Humans Rights Watch acusa governo libanês de negligência na explosão em Beirute

Humans Rights Watch acusa governo libanês de negligência na explosão em Beirute

14:42 - Além da HRW, relatório do Unicef indica que uma em cada três famílias no Líbano tem filhos traumatizados pela tragédia

A Human Rights Watch (HRW) acusou as autoridades libanesas nesta terça-feira de negligência criminosa, violação do direito à vida e de bloquear a investigação local sobre a explosão de 4 de agosto de 2020 no porto de Beirute. A ONG recomendou que a ONU faça uma investigação independente sobre o caso e que sejam impostas sanções internacionais contra autoridades libanesas. A megaexplosão, que deixou 214 mortos e mais de 6.500 feridos há um ano, aconteceu quando um incêndio atingiu um depósito que armazenava várias centenas de toneladas de amônio desde 2014.

Em um relatório de 126 páginas, a ONG documentou as inúmeras violações cometidas pelas autoridades políticas e de segurança do país na administração do depósito desde a chegada dos materiais perigosos ao porto, em 2013, até a explosão. De acordo com a ONG, o documento identifica dezenas de funcionários do governo, da alfândega e da segurança local que estavam cientes dos riscos.

"Várias autoridades (...) demonstraram negligência criminosa na gestão do carregamento, segundo a lei libanesa", resume o relatório da HRW, que se baseia em várias entrevistas e centenas de documentos oficiais, incluindo alguns que nunca foram divulgados publicamente.

"As provas sugerem fortemente que algumas autoridades do governo estavam cientes do risco que a presença de nitrato de amônio poderia representar e, de maneira velada, o aceitaram", diz a HRW.

Um ano após a tragédia, nenhum responsável foi levado à Justiça. Além disso, segundo uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), uma em três famílias libaneses — ou 34% —tem filhos com sinais de trauma e sofrimento psicológico por causa da explosão. Ao todo, 1,2 mil famílias responderam à pesquisa.

“No caso dos adultos, a proporção chega a uma entre duas pessoas (45,6%)”, acrescentou a agência da ONU em um relatório publicado na véspera de a tragédia completar um ano.

Entre as vítimas da explosão, seis crianças morreram e outras mil ficaram feridas.

— Um ano depois dos trágicos acontecimentos, a vida das crianças continua profundamente afetada — lamentou o representante da Unicef no Líbano, Yukie Mokuo. — Essas famílias têm dificuldades de se recuperar das consequências da explosão, que aconteceu no pior momento possível, em meio a uma crise econômica devastadora e a uma pandemia — concluiu.

Em julho, o Unicef havia alertado que quase todas as famílias que pediram ajuda após a explosão ainda precisavam de apoio, especialmente em relação a dinheiro e alimentos.

Segundo a agência da ONU, muitas das pessoas que perderam seus empregos por causa da tragédia ainda estão desempregadas, enquanto o Líbano sofre um empobrecimento em grande escala, aumento da inflação e carências de todo o tipo, diante da ineficácia das autoridades.

— A vida das crianças está em perigo em um momento no qual a crescente crise deixa a maioria das famílias incapazes de realizar as necessidades básicas — alertou Mokuo.

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