Lava Jato atrai atenção inédita no exterior

Lava Jato atrai atenção inédita no exterior

Trinta e um países de quatro continentes submetem solicitações de informações ou de medidas judiciais ligadas ao caso Operações ilícitas de empreiteiras brasileiras contaram com bancos e empresas offshores em várias localidades

Trinta e um países de quatro continentes submetem solicitações de informações ou de medidas judiciais ligadas ao caso Operações ilícitas de empreiteiras brasileiras contaram com bancos e empresas offshores em várias localidades

Com 31 países autores de pedidos de informações ou de adoção de medidas judiciais, a Operação Lava Jato é o caso que mais gerou interesse oficial de autoridades estrangeiras na história das investigações brasileiras. A operação chamou a atenção no exterior pois empreiteiras brasileiras, em especial a Odebrecht, usaram estruturas de geração e repasse de dinheiro ilícito com muitas empresas offshore e bancos de vários países, e porque contratos da Petrobras com fornecedoras estrangeiras estão sob investigação.

A estrutura financeira ilícita da Odebrecht para pagar propinas tinha em geral quatro níveis de offshores e contas bancárias fora do Brasil, segundo executivos que atuaram na divisão da empresa especializada no repasse de suborno, intitulado internamente setor de operações estruturadas.

Segundo a Secretaria de Cooperação Internacional (SCI) do Ministério Público Federal, as autoridades de 31 países enviaram ao todo 139 pedidos de cooperação à Lava Jato, número recorde para um só caso. Já a força-tarefa da operação fez 201 requerimentos a autoridades de 41 países.

Do total de países solicitantes de cooperação, nove da América Latina e dois da África foram indicados por delatores da Odebrecht como locais onde a empreiteira pagou propinas a agentes públicos, segundo acordo fechado com o Departamento de Justiça dos EUA e autoridades suíças, em dezembro de 2016.

A empreiteira revelou subornos que somaram US$ 788 milhões (o equivalente a R$ 2,6 bilhões) nesses territórios. Além do Brasil, o acordo sinaliza o repasse de propinas a autoridades de Angola, da Argentina, da Colômbia, da República Dominicana, do Equador, da Guatemala, do México, de Moçambique, do Panamá, do Peru e da Venezuela.

Nesse grupo, o Peru destacou-se por ter investigações com ordens de prisão contra dois ex-presidentes, Alejandro Toledo, que está foragido nos EUA, e Ollanta Humala, já detido. Agora o atual presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, também é alvo de questionamentos, após a imprensa local ter informado que o empresário Marcelo Odebrecht relatou a procuradores peruanos que a empresa contratou Kuczynski como consultor na década passada, após ele deixar um cargo no governo de Toledo.

No Equador, o vice-presidente da República, Jorge Glas, está preso sob suspeita de ter recebido suborno da companhia brasileira. As autoridades argentinas também conduzem investigações sobre obras da Odebrecht. Para as próximas semanas, estão agendados depoimentos judiciais de investigados pela suposta ligação com negócios ilícitos da firma. Já em Angola e Moçambique a imprensa relata que há omissão das autoridades em relação aos subornos indicados pela empreiteira. EUROPA

São 12 os países europeus que encaminharam pedidos à Lava Jato, a maioria em razão do uso de instituições financeiras locais pelas empreiteiras brasileiras. Nesse grupo estão autoridades de Andorra, Dinamarca, Espanha, França, Holanda, Itália, Liechtenstein, Noruega, Portugal, Reino Unido, Suécia e Suíça.

No setor de propinas da Odebrecht, o executivo Luiz Eduardo da Rocha Soares tinha a tarefa de procurar bancos no exterior e criar novas estruturas com empresas fictícias para o programa de pagamentos paralelos. Em seus testemunhos de colaboração premiada, Soares citou o uso de sete bancos situados em Andorra, Suíça, Áustria, Malta e na Ilha da Madeira (território de Portugal).

O delator também contou que a maior parte do dinheiro usado para abastecer o esquema foi gerada por meio de operações e contratos fraudulentos feitos fora do Brasil, principalmente na Venezuela, no Panamá, na República Dominicana e em Angola. Procurada pela Folha, a Odebrecht afirmou que `a qualidade e a eficácia da colaboração da Odebrecht vêm sendo confirmadas dia a dia, e têm sido instrumento valioso para a ação da Justiça brasileira e dos países em que a empresa atua`.

Esta reportagem contou com informações de integrantes do projeto internacional de jornalismo colaborativo Investiga Lava Jato, do qual participam 21 profissionais de 11 países da América Latina e da África. O grupo tem a coordenação de profissionais da Folha e do portal Convoca, do Peru. (Colaboraram ADÉRITO CALDEIRA, CHRISTIAN ZURI- TA, EMILIA DELFINO E ÓSCAR LIBÓN)

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