JBS é acusada de ‘lavagem de gado’ vinculado ao desmatamento

JBS é acusada de ‘lavagem de gado’ vinculado ao desmatamento

19:35 - O grupo JBS, multinacional número um do mundo no comércio de carne bovina, teria lucrado com gado vinculado ao desmatamento da Amazônia a partir da prática conhecida como “triangulação de gado”, segundo investigação publicada nesta segunda-feira (27) por um consórcio de imprensa.

AFP - As fotos divulgadas no Facebook mostram um comboio de transporte de gado de uma fazenda para outra, em julho de 2019, conduzido por motoristas que usavam camisetas com a logomarca da JBS, segundo o consórcio formado pelo britânico The Guardian, a ONG brasileira Repórter Brasil, o Disclose e o The Bureau of Investigative Journalism.

O local de onde o gado saiu, Estrela do Aripuana, no estado do Mato Grosso, é objeto de um embargo do Ministério do Meio Ambiente desde 2012 pelo desmatamento ilegal de quase 1.500 hectares.

Isso teoricamente impediria a criação de gado nessas terras, e o proprietário foi multado em R$ 2,2 milhões na época.

Porém, os animais foram transportados para outra fazenda, a Estrela do Sangue, a 300km de distância, essa sem multas ambientais e, portanto, autorizada a criar e vender o gado, em prática convencionada como “triangulação de gado”.

A evidência em relação à empresa é apresentada em uma postagem feita no Facebook por um motorista da JBS, que comenta sobre o transporte de gado entre as duas fazendas, mencionando os respectivos nomes das propriedades.

Outra foto do mesmo post mostra um caminhão da JBS em frente a uma placa onde pode-se ler “Fazenda Estrela do Aripuana, 15km”.

As informações também foram confirmadas por imagens de satélite.

Entre junho de 2018 e agosto de 2019, segundo o consórcio, dados oficiais registraram que ao menos 7.000 animais foram transportados à fazenda autorizada para a criação.

Outros documentos revelam que essa fazenda enviou aproximadamente 7.000 animais para os matadouros da JBS entre novembro de 2018 e novembro de 2019.

A JBS afirmou em comunicado enviado à AFP que não compra gado “de fazendas envolvidas em irregularidades” e adota “uma abordagem inequívoca de desmatamento zero”, investindo em novas tecnologias para combater o “desmatamento na região da Amazônia” e a “lavagem de gado”, que seria o “uso ilegal de fazendas de terceiros para fornecer gado às unidades de processamento”.

“As informações mencionadas pela reportagem sobre o transporte de gado entre fazendas/clientes não refletem os padrões operacionais da empresa, que iniciou uma avaliação” sobre o assunto, acrescentou o comunicado.

Segundo um estudo publicado há dez dias pela revista científica americana Science, 17% da carne exportada da Amazônia e do Cerrado para a União Europeia podem estar ligadas ao desmatamento ilegal.

Este estudo também cita o problema dos “fornecedores indiretos”, relacionados à triangulação do gado, quando esses são “transferidos para uma propriedade antes do abate”.

Essas revelações surgem em um contexto de crescentes objeções europeias à aprovação oficial do acordo de livre comércio assinado entre a União Europeia e o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai).

A relutância se deve ao desmatamento da Amazônia e à política ambiental do presidente Jair Bolsonaro, que defende a abertura de reservas naturais e territórios indígenas às práticas de mineração e agropecuária.

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