Líbano anuncia novo Gabinete de governo com expectativa de retomar negociações com FMI

Líbano anuncia novo Gabinete de governo com expectativa de retomar negociações com FMI

16:29 - Pais enfrenta uma das mais graves crises desde o século XIX, segundo o Banco Mundial, e precisa implementar ações urgentes para obter ajuda internacional

Lideranças políticas do Líbano fecharam acordo sobre um novo Gabinete de governo na expectativa de que o acerto coloque fim às longas disputas políticas, em meio a um dos períodos mais difíceis na história recente do país. O anúncio vem cerca de um mês e meio depois da confirmação do bilionário Najib Mikati como o novo premier libanês e é visto como essencial para a retomada de negociações para um pacote de ajuda internacional.

Em um discurso emocionado na TV, Mikati, que já ocupou o posto duas vezes no passado, lembrou das muitas dificuldades que a prolongada crise econômica e política impôs ao Líbano, provocando uma das situações mais críticas desde a guerra civil, entre 1975 e 1990.

Os problemas começaram antes mesmo da pandemia da Covid-19, com o sistema financeiro entrando em colapso depois de décadas de políticas públicas consideradas inconsequentes, elevando a dívida pública a patamares insustentáveis. Com o governo paralisado pelas disputas políticas e sob pressão de protestos diários e violentos nas ruas, a pandemia serviu como um elemento a mais no processo de deterioração — até hoje, são 611 mil casos e 8.157 mil mortes em uma população de 6,8 milhões de pessoas.

Em agosto do ano passado, essa trajetória catastrófica recebeu mais um capítulo trágico: uma explosão no porto de Beirute matou 218 pessoas, deixou milhares de feridos e provocou danos bilionários.

O resultado dessa trajetória foi dramático: o PIB libanês sofreu uma redução brusca, de US$ 55 bilhões, em 2018, para US$ 33 bilhões, em 2020, com expectativa de uma recessão de 9,5% em 2021, segundo estimativas do Banco Mundial. A moeda local, a libra, teve desvalorização de 90%, inviabilizando importações de itens básicos.

Em relatório divulgado em junho, a instituição aponta que a crise libanesa é uma das três piores desde meados do século XIX, afirmando que foi agravada pelo por um “debilitante vácuo institucional”. Segundo estimativas, três quartos da população se encontram em situação de pobreza.

Crise sem fim?
O anúncio do novo Gabinete, formado por tecnocratas aprovados pelas lideranças políticas, coloca fim a 13 meses sem um governo funcional desde a queda do então premier Hassan Diab, depois da explosão no porto de Beirute. Essa era uma das condições apresentadas por parceiros internacionais, como a França, e pelo Fundo Monetário Internacional para a negociação de um pacote de ajuda externa.

No discurso, Mikati defendeu que as divisões políticas sejam colocadas de lado para que o país consiga ver alguma possibilidade para sair da atual crise, que também provoca falta de combustíveis e constantes e longos apagões. Ele ainda se comprometeu a buscar o apoio de países árabes, inclusive de nações que vinham se afastando de Beirute por causa da presença do Hezbollah no governo — o braço armado do grupo xiita é aliado do Irã e atua militarmente em cenários de conflito na região, como na Síria.

Pelo modelo político adotado no Líbano desde o final da guerra civil, o cargo de primeiro-ministro é sempre ocupado por um muçulmano sunita, enquanto a Presidência cabe a um cristão maronita e o comando do Legislativo a um muçulmano xiita — um acerto que normalmente torna os processos decisórios complicados na nação árabe.

Apesar das expectativas em torno de Mikati, analistas se mostram céticos quando questionados sobre se o novo governo terá sucesso. Até agora não há sinais de que o Gabinete conseguirá levar adiante o plano de reformas, exigido pelos doadores internacionais, e a influência do Hezbollah pode bloquear ajuda de países como a Arábia Saudita — o grupo comanda duas das 24 pastas.

O tempo para levar adiante tais tarefas também será curto: eleições gerais estão marcadas para o dia 8 de maio do ano que vem, e Mikati se comprometeu a manter o calendário eleitoral, mesmo correndo o risco de ver a campanha interferir em suas ações de governo.

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