Lasso inicia bem governo no Equador, mas o mais difícil ainda está por vir

Lasso inicia bem governo no Equador, mas o mais difícil ainda está por vir

Presidente cumpre promessa de vacinar metade da população nos primeiros cem dias de governo. Mas agora ele terá de negociar reformas como o Congresso, onde não tem maioria

Quando o presidente do Equador, Guillermo Lasso, prometeu que 9 milhões de pessoas, metade da população do país, seriam vacinadas nos primeiros 100 dias de seu governo, parecia uma promessa populista que logo seria quebrada. No dia em que ele assumiu, 24 de maio, o país tinha aplicado só 2 milhões de doses e vacinado totalmente 3% de sua população, uma das piores taxas da região.

Três meses depois, Lasso cumpriu sua palavra. O país já aplicou 20 milhões de doses e vacinou totalmente mais de 9 milhões de pessoas (52% da população), segundo a Universidade Johns Hopkins. O Equador passou de uma das piores taxas de vacinação da América Latina para a terceira maior, atrás só de Chile e Uruguai e à frente dos países mais populosos da região.

“É uma grande conquista e se deve a uma combinação de fatores”, diz Sebastián Hurtado, presidente da consultoria local de risco político Prófitas. “Em primeiro lugar, a diplomacia das vacinas. Lasso recorreu a todos, chineses, russos e companhias farmacêuticas ocidentais, independentemente de ideologias. Em segundo lugar, ele nomeou um ministro da Saúde muito competente. Terceiro, ele envolveu o setor privado para ajudar na logística, com o fornecimento de locais de vacinação e equipamentos para médicos.”

O programa de vacinação não é a única conquista de Lasso. Na semana passada seu governo disse que concluiu uma revisão de um programa de empréstimos com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Admitindo que o plano será aprovado pelo conselho do FMI, o Equador receberá US$ 1,5 bilhão em empréstimos neste ano e outro US$ 1 bilhão em 2022, à medira que tenta estabilizar suas finanças.

Sob Lasso, o Equador voltou ainda ao Centro Internacional para Resolução de Disputas sobre Investimentos (ICSID) do Banco Mundial, depois de uma ausência de 12 anos, uma iniciativa que deverá encorajas o investimento externo.

Em agosto o presidente viajou para o México, para discutir um acordo de livre comércio, um requisito se o Equador quiser entrar para o bloco comercial da Aliança do Pacífico, que atualmente inclui seus dois vizinhos mais próximos, Colômbia e Peru, além do Chile e do México.

Analistas afirmam que Lasso demonstrou disposição de deixar a ideologia de lado para se sentar com o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, um esquerdista om quem ele tem pouco em comum. “Ele está governando sem dogmas. Tem demonstrado disposição em ouvir e formar consenso”, diz Gabriela Larreátegui, ex-congressista equatoriana.

É um começo e tanto para um homem que não esperava vencer as eleições de abril. Após fracassar em suas duas tentativas anteriores de chegar à Presidência, ele passou para o segundo turno da eleição neste ano por uma pequena margem, para depois conseguir uma grande reviravolta.

Lasso está sendo recompensado nas pesquisas de opinião, que lhe deram uma taxa de aprovação entre 64% e 74%. No entanto, alguns sugerem que sua popularidade atingiu o pico em julho, possivelmente um presságio de que dias mais difíceis estão por vir. Suas realizações até agora não exigiram aprovação do Congresso, mas nos próximos meses o governo quer aprovar projetos de reforma fiscal e trabalhista. É aí que Lasso terá mais dificuldade

Há cinco grandes partidos ocupando as 137 cadeiras do Congresso equatoriano, sendo que o menor deles é o Movimiento Creando Oportunidades (Creo), de Lasso, com apenas 12 cadeiras. Ele pode contar com cerca de uma dúzia de independentes, mas ainda está longe de ter maioria numa câmara dominada por partidos de esquerda e pelo partido indígena Pachakutik. O presidente vem tentando formar alianças com outros partidos, mas com sucesso limitado.

“A lua-de-mel de Lasso acabou”, diz Johanna Andrango, cientista política de Quito. “Sua primeira vitória foram os 9 milhões de vacinados em cem dias, mas as pessoas agora se perguntam o que ele fará em seguida para resolver os problemas econômicos e a criminalidade, e sem dúvida nenhuma seu maior obstáculo é o Congresso.”

O presidente diz que suas reformas são essenciais para reanimar uma economia que encolheu quase 8% no ano passado. A dívida saltou para cerca de 65% do PIB, e o déficit fiscal aumentou. Por ser a única economia formalmente dolarizada da América do Sul, o Equador é limitado no que pode fazer para corrigir suas contas.

Se o Congresso se recusar a aprovar as reformas de Lasso, ele deve tentar contornar o legislativo, submetendo-as a um referendo.

O Equador tem um histórico disso. Os dois antecessores de Lasso, Rafael Correa e Lenín Moreno, convocaram plebiscitos, aproveitando a popularidade inicial para forçar reformas. “Se as leis não forem aprovadas na Assembleia Nacional [Congresso], vamos consultar o povo diretamente”, disse Lasso nesta semana, a uma TV.

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