovembro de 2018, para conhecer o presi dente eleito, Bolton não faz nenhuma observação sobre o que pensa de Bolsonaro. Escreve apenas: `Voei de Andrews para o liio de Janeiro para ver o recém-eleito presidente brasileiro Jair Bolsonaro acaminho da reuniãodo G´io em Buenos Aires`. Em seguida, passa a falar de um telefonema para Donald Trump em que trataram de Ucrânia. A outra menção apenas colocaobrasileiroao lado do co legaamericano na visita a Washington. `Trump parecia estar se segurando bem, dizendo, numa entrevista coletiva com o novo presidente brasileiro Jair Bolsonaro: ´Não impusemos sanções realmente duras à Venezuela aindaT No mesmo capítulo, Bolton menciona a ajuda da Rússia á Venezuela, especulando que o auxílio deveria aumentar nos meses seguintes. `Mas, ao mesmo tempo, entretanto`, escreve, `o ministro da Defesa do Brasil, Fernando Azevedo, me dizia que o fim j á estava à vista para Maduro`. O livro tem lançamento marcado para esta terça {13) e já ê o maisvendido na Amazon. O governo Trump tentou impedir sua publicação, alegando que o livro contém in formações que colocam em risco a segurança nacional. No sábado {20), um juiznegou o pedido de suspensão do livro, mas fez duras críticas ao autor, condenando as revelações detalhadas sobre negociações com vários países. O juiz Royce Lamberth co ncluiu que era tarde demais para sustar a distribuição do livro, já disponível em dezenas de Redações e em trânsito de depósitos para entrega. Desde sábado, cópias piratas começaram a circular online em formato PDF. O ex-assessor de Trump, que diz ter renunciado ao cargo, ainda que o presidente afirme que o demitiu, foi um viláo silencioso do processo de impeachmentdo republicanoporqueserecusoua dep orna Câmara depois de receber US$2 milhões (R$ ro,6 milhões) de adiantamento da editora. Bolton é um prolífico anotador de reuniões e interações no poder, o que faz de suas memórias o volume mais detalhado e também inc rim inador entre os escritos por ex-assessores de Trump. As revelações mais graves se referem à China, o país que oferece a maior ameaça existencial ao poder e à economia dos EUA. Dá exemplos de completo despreparo do presidente americano para negociar com os chineses, claramente alegres com a fraqueza do interlocutor. U madas passagens que mais chocaram a mídia americana foi sobre o endosso que Trump deu a Xi, quando ele explicou que estava construindocampos de concentração pai a mais de 1 milhão de membros da minoria étnica muçulmana uigur. Bolton escreve: `Trump disse que Xi devia ir adiante construindo os campos, ele achava que era exatamente a coisa certa a fazer`. O autor relata o gosto de Trump paia `fazerfavorespessoaís a ditadores`, como levantar sanções contra o oligarea russo Oleg Derípaska, ex-sócio do diretor da campanha presidencial deició, hoje em prisão domiciliar por evasão de impostos e fraude bancária. Ele considera que obstrução de Justiça, para o presidente, é como `um estilo de vida`. E, co mo se quisesse reforçar o argumento de seuex-assessor e novo inimigo, Trump deinítiuno sábado o procurador federal Geoffrey S. Berman, do Distrito Sul de Manhattan, responsável por investigações de vários de seus aliados.

Numa entrevista pré-gravada que foi ao ar no do min go (21) à noite, na rede ABC, Bolton disse que Trump havia proposto intervir na in vestigação do banco estatal turco Halbank por violações das sanções contra o Irã. O republicano teria dito ao presidente turco, Recep Tayyip Erdogan: `Olha, aqueles promotores em Nova York são todos gente do Obama. Deixa que eu boto o meupessoal lá e a gente cuida disso`.

Nesta segunda (22), Trump voltou a atacar Bolton no Twitter, escrevendo que deu uma chance a uma pessoa que náo poderia ser chancelada para um posto no gabinete pelo Senado por ser considerado um `doido`. Mas, queixou-se, `ele acabou por se mostrar grosseiramente in competente e um mentiroso`. Tuítescoléricos sobre traições pessoais náo devem faltar nos próximos meses. Está marcado para o dia 28 de julho o lançamento de um livro de Mary Trump, sobri nha do presidente, com o título `Too Much and Never Enough: How My Family Created the Worlcís Most Dangerous Man` (demais e nunca o bastante: como minha família criou o homem mais perigoso do mundo). Mary é psicóloga e filha de Fred Trump 20, o irmáo mais velho de Donald Trump, que morreu de alcoolismo, em 1981, aos 42 anos. Ela e o irmáo Fred Trump 30 moveram processo contra os três tios, no início dosanos 2000, quando se consideraram roubados pelos novos terinosdo testamento do pai do atual presidente, Fred sênior, morto em 1999. Afamíliafezumacordo com Mary e Fred fora dos tribunais, e Trump mandou no domingo um recado, numa entrevista ao siteAxios. Lembrouque o acordo do espólio inclui uma cláusula de confidencialidade. Contagem regressiva para uma nova ação na Justiça para impedir a publicação das memórias da sobrinha.

Em setembro, será a vez do general H.R. McMaster, ante cessor de Bolton na assessoria de Segurança Nacional. O militar da reserva escreveu `Battleground: The Fight to Defendthe Free World` (campo debatalha: a luta para defender o mundo livre), e espera-se que ele vá explorar o dano causado pela erráti ca política externa de Trump ao protagonismo e à segurança dos Estados Unidos. Voei de Andrews para o Rio de Janeiro para ver o recérneleito presidente brasileiro Jair Bolsonaro a caminho da reunião do G20 em Buenos Aires John Bolton em uma das duas vezes que menciona Bolsonaro em seu livro

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