Líder admite que grupo bolsonarista é armado

Líder admite que grupo bolsonarista é armado

A líder do movimento bolsonarista 300 do Brasil, Sara Winter, disse à Folha, por escrito, que há integrantes armados, mas apenas para proteger outros membros nos locais onde instalam acampamentos.

O grupo ficou conhecido por anunciar treinamento de `revolução não violenta` a militantes. Podtr aií Líder de grupo pró-Bolsonaro diz que movimento é armado para se defender Mobilização a favor do presidente no Distrito Federal nega caráter violento e rejeita rótulo de milícia

Brasília Oagora notório grupo 300 do Brasil, mobilizado no Distrito Federala favor do presidente Jair Bolsonaro, diz q ue não defende intervenção militar, como outros movimentos presentes nos protestos antidemocráticos recentes, mas sim uma inter venção popular. O comando do movimento reconhece que parte de seus membros estãoarmados, embora faça a ressalva de que as armas seriam usadas apenas p ara de fender os membros no acampamento e não nas atividades de militãncia. OS300 do Brasil ganharam notoriedade recentemente, ao anunciar umgrande acampamento para treinar militantes dispostos a defender o governo Bolsonaro. `Em nosso grupo, existem membros que são CACs [Colecionador, Atirador e Caçador], outros possuem armas devidamente registradas nos órgãos competentes. Essas armas servem apenas para a proteção dos próprios membros do acampamento e não têm a ver com nossa militãncia`, afirmou a li der Sara Winter, 27, em entrevista por escrito à Folha. O grupo manteve uma aura de guerrilha, informando que as atividades se dariam em um QG secreto, para onde os membros não poderiam levar telefones celulares. Os militantes receberiam treinamento em `revolução não violenta e desobediência civil`, além de conhecerem técnicas de `estratégia, inteligência e investigação`. Em postagens nas redes sociais, seus lidere s falavam em `ucranizar o Brasil`, em referência ao movimento armado que derrubou o governo da Ucrânia, em 2014. Como a Folha mostrou na semana passada, alguns de seus líderes são ou foram assessores de políticos bolsonaristas, como a deputada Bia Kicis (PSL-DF) e a ministra Damares Alves {Mulher, Família e Direitos Humanos). Em uma vaquinha online para levantarfundos, o grupo tinha arrecadado R$ 70 mil até a tarde desta terça-feira {11). Um dos acampamentos visíveis do grupo, em frente ao estádio Mané Garrincha, durou cerca de dez dias e acabou desmantelado pelas autoridades de segurança do Distrito Federal na semana passada. O grupo passoua ser investigado pela Procuradoria- Geral da República, no inquéri to instaurado no fim de abril para apurar recentes manifestações antidemocráticas. A pedido do procurador-geral, Augusto Aras, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de investigação sobreosatospró-golpe militar realizados em 19 de abril. Bolsonaro, que participou do protesto em Brasília, não foi citado no inquérito. No pedido de abertura de apuração, Augusto ArasmencionapossívelviolaçãodaLei de Segurança Nacional por `atos contra o regime da democracia brasileira por vários cidadãos, inclusive deputados federais, o que justifica a competência do STF`. O grupo 30 o do Brasil, no entanto, refuta o suposto caráter violento ou mesmo ser considerado uma milieia armada. `Absolutamente nenhum dos integrantes do 300 do Brasil fala sobre milícia armada, muito menos sobre invadir o Congresso ou o STF. Aimpiensa tem se mostrado extremamente amadora na checagem dos fatos`, diz ela. Winter, cujo verdadeiro nome é Sara FernandaGiromini, fundou o Femen Brasil, grupo famosono mundo porprotestar de topless, e depois se converteu ao conservadorismo. Ela afirma que há na capital federal mais de 40 movimentos de direita, `sendo que alguns deles defendem a intervenção militar`. `Nós dos 300 não acreditamos em intervenção militar, mas sim em intervenção popular, ou seja, a idéia de que todo o poder emana do povo, como prevê o artigo i° da Constituição Nacional, e que através de métodos de ação nào violenta, como a desobediência civil, podemos ser [o povo] a classe soberana no pais`, afirma. No protesto do último sábado (9), após a notíc ia de investigação por parte da PG R, Winter bradou no carro de som do grupo que o grupo era contra intervenção militar. Ela tam bém fez um jogo de palavras com a palavra `paramilitar`, afirmando que o movimento era para militar, para mães, para professores. Os líderes afirmam que o grupo conta atualmente com 700 membros, em diversas partes do Brasil. Os objetivos dos 300 do Brasil misturam pontos legítimos, como o resgate da soberania naei onal, o respeito à divisão de Poderes, a plena execução do pacto federativo, com outros mais polêmicos, como a criminalização do comunismo. Novamente descartando um suposto caráter violento, a líder do grupo afirma que a atuação é apenas performática e com base na desobediência civil e métodos de ação não violenta. `Nosso objetivo é humilhar e desmoralizar personalidades políticas que se opõem ao bom e pleno desenvolvimento da nação`, afirma a li der do grupo. `Entendemos que o primeiro passo para se derrubar um ditador é envergonhá- lo diante da população, tirando sua autoridade`, completou. Ainda no protesto do últi mo sábado, o grupo exibiu um grande cartaz com fotos depersonalidades que se tornaram alvo dosbolsonarístas, como o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, osdeputados Joice Hasselman (PSL-SP) e Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidenteda Câmara, e o ministro do STF Alexandre de Moraes. Depois houve um tiro ao alvo contra as imagens, com balões cheio de água. Em relação aos próximos passos, o 300 do Brasil afirma quevai manterações eoordenadasparapressionarMaia e o Supremo, além de realizar até dois grandes treinamentos por mês. Um deles, afirma Winter, será no próximo sábado {16). O anterior, ela relata, teve 150 participantes. O grupo não divulga muito s detalhes dos cursos e os nomes de todos os palestrantes. Entre os que ela afirma que p ode citar estã o instrução de investigaçãoe inteligência,geopolítíca e estratégia e métodosnão violentos e desobediência civil esse último ministrado pela própria Winter. `É uma forma de garantir que nossos militantes não irão agir com amadorismo e improviso, massim com ordem, disciplina e hie rarquia, inclusive, sacrificando sua vida pessoal se for preciso`, disse ela. Nosso objetivo é humilhar e desmoralizar personalidades políticas que se opõem ao bom e pleno desenvolvimento da nação Sara Winter líder do grupo 300 do Brasil Sara Wintei; 27, do grupo bolsonarista 300 do Brasil Sara Winter no Instagram

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