Iniciativa inédita une 22 governadores em carta para Biden com ênfase em mudança climática

Iniciativa inédita une 22 governadores em carta para Biden com ênfase em mudança climática

Em iniciativa inédita no Brasil, 22 governadores assinam uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em que demonstram comprometimento com o enfrentamento da crise climática

O texto preliminar diz que uma parceria entre o Brasil, país com a maior base florestal da Terra, e os Estados Unidos, com a maior capacidade de investimento do mundo, pode impulsionar um modelo de economia sustentável para enfrentar o aquecimento global e reduzir a pobreza.

O protagonismo dos governadores – que pode reunir os 26 Estados e o Distrito Federal – acontece em um momento em que o governo Jair Bolsonaro tenta negociar com o governo Biden um acordo para proteger a Amazônia. Com a iniciativa, os Estados também se posicionam.

Até este domingo faltavam as assinaturas dos governos de Rondônia, Roraima, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e do Distrito Federal. Os signatários dizem que representam mais de 90% do território, da população e do PIB brasileiro.

O texto preliminar que circula pelos governadores foi construído por especialistas do Centro Brasil no Clima (CBC) com a participação de outras entidades da sociedade civil e cientistas que colaboram com a aliança Governadores pelo Clima. “Juntos podemos constituir com agilidade a maior economia de descarbonização do planeta”, diz a carta.

O movimento do grupo busca se qualificar para os investimentos de US$ 20 bilhões, em recursos públicos e privados, dos EUA e de outros países, que o presidente Biden prometeu mobilizar durante a campanha para os países da bacia amazônica.

Para cumprir o Acordo de Paris, e limitar o aumento da temperatura a 1,5°C até o fim do século, o mundo terá que reflorestar uma área do tamanho dos Estados Unidos, diz a carta, que está sendo finalizada. O Brasil pode participar deste esforço não apenas contendo o desmatamento na Amazônia e reflorestando, mas recuperando “biomas de grande captura de carbono, inestimável biodiversidade e relevância econômica” como o Cerrado, a Mata Atlântica, a Caatinga, o Pampa e o Pantanal.

Este é um dos diferenciais importantes da iniciativa, além do ineditismo de unir tantos governadores de diversos partidos políticos. “Integra o Brasil inteiro”, resume Sérgio Xavier, articulador da iniciativa Governadores pelo Clima no CBC. Só o Pantanal, por exemplo, perdeu mais de 4 milhões de hectares com os dramáticos incêndios de 2020.

O governador Renato Casagrande (PSB), cofundador do movimento Governadores pelo Clima está coordenando a interação com seus pares. Em março, quando a iniciativa foi revelada pelo Valor, lembrou que os líderes estaduais têm responsabilidades no cumprimento do Acordo de Paris.

Casagrande disse que o uso de mecanismos já disponíveis nos Estados para aplicação segura dos recursos internacionais nos fundos estaduais, integração com iniciativas não governamentais e novos arranjos institucionais, em relação direta com os doadores e investidores, “diminui a burocracia”. Engenheiro florestal, o governador do Espírito Santo é dedicado ao tema e reconhecido perfil diplomático.

O texto diz que os governadores buscam parcerias para “impulsionar o equilíbrio climático, a redução de desigualdades, a regeneração ambiental, o desenvolvimento de cadeias econômicas verdes e o estímulo à adoção de tecnologias para reduzir as emissões de atividades econômicas tradicionais nas Américas”.

Os governadores dizem ainda buscar no esforço conjunto “a construção de um modelo civilizatório mais saudável e resiliente a pandemias”.

“Há dois desdobramentos importantes na carta”, diz Xavier. O primeiro é integrar todos os biomas e mostrar o pais com seu imenso potencial florestal. “O mundo precisa reflorestar, com velocidade, uma área gigantesca e nem todos os lugares têm potencial para isso”, diz Xavier.

O segundo ponto, ainda mais importante, é a conexão com a nova economia. “Hoje é preciso integrar a floresta em pé com reflorestamento e agregação de ciência, tecnologia e cadeias produtivas sustentáveis. “Há potencial para atrair trilhões de investimento privado para cadeias econômicas concretas, que podem criar uma bioindústria”.

Ele cita, por exemplo, a cadeia do açaí, que já gera bilhões de reais em recursos, mas é muito precária. De um lado, há muito risco nos jovens que sobem nas palmeiras sem segurança até a outra ponta, das batedeiras, que transformam a polpa. “Não se aproveita o resíduo, que é um problema em Macapá, por exemplo, e que poderia ser aproveitado em biocombustíveis”, diz Xavier.

“Nesta cadeia, por exemplo, poderia haver mais capacitação e tecnologia, uso de energia solar e iniciativas que agreguem valor ao produto, hoje vendido in natura. Há interesse de investidores para isso””, diz. “Com entidades como a CNI e o Senai seria possível capacitar, as comunidades ganhariam mais, surgiriam pequenas indústrias com mais tecnologia e gerando mais renda”, continua. “Isso garantiria à floretas chance de continuar em pé”.

“Unir todas estas pontas é o grande salto que precisa ser dado, para sairmos do diagnóstico e irmos à prática, criando novos modelos de negócios sustentáveis”, continua. “Os Estados têm poder de fazer estes planos, integrados e promover políticas públicas”.

“O Brasil se apresenta como um destino para este tipo de investidores, com novos modelos de negócios, reflorestamento e bioeconomia”, continua.

A carta será enviada até o dia 20 ao governo Biden. Será entregue a Todd Chapman, embaixador dos Estados Unidos no Brasil.

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