Itamaraty elogia plano de Trump para o Oriente Médio: ‘Contempla aspirações de palestinos e de israelenses’

Itamaraty elogia plano de Trump para o Oriente Médio: ‘Contempla aspirações de palestinos e de israelenses’

29/01 - 17:19 - Governo brasileiro exalta plano que recebeu críticas por ser fortemente pró-Israel; embaixador palestino pede audiência sobre o assunto

O governo brasileiro publicou uma nota nesta quarta-feira em que manifesta apoio ao plano de paz para o Oriente Médio que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou ao lado do premier de Israel, Benjamin Netanyahu, na terça. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o plano que recebeu críticas por ser fortemente pró-Israel, “configura uma visão promissora” de "paz e prosperidade", “após mais de sete décadas de esforços infrutíferos”.
Segundo o Itamaraty, “a visão ali detalhada contempla aspirações tanto de palestinos quanto de israelenses" e “visa a convivência pacífica e viável, tanto do ponto de vista de segurança quanto territorial e econômico, do Estado de Israel e de um Estado palestino", constituindo "um documento realista e ao mesmo tempo ambicioso”. 
Em vista disso, “trata-se de iniciativa valiosa que, com a boa-vontade de todos os envolvidos, permite vislumbrar a esperança de uma paz sólida para israelenses e palestinos, árabes e judeus, e para toda a região”.
O plano, favorável aos pleitos israelenses, reduz substancialmente o território de um futuro Estado palestino em relação à Linha Verde, a fronteira anterior à Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando Israel ocupou a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. O plano também não prevê a desocupação de nenhum assentamento israelense, e faz de Jerusalém a “capital indivisível” de Israel.
Tal como proposto, o plano de Trump se distancia substancialmente de todos os que foram negociados pelos presidentes americanos antes dele desde os anos 1990, quandos os Acordos de Oslo, nunca integralmente implementados, abriram caminho para o que seria a criação de um Estado palestino. As negociações estão paradas desde 2014.
Apesar do viés pró-Israel da proposta, que foi rejeitada pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, o Itamaraty afirma que o plano "se afigura compatível com os princípios constitucionais que regem a atuação externa do Brasil, notadamente a defesa da paz, o repúdio ao terrorismo e a autodeterminação dos povos. Desse modo, o Brasil estará pronto a contribuir com o processo de construção da paz, das maneiras que se afigurarem mais adequadas".
Veja também:Israel indica que poderá anexar unilateralmente assentamentos na Cisjordânia
O embaixador da Autoridade Nacional Palestina em Brasília, Ibrahim Alzeden, disse ao GLOBO que, na tarde desta quarta-feira, solicitou uma audiência com o presidente Jair Bolsonaro para explicar o ponto de vista palestino. Ele também expressou "confiança na liderança brasileira que sempre se manteve como mediador nesse conflito, com bom senso e respeito ao direito internacional".
— Respeitamos o Brasil, e apreciamos quando, no fim deste comunicado, o Brasil se diz pronto para ajudar a construir um processo de paz. Esperamos que isso se mantenha, porque não consideramos este como um plano de paz e prosperidade. Esta é uma visão de Trump para agradar a Israel  — afirmou. — O comunicado fala em autodeterminação, mas o plano é contraditório com este princípio. Nenhum palestino foi consultado, o plano é uma imposição.
Alzeden disse também que o plano é "uma ofensa à comunidade internacional e às suas leis".
— É como se alguém viesse dizer como deve ser a Amazônia, o que seria uma falta de respeito à soberania brasileira, à independência e autdeterminação do país — acrescentou.
Mudança de posição
Desde que Jair Bolsonaro assumiu a Presidência, o Brasil mudou significativamente sua política externa no Oriente Médio, seguindo posições agressivas do governo Trump em defesa de Israel e afastando-se de sua histórica adesão a resoluções da ONU sobre o tema.
O governo afirma manter o plano de transferir sua embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, o que contraria a lei internacional, e também votou contra uma investigação independente sobre a repressão israelense a civis na fronteira da Faixa de Gaza.
Análise:Mundo árabe dá resposta tímida a plano de Trump para o Oriente Médio
Um dos motivos para o viés pró-Israel do governo brasileiro é o apoio de evangélicos, uma das bases de apoio de Bolsonaro, ao Estado israelense, por motivos relacionados ao cumprimento de supostas profecias bíblicas do retorno de Cristo e do Apocalipse.
 

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino