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Investimento chinês cresce neste ano e deve acelerar nos próximos

Investimento chinês cresce neste ano e deve acelerar nos próximos

Relações externas Retomada da infraestrutura tende impulsionar ingresso de recursos, apontam analistas

Os investimentos chineses no Brasil devem terminar o ano com avanço em relação a 2018 e as perspectivas são de crescimento ainda maior para os próximos anos. A retomada do programa de privatizações e concessões a partir de 2020, aliada à esperada melhora no ritmo de recuperação econômica, deve garantir a participação dos chineses não somente em grandes projetos de infraestrutura como também viabilizar diversificação e investimentos em projetos novos (`greenfield`, segundo representantes do governo, de empresas e analistas. Como pano de fundo, há a percepção de esforço do governo dos dois países para superar divergências políticas.

Segundo dados da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligada ao Ministério da Economia, os investimentos chineses no Brasil somaram até setembro US$ 1,87 bilhão neste ano, praticamente empatado com os USS 1,8 bilhão em igual período do ano passado.

Segundo Renato Baumann, subsecretário para investimentos estrangeiros da secretariaexecutiva da Camex, o último trimestre deverá somar aos números parciais valores importantes. Entre eles, o subsecretário ressalta o investimento a ser feito pelo consórcio formado pelos grupos chineses CCCC e CR20 para a construção da ponte Salvador- Itaparica. Sem concorrentes, o consórcio venceu o leilão no último dia 13. O investimento total previsto é de R$ 5,3 bilhões, mas o governo estadual da Ba hia contribuirá com aporte de RS 1,5 bilhão. Com as operações do último trimestre, os investimentos devem superar os US$3,5 bilhões de investimentos totais do Brasil em 2018, diz ele.

Os dados da Camex se referem a investimentos confirmados, considerados como os anúncios de aportes direcionados a empreendimentos e projetos no Brasil, cuja informação seja passível de confirmação por mais de uma fonte de dados. Os valores contemplam não só fusões e aquisições, nos quais o investidor investe em um negócio já existente, como também o chamado `greenfield`, no qual o investidor constrói uma estrutura para uma nova operação.

Leonardo DelfOso, sócio da PvvC Brasil, diz que os dados da empresa de cônsul toria e auditoria mostram também crescimento no

te, volume de operações de fusões e aquisições. `Neste ano até novembro tivemos dez operações em inse vestimentos chineses até o início de novembro. Devemos chegar a Í2 até o fim do ano. Em 2018 foram sete ao todo.` A expectativa é de que haja expansão em 2020.

A consultoria britânica Dealogic, que contabiliza também operações de fusões e aquisições, mostra que os investimentos chineses cresceram de USS 195,5 milhões em 2018 para USS 784,5 milhões neste ano, com dados atualizados até o início de dezembro.

Num critério mais amplo, os dados divulgados pelos centros de estudos The Heritage Founde dation e American Enterprise lnstitute, ambos dos Estados Unidos, mostram que os investimentos chineses no Brasil, incluindo o setor de construção, subiram de US$ 1,51 bilhão para USS 1,68 bilhão do primeiro semestre de 2018 para igual período deste ano.

Túlio Cariello, coordenador de análise do Conselho Empresarial Brasil China (CEBC), diz que ainda é cedo para afirmar o montante, mas, segundo ele, `possivelmente houve um aumento no valor dos investimentos em 2019, se comparados a 2018`. Para Cariello, isso deve acontecer sobretudo por conta de grandes projetos em estudo por empresas chinesas no Brasil. Empresas com presença já consolidada no país, diz o coordenador, anunciaram que seguiriam ampliando seus investimentos por aqui.

Além da vitória do consórcio da CCCC e da CR20 no leilão da PPP estadual da ponte Salvador-Itaparica, Cariello destaca que a BYD indicou interesse em comprar a fábrica da Forcl em São Bernardo do Campo (SP). Houve ainda anúncio de parceria de CNOOC e CNODC Petroleum com a Petrobras 110 leilão do pré-sal. O governo de São Paulo, lembra Cariello, anunciou que a PowerChina deve participar das obras da Linha 2-Verde do metrô paulistano.

`Ou seja, é bastante claro que o interesse de empresas chinesas em investir no Brasil se manteve em 2019, sobretudo em um momento em que houve uma série de leilões e projetos de privatização`, diz Cariello. Empresas chinesas das áreas de infraestrutura e energia apresentaram projetos volumosos em termos de valor. É perceptível que há grande interesse chinês em continuar a investir nessas áreas.`

Apesar do esperado crescimento para este ano, o valor está distante dos registrados em 2017. Segundo dados da Camex, em 2018 os investimentos chineses confirmados somaram praticamente USS 15 bilhões. Baumann pondera que em 2017 houve leilões importantes com participação intensa da China. Foram operações que concentraram valores altos. Um dos maiores do período foi o investimento da State Grid na CPU Energia, que ultrapassou USS 12 bilhões de 2016 a 2017.

Em 2018 o processo de privatizações e concessões do governo federal ficou paralisado e a expectativa é de que isso seja retomado com mais intensidade no primeiro semestre de 2020, no âmbito do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), em áreas de infraestrutura de grande interesse dos chineses, como ferrovias e hidrelétricas, aeroportos e portos, entre outros, diz Baumann.

Para ele, estão superadas as apreensões anteriores em relação às declarações do presidente Jair Bolsonaro, em 2018, quando ainda era candidato às eleições. Ele cita a reativação da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban) e a viagem de Bolsonaro à China, seguida da visita do presidente Xi Jinping ao Brasil como sinalização nesse sentido.

Dell´Oso, da PwC Brasil, avalia que a superação de divergências é algo que vem sendo buscado. Ele lembra que há o efeito polarizador do atual conflito entre Estados Unidos e China, Nesse cenário, houve, diz ele, um distanciamento mais recente do Brasil em relação aos EUA em razão das declarações do presidente americano Donald Trump sobre a desvalorização cambial pelo Brasil. `A diplomacia brasileira tem deixado a questão ideológica de lado para centrar-se mais na questão mais comercial e técnica.`

A retomada da economia brasileira veio de forma mais lenta que a esperada, mas as proj eções de expansão da economia em tomo de 2,7% em 2020 num momento em que a economia global deve se desacelerar traz perspectivas positivas para o Brasil, diz Dell´Oso. Isso, avalia, traz o investidor estrangeiro como um todo, inclusive o chinês que, além dos grandes projetos de infraestrutura, também passa a mostrar interesse por maior diversificação na destinação de recursos, movimento favorecido pela expectativa de um cenário com maior geração de emprego, renda e elevação do consumo.

Baumann diz que os grandes projetos de infraestrutura devem continuar senclo relevantes nos investimentos chineses, mas o crescimento econômico favorece a diversificação. De acordo com ciados da Camex, os investimentos com recursos origem China em 2019 foram divididos principalmente em eletricidade USS 785,6 milhõese em indústria USS 1,08 bilhão. Na área industrial, um investimento destacado pela Camex foi a confirmação da empresa de tecnologia Huawei, em agosto, de aporte financeiro de US$ 800 milhões no Estado de São Paulo.

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