Guedes fala em negociar área de livre-comércio com governo da China

Guedes fala em negociar área de livre-comércio com governo da China

Durante evento do Brics, ministro afirma que País precisa se ´integrar às cadeias globais´; ainda em fase inicial, conversas esbarram em regulamento do Mercosul de que qualquer redução de tarifas tem de envolver todos os integrantes do bloco comercial

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou ontem que o Brasil conversa com a China sobre a possibilidade de estabelecer uma área de li» vre-comércio entre os dois países, Este tipo de acordo costuma prever uma fase de transição até o fim de todas as barreiras tarifárias na venda de produtos.

O Estadão/Broadcast apurou que as negociações estão em estágio inicial e que, formalmente, ainda não incluem a idéia de uma área de livre-comércio. Além disso, pelas regras do Mercosul países-membros do bloco não podem firmar individualmente acordos bilaterais que envolvam eliminação de tarifas.

Neste sentido, uma eventual negociação teria de acontecer entre a China e o Mercosul (m a is informações nesta página). E o que faz hoje o bloco em conversas com Coréia do Sul, Canadá, Líbano e Cingapura.

Segundo fontes, neste momento o objetivo c aumentar os itens na pauta de exportação para a China, hoje concentrada em três produtos: soja triturada (34%), óleos brutos de petróleo (24%) e minério de ferro (21%).

`Estamos conversando com a China sobre a possibilidade de considerarmos uma ´free trade arca´ (área de livre-comércio). Estamos buscando um alto nível de integração. É uma decisão. Queremos nos integrar às cadeias globais. Perdemos tempo demais, temos pressa`, afirmou o ministro,em seminário do banco do Brics, cm Brasília. A capital federal rccebe desde ontem o encontro de cúpula do grupo, que reúne líderes de Brasil, China, índia, Rússia c África do Sul.

Durante evento distinto do que teve Guedes como participante, o presidente Jair Bolsonaro ressaltou o desejo de uma maior aproximação com a China, mas não fez menção a um acordo de livre-comércio entre os dois países. `A China é nosso primeiro parceiro comercial e, juntamente com toda minha equipe, bem como com empresariado brasileiro, queremos mais que ampliar, queremos diversificar nossas relações comerciais`, disse Bolsonaro.

Já o presidente chinês, Xi Jinping,disseque a China estádísposta a trabalhar com o Brasil `em pé de igualdade` para intercâmbio em diferentes áreas. Os dois países fecharam ontem acordos bilaterais em transporte, saúde, segurança, comunicações e agronegócio. O ultimo possibilita avenda de melão brasileiro para a China em troca da ?importação de pera chinesa.

Balança. A China é hoje o maior parceiro comercial do País. De janeiro a outubro deste ano, o Brasil exportou US§ 21,5 bilhões a mais do que importou da China. Os chineses respon- ?dem por 27,8% das exportações e por 20% das importações. Sem entrar em detalhes, Guedes afirmou que o objetivo do ?Brasil é ampliar as trocas comerciais com o país asiático, ainda que isso signifique uma redução do superávit comercial do Brasil com o parceiro. `Não me incomodo se nossa balança (comercial) com a China se equilibrar lá na frente”.

Presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro afirmou que o anúncio é positivo, mas ressaltou que, diferentemente do Brasil, a China possui baixos custos de produção c alta eficiência. Assim, uma eventual abertura afetaria principalmente o setor de manufatura brasileiro, que seria tomado de por produtos chineses. `A indústria brasileira não está preparada para nenhuma abertura de mercado hoje`, disse ele.

Segundo fontes do governo, as conversas entre autoridades dos dois países incluem a formade ção de joint ventures com empresas chinesas para manufaturar os produtos 110 Brasil, aumentando o valor agregado.

O Brasil tem uma demanda antiga para que os chineses abram o mercado interno a produtos agrícolas processados c scmiproccssados, de maior valor agregado, como a soja, que poderiam ampliar os ganhos nas exportações.

Guedes não descartou acordos com outros países ou blocos comerciais. `Se pudermos passar paraaárca de livre-comércio com outras áreas do mundo, também queremos`, afirmou o ministro da Economia. `Queremos nos integrar. Vamos fazer 40 anos em quatro.`

No fim de julho, o Brasil iniciou oficialmente as negociações para o fechamento de 11111 acordo comercial com os Estados Unidos, após o Mercosul ter fechado, semanas antes, um acordo de livre-comércio com a União Européia.

 Fabrício de CASTRO, LORENN A RODRIGUES, FELIPE FRAZíO, MATEUS VARGAS E GUILHEME GUERRA

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