Importação já sente efeito de câmbio e crise no país

Importação já sente efeito de câmbio e crise no país

Comércio exterior Impacto da doença na China colabora para queda de 4,5%

Sob os efeitos iniciais da pandemia, a balança comercial de março prenuncia recuo de corrente de comércio puxado por queda nas importações em 2020, ao contrário do que se previa no início do ano, quando a expectativa geral era de recuperação, ainda que leve, dos desembarques.

A importação em março somou USS 14,52 bilhões, com queda de 4,5% na média diária contra igual mês de 2019. Para analistas, o recuo reflete não somente a desvalorização cambial como também o impacto inicial da covid- 19 na demanda doméstica. Para outros, a queda nas importações de março ainda é efeito do novo coronavírus no fluxo logístico e de abastecimento, principalmente de bens `made in China`,

A balança comercial registrou superávit de US$ 4,71 bilhões em março, com queda de 5,2% em relação a igual mês de 2019, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério da Economia. As exportações em março totalizaram USS 19,24 bilhões, com recuo de 4,7%, sempre pela média diária.

De janeiro a março, o superávit de USS 6,14 bilhões representa queda de 33,1 % sobre o mesmo período de 2019.0 resultado do período foi influenciado por comércio pouco dinâmico, agravado pela pandemia da covid-19, avalia em nota o subsecretário de Inteligência e Estatísticas cie Comércio Exterior, Herlon Brandão.

Para Rafael Cagnin, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o desempenho nas importações de março resultam tanto da depreciação cambial quanto dos efeitos da pandem ia na demanda do mestiça. Ele ressalta que as importações caíram no decorrer de março, semana a semana. Na primeira semana do mês houve ainda elevação de 19,5% nos desembarques em relação a igual período de 2019. Na segunda, a alta caiu para 0,12%. Na terceira, houve queda de 10,7% Na quarta, as importações despencaram 21,8%. Na quinta a redução foi de 10,2%. As comparações foram feitas pela média diária.

Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, destaca que apenas nas duas últimas semanas de março a queda das importações foi de 18,1%. Para ele, a redução é um indício de que as importações já refletem os efeitos da covid-19 na economia, embora o impacto ainda seja inicial.

Além da piora do cenário doméstico, com a paralisação de diversas atividades durante o mês de março, avalia Campos Neto, a contínua desvalorização do real começa a afetar mais claramente os números das contas externas. Esta tendência deve persistimos próximos meses, com as importações sendo restringidas por estes dois fatores: queda da atividade interna e real excessivamente fraco.

josé Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), avalia que a queda das importações em março refletem o câmbio, mas ainda não o efeito da covid- 19 no consumo doméstico. Para ele, a retração nas compras externas ainda se deve aos feitos da doença na China, que interrompeu o fluxo logístico.

Welber Barrai, sócio da Barrai M Jorge, também avalia que o efeito da covid-19 é mais visível por enquanto de forma mais pontual e também pelo impacto no abastecimento pela China. Ele destaca a importação de insumos básicos, cuja média diária cedeu 34% em março contra igual mês do ano passado.

Não há muita dúvida entre os analistas, porém, de que efeitos da doença na demanda doméstica deverão se refletir de forma mais clara a partir das importações de abril. Os desembarques continuarão a ser afetados não somente pelo efeito do isolamento social na demanda interna como também pelo impacto de perda de renda sobre o consumo.

Nas exportações há convergência maior entre os analistas. A queda de 4,7% registrada em março não deve ser revertida, já que a demanda internacional será afetada pela pandemia.

As perspectivas anteriores para os embarques em 2020 já não eram tão boas, lembra Castra. O acordo entre Estados Unidos e China e a crise argentina já davam perspectivas negativas. Agora a expectativa de queda foi intensificada pelo efeito do novo coronavírus nas economias do mundo inteiro.

Para abril, diz Castro, ainda se espera o efeito da queda de preço do petróleo nas exportações. E ainda que a exportação de produtos brasileiros sofra menos em termos de volume no decorrer do ano, já que são em sua maioria commodities que possuem menos elasticidade em relação à demanda, haverá ainda impacto de preços.

Considerando o contexto, diz Campos Neto, a Tendências revisou recentemente a projeção de balança para o ano, O superávit previsto passou de USS 38,1 bilhões para USS 45,0 bilhões, resultado de queda mais intensa para as importações em relação a cenário anterior. Pela projeção, as exportações devem cair 6,8% em relação a 2019, e as importações, 7%.

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