Ida de Carlos Da Costa para BID Invest se complica e Brasil pode perder vaga

Ida de Carlos Da Costa para BID Invest se complica e Brasil pode perder vaga

Mudança chegou a ser dada como certa por Paulo Guedes, mas agora ficou mais complicada

O governo brasileiro corre risco de ficar sem a presidência do BID Invest, braço de investimentos privados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), cargo para o qual pretendia indicar o economista Carlos Da Costa.

Titular da Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade (Sepec), Da Costa é o principal responsável na equipe econômica pela interlocução com a indústria e o setor produtivo em geral. Nos últimos meses, ao participar diretamente da elaboração de medidas de resposta à pandemia, aproximou-se do presidente Jair Bolsonaro e dos seus filhos.

A ida do secretário tornou-se bastante incerta. Ela ainda pode ocorrer, mas não está garantida - como chegou a anunciar publicamente o ministro da Economia, Paulo Guedes. Há várias complicações para a designação.

O Valor apurou que o impasse gira em torno do desejo de James Scriven, hoje à frente do BID Invest, de continuar no cargo. Com cidadania argentina e britânica, Scriven construiu boa relação com diversos países-membros do banco e sua permanência tem a simpatia de governos na região.

Mesmo que ele saia, países europeus querem a abertura de um processo seletivo e tentam evitar que o sucessor seja indicação política. Esses países detêm quase 11% do capital do BID e não recebem nenhum financiamento, mas preservam direito de voto e participam de instâncias decisórias. As maiores participações acionárias entre europeus no banco são de Espanha, Itália, França e Alemanha.

Nos bastidores, a avaliação do governo brasileiro é que o impasse precisa ser resolvido antes de 18 de dezembro. A sede do BID, em Washington, trabalha normalmente por mais quatro semanas cheias. Depois disso, quase todos fazem uma pausa e até diretores-executivos - que representam blocos de países - vão para casa celebrar as festas de fim de ano.

Na volta, Joe Biden estará muito perto de tomar posse na Casa Branca e ninguém se arrisca a dizer qual vai ser a abordagem do democrata para o BID. Observadores em Brasília acreditam que Biden pode nomear alguém de estrita confiança como o diretorexecutivo dos Estados Unidos, a fim de exercer uma espécie de “tutela” sobre o novo presidente do banco, Mauricio Claver-Carone. Ex-conselheiro sênior de Donald Trump para a América Latina, Claver-Carone tomou posse no mês passado e tem um mandato de cinco anos.

O governo Bolsonaro abriu mão de uma candidatura brasileira para apoiá-lo. Foi a primeira eleição de um representante dos Estados Unidos. O cargo é ocupado historicamente por um latino-americano. Em troca do apoio, o Brasil queria participar da alta gestão do banco. Na nova composição das quatro vice-presidências, divulgada no fim da semana passada, nenhum brasileiro está entre os nomes. Claver-Carone quis nomear Alexandre Tombini, ex-presidente do Banco Central e com quem havia trabalhado no FMI, para uma das vagas. Guedes, porém, o vetou.

Como uma das maiores prioridades de Claver-Carone é fortalecer o BID Invest, dentro da estratégia de “nearshoring” (trazer de volta para as Américas empresas do continente que migraram operações para a Ásia), a reação em Brasília foi contida.Muitos avaliam que o braço privado do BID passará a valer mais do que uma vicepresidência. Agora, no entanto, todo o cenário que vinha sendo desenhado subiu no telhado.

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