Ideologia explica proposta da Argentina ao FMI

Ideologia explica proposta da Argentina ao FMI

13:56 - O governo argentino iniciou sua negociação com o Fundo Monetário Internacional (FMI) traçando um cenário ideal: não começar a pagar os US$ 44 bilhões que recebeu durante o governo Mauricio Macri (2015-2019) antes de 2024. Alguma surpresa? Nenhuma.

Sabe-se, desde a campanha eleitoral de 2019, que a prioridade do novo governo de peronistas e kirchneristas é usar os recursos disponíveis para reativar a economia.

O país vive uma escassez de divisas, é fato. Mas é preciso entender que a Argentina ainda tem dinheiro. Por uma decisão ideológica, as divisas disponíveis — as reservas do Banco Central alcançam US$ 42 bilhões — não serão destinadas a pagamento de dívidas ou poupanças individuais. Hoje os argentinos podem comprar apenas US$ 200 mensais e especula-se com a implementação de limites ainda mais rigorosos.

Esta semana, o governo apresentará o projeto de Orçamento para 2021, segundo uma fonte do BC local, nos termos do que seria uma carta de intenção ao FMI. No projeto, estarão as metas da Casa Rosada para 2021 e até onde está disposta a chegar em matéria, por exemplo, de ajuste fiscal.

Não pagar até 2024 é o ponto de partida de uma negociação difícil. Quando se trata do FMI, não se podem alterar capital nem juros. Resta apenas o prazo, e essa é a jogada dos argentinos. A prioridade, como disse Alberto Fernández na campanha, é voltar a crescer. A projeção para 2020 é de queda do PIB acima de 10%. Para sair desse buraco, o país tem dinheiro. Para pagar credores externos e financiar a poupança dos próprios argentinos — que desde a década de 70 têm o hábito de poupar em dólares — as divisas se esgotaram.

Até 2024? Foi a primeira jogada, seguindo à risca os compromissos assumidos por Fernández com seu público interno. A margem de manobra do governo argentino é limitada e o Fundo sabe disso. Também sabe que o crédito concedido a Macri foi um erro que custou caro. A Argentina poderá ter de fazer alguns pagamentos antes de 2024, mas tudo indica que são altas as chances de conseguir um bom acordo.

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