Invasão forçou Itamaraty a negociar com chavista

Invasão forçou Itamaraty a negociar com chavista

Com a ação de seguidores de Guaidó, diplomata da Venezuela conseguiu 1° contato com governo Bolsonaro

A invasão da Embaixada da Venezuela no Brasil por apoiadores do líder opositor Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino do país, levou os diplomatas a serviço do governo de Nicolás Maduro a acionarem outros embaixadores que atuam em Brasília, numa tentativa de pressionar o Itamaraty a entrar na história. O encarregado de negócios, Freddy Meregote, disparou ligações no início da manhã de quarta-feira, diante daententrada de 20 apoiadores de Guaidó durante a madrugada.

Às 10h, um representante do Itamaraty, Maurício Correia, coordenador-geral de Privilégios e Imunidades, apareceu na embaixada. Era aprimeiravez, em 10 meses e 13 dias de governo de Jair Bolsonaro, que a diplomacia brasileira fazia um contato com a diplomacia oficial venezuelana, segundo os funcionários de Maduro.

Meregote não disse quais foram os embaixadores acionados por ele. O resultado da pressão foi a presençainédita no governo Bolsonaro, segundo o encarregado de um funcionário do Itamaraty na Embaixada da Venezuela, onde trabalham seis diplomatas e três adidos militares. A Correia, o encarregado afirmou que o limbo em que foram postos não condiz com tratados internacionais, em especial a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, que garante segurança e inviolabilidade às representações diplomáticas.

O chefe da missão venezuelana, alinhado a Maduro, disse ao funcionário do Itamaraty que o governo Bolsonaro deveria se decidir: ou os expulsa por considerá-los `persona non grata` ou dispensa um tratamento condizente com as normas internacionais. A expulsão dos venezuelanos implicaria reciprocidade, com a expulsão dos diplomatas brasileiros que estão atualmente na Venezuela.

Segundo diplomatas venezuelanos, Correia não apresentou nenhuma solução nem condenou as atitudes de um lado ou de outro. Ele repetia que aguardava uma posição do Itamaraty que nunca chegou. A invasão durou mais de 14 horas, causando constrangimento no primeiro dia de reunião de Bolsonaro com os demais líderes do Brics.

PORTA DOS FUNDOS. A primeira posição oficial do governo brasileiro veio por uma nota do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), ainda pela manhã. A nota condenou a invasão e negou qualquer participação do governo no episódio, apesar dos tuítes do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL- SP) em favor da ação. Os diplomatas de Maduro abriram as portas para parlamentares de esquerda: Paulo Pimenta (PT-RS), Sâmia Bonfim (PSOL-SP) e Glauber Braga (PSOL-RJ), cuja presença foi entendida como um `gesto de solidariedade`.

A missão venezuelana está sem embaixador desde o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. Mas isso não significou o rompimento das relações bilaterais. O encarregado de negócios mantinha interlocução com o Itamaraty sob Michel Temer.

A invasão foi por volta das 4h de quarta. Segundo diplomatas que atuam na embaixada, parte dos apoiadores, todos de calça preta e camiseta branca, pulou o muro de trás do prédio e se dirigiu até o portão da entrada. O porteiro, conforme o relato, foi obrigado a abrir o portão. Três carros entraram.

O clima inicial foi de animosidade , com bate-boca e tentativas de expulsão dos invasores. Seguiu-se um longo hiato de pouca comunicação entre os dois lados. Seis dos 20 apoiadores de Guaidó acabaram expulsos ou indo embora. A maioria que permaneceu ficou fora do prédio administrativo.

Um acordo só foi possível 14 horas depois. Ficou acertado com a polícia que os invasores deixariam a embaixada pela portados fundos, escoltados, para que não houvesse agressão pelos militantes de esquerda na entrada do prédio. Os diplomatas não tiveram acesso à identificação dos invasores. Eles desconfiam que parte deles não é nem venezuelana nem brasileira.

- O Estado receptor tem de garantir nossa segurança. A Convenção de Viena e outros tratados internacionais foram violados disse Meregote

O GLOBO questionou o Itamaraty sobre sua atuação no episódio, mas não houve resposta até ontem à noite.

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