Indústria europeia teme avanço chinês e cobra acordo com Mercosul

Indústria europeia teme avanço chinês e cobra acordo com Mercosul

Em reação pouco vista nos últimos tempos, coalizão de associações pede ratificação rápida do projeto de livre-comércio

Uma coalizão de 13 importantes associações industriais da Europa conclamou os governos do bloco a uma ratificação rápida do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, numa reação pela primeira vez nos últimos tempos diante da resistência de alguns países, como a França.

Em comunicado conjunto, as associações dizem que é tempo de seguir adiante e destravar esse que é o maior e mais ambicioso tratado comercial negociado pelos dois blocos. Argumentam que o tratado com troca de preferências para suas empresas ajudará as dua regiões a se recuperar da atual crise econômica e sanitária.

Também alertam que um fiasco na ratificação do acordo deixaria a UE e o Mercosul “com menos instrumentos para construir confiança mútua e cooperar para enfrentar o maior desafio do nosso tempo”. Exemplificam que a não ratificação levará Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai a continuar ou mesmo a expandir seu comércio com outros parceiros com padrões ambientais e trabalhistas substancialmente mais baixos. A manifestação ilustra o temor de a Europa perder mais negócios em proveito da China na região.

Em meio a fortes pressões por inclusão de compromissos adicionais na área ambiental por parte do Mercosul, para proteger a floresta amazônica, a indústria europeia nota que o acordo traz compromissos firmes na área de sustentabilidade e que “o Brasil é um parceiro para cooperar no longo prazo, e não um país para isolar”.

A Comissão Europeia, braço executivo da UE, anunciou no começo do ano que elaboraria uma proposta para negociar compromissos adicionais ambientais com o Mercosul. Mas até agora não há sequer indicações de quando e se isso realmente será concretizado. Na prática, não há condições políticas para aprovação do acordo agora entre os Estados-membros e no Parlamento Europeu. A expectativa na Europa é que o tratado com o Mercosul não terá evolução antes da eleição presidencial de abril de 2022 na França.

Foi por isso que surpreendeu o comunicado conjunto da BusinessEurope, espécie de CNI europeia; CECE (representante da indústria de máquinas de construção); Cecimo (máquinasferramamentas); Clepa (fornecedores de autopeças); Cotance (indústrias de couro); Orgalim (indústrias de tecnologia); Eda (setor lácteo); ESF (setor de serviços); SpiritsEurope (industria de destilados); Euratex (têxteis e vestuário); EFC (industrias de calçados); Eurocommerce (varejo e atacado); e Tie (indústrias de brinquedos).

Na prática, as associações resolveram marcar o segundo aniversário do anúncio político do acordo, no mês de junho, indicando que os europeus estão perdendo tempo e negócios. Mencionam que o acordo ampliará as importações procedentes do Mercosul em 10,6% e, ao mesmo tempo, as exportações europeias para Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai poderão crescer 52%. A industria europeia poderá também poupar € 4 bilhões por ano com a redução de tarifas de importação no Mercosul sobre bens exportados pela Europa.

Insistem que o acordo tanto melhorará o comércio em bens e serviços, como protegerá direitos de propriedade intelectual e inclui “as mais avançadas provisões sobre desenvolvimento sustentável que fomentam a parceria, ajudam a mitigar a mudança climática e obrigam ambas as partes a implementar o Acordo de Paris de forma eficaz”.

Notam também que iniciativas legislativas unilaterais na UE, como uma sobre desmatamento e a revisão das regras existentes sobre o comércio de madeira, “reforçarão a cooperação e garantirão que as exportações para a UE não contribuirão para o atual desmatamento ou degradação do solo”.

Até agora, vozes contrárias ao acordo faziam mais ruídos. O que as associações mostram agora é que vão defender mais firmemente a aprovação e a implementação do compromisso birregional.

De seu lado, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) produziu cartilha procurando mostrar na sua visão como o Brasil está engajado e preparado para implementar tanto suas obrigações no acordo Mercosul-UE, “como também compromissos em acordos e tratados internacionais ambientais e trabalhistas”.

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