Itamaraty endossa proposta do México de lutar no G20 contra censura a Trump nas redes

Itamaraty endossa proposta do México de lutar no G20 contra censura a Trump nas redes

'Ficamos de trabalhar juntos no G20 pela liberdade de expressão na Internet', diz Ernesto após conversa com chanceler mexicano

O governo brasileiro endossou uma inciativa do México para protestar, no âmbito do G20, contra a decisão de redes sociais de bloquear contas ligadas a Donald Trump, ex-presidente dos EUA.

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, tratou do tema em chamada telefônica com o chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, na terça-feira (2).

"Na ótima conversa com o chanceler Marcelo Ebrard do México ficamos de trabalhar juntos no G20 pela liberdade de expressão na Internet —​uma prioridade do Brasil desde o início do governo e mais ainda agora ante o risco de que as redes se tornem instrumento de controle social", escreveu Ernesto no Twitter, após a conversa.

A conta oficial do Itamaraty na plataforma destacou, por sua vez, que Ernesto e Ebrard "convergiram na urgência de trabalhar no G20 e outros foros em favor da liberdade de expressão nas redes".

Apesar de as publicações não citarem o ex-mandatário americano, o debate ganhou força tanto no Brasil como no México após plataformas digitais —entre elas Twitter e Facebook— excluírem perfis ligados a Trump.

Além do mais, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, lançou a iniciativa no G20 como uma resposta direta ao bloqueio das empresas contra o republicano.

As redes sociais tomaram a decisão depois que o americano instigou manifestantes a invadirem o Congresso dos EUA em 6 de janeiro, durante uma sessão de certificação da vitória do democrata Joe Biden.

O episódio teve cenas de violência e terminou com cinco mortes. Os atos são tratados por integrantes do Partido Democrata como uma tentativa de golpe de Estado.

López Obrador foi um dos principais críticos da decisão de redes de limitar as publicações de Trump. Ele disse que as empresas não podem "suspender a liberdade de expressão" e comparou a ação das plataformas à Inquisição.

"Adianto que na primeira reunião que tenhamos do G20 vou a levantar essa questão. As redes sociais não devem ser utilizadas para incitar a violência, mas isso não pode ser motivo para suspender a liberdade de expressão. Não deve ser utilizado como desculpa, é preciso garantir a liberdade, não a censura", disse o mexicano em janeiro.

López Obrador é um líder de esquerda, mas tinha boa relação com o ex-presidente dos EUA.

Durante a campanha presidencial naquele país, realizou uma visita a Washington para se reunir com Trump, numa agenda vista por críticos como tentativa do americano de melhorar sua imagem junto ao eleitorado de origem mexicana.

O presidente do México também foi um dos últimos líderes internacionais a parabenizar Biden por sua vitória, em gesto compartilhado por Jair Bolsonaro (sem partido).

Interlocutores consultados pela Folha afirmam que ainda não há informações adicionais sobre como a atuação México-Brasil contra a decisão das redes sociais ocorreria no G20.

O fórum costuma centrar suas declarações em temas econômicos, uma vez que é difícil chegar a consensos na área política. Isso porque o G20 reúne uma gama de governos que vai desde democracias ocidentais como Estados Unidos e Alemanha até os regimes autoritários de China e Arábia Saudita.

Membros da administração Bolsonaro também destacam que o assunto ainda não entrou na pauta das reuniões preparatórias do G20. A cúpula está prevista para o fim de outubro, em Roma.

O banimento de Trump das plataformas digitais mobilizou a ala ideológica do governo, que protestou contra a decisão.

No dia em que o Twitter anunciou a medida, Ernesto publicou em sua conta um trecho da Declaração Universal dos Direitos Humanos sobre liberdade de opinião e expressão.

Assessor internacional de Bolsonaro, Filipe Martins também criticou a ação.

"Donald Trump permanentemente banido do Twitter. No tribunal das grandes corporações não há critérios claros, respeito às leis locais ou garantia de devido processo legal. Se eles fazem isso com o presidente dos EUA, o que não farão contra cidadãos comuns e sem recursos de defesa?", escreveu.

A ação das redes foi questionada até mesmo por críticos de Trump.

A chanceler alemã, Angela Merkel, por exemplo, manifestou preocupação com a decisão do Twitter e disse que ela era "problemática". Um porta-voz da líder alemã ressaltou que o direito à liberdade de opinião é de "importância fundamental".

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