Guedes defende moeda única para Mercosul e diz que Brasil seria a ‘Alemanha’ do bloco

Guedes defende moeda única para Mercosul e diz que Brasil seria a ‘Alemanha’ do bloco

19/08 “Embora cada Estado possa ter sua política fiscal, o Brasil deveria imaginar uma aproximação maior, com área de livre comércio”, sugeriu

O Mercosul deveria ter uma integração da moeda, assim como houve no Mercado Comum Europeu, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, em reunião na Comissão de Relações Exteriores do Senado.

“Embora cada Estado possa ter sua política fiscal, o Brasil deveria imaginar uma aproximação maior, com área de livre comércio”, sugeriu. “Poderíamos ter uma integração completa e, neste sentido, o Brasil assumiria uma função como a da Alemanha na Europa.”

Juros em alta no Brasil

Em outro tópico, Guedes comentou sobre política monetária. "Com nossa confusão aqui, estamos empurrando os juros para dois dígitos de novo", disse ele. “Se a gente trabalhar sério, vacinar, os juros ficam em um dígito de novo.”

"No jogo da vida real, a inflação está subindo e temos que fazer um movimento de abertura [da economia", afirmou o ministro.

Ele acrescentou que está “envergonhado” em propor um corte de apenas 10% nas tarifas de importação. No entanto, esse seria um primeiro passo para as empresas brasileiras começarem a “correr na esteira” e ganhar competitividade.

“Nós estamos perdendo a corrida justamente porque seguimos o modelo protecionista”, argumentou. “O industrial está perdendo a importância e não perceberam que estão morrendo disso.”

O ministro defendeu intensificar o comércio com o Oriente Médio, como entreposto comercial na Ásia-Pacífico. Citou também que a Índia é hoje a maior democracia do mundo, o fluxo de comércio com o Brasil é de apenas R$ 5 bilhões. A expectativa é elevar para R$ 100 bilhões. “Queremos novos parceiros, queremos ir nessa direção”, disse.

No entanto, o Brasil perdeu a dinâmica de crescimento e está se tornando obsoleto.

“Vamos pelo menos dar os primeiros passos em vez de fazer essa guerrilha, que é fingir que é a favor das reformas”, disse. “Isso só é bom para CNI, um sindicato de empresários defendendo privilégio. A entidade defende uma reforma tributária ampla, comentou o ministro. “Ou seja, não acontece.”

Crítica à CNI

Ainda sobre a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Guedes criticou a entidade e afirmou que ela "realmente acredita que defende a indústria brasileira".

No entanto, nas últimas décadas, "a indústria brasileira foi esmagada e ficou encurralada", afirmou, a despeito da existência da entidade. “Nunca vi uma indústria que se diz tão protegida, mas que quase foi destruída.”

Um dos grandes fatores para desindustrialização foram os encargos trabalhistas. “E a CNI vive disso”, afirmou. O primeiro passo para acabar com o excesso de impostos é reduzir os encargos trabalhistas, e a CNI é contra, disse. “É sempre uma desculpa de que tem que fazer muito para não fazer nada.”

O acordo entre Mercosul e União Europeia foi feito pelo governo, disse o ministro. O entendimento está parado, mas a CNI diz que defende o acordo, comentou. Segundo ele, a reforma tributária está há um ano no Congresso e a indústria toda diz que apoia, “mas nunca dão o primeiro passo”.

A redução da TEC do Mercosul é um primeiro passo, para a abertura comercial, disse.

A CNI, porém, diz que o importante é fazer a abertura via acordo comercial.

O gerente de Políticas de Integração Internacional da CNI, presente à reunião, disse que o acordo comercial dá previsibilidade na abertura comercial.

Venezuela

O ministro da Economia ainda comentou a situação da Venezuela. Disse que o Brasil recebeu os venezuelanos mais pobres e menos instruídos entre os que fugiram da crise econômica e política do país vizinho.

“Devia haver liberdade de fluxo de bens e até de imigração no Mercosul”, disse o ministro. “Os venezuelanos de maior grau [de instrução] foram parar no Chile, Colômbia; os que vieram a pé vieram para o Brasil.”

Estrada paraGuiana

O presidente do Banco dos Brics, Marcos Troyjo, está vindo ao Brasil para discutir a construção de uma rodovia de Boa Vista (RR) para Georgetown, na Guiana, disse Guedes.

“Nós colocamos no Banco dos Brics um brasileiro, temos o presidente, e queremos usar essa vocação da Amazônia”, disse. “Queremos usar esses vetores que preservem a floresta, mas revitalizem a região amazônica.”

Segundo Guedes, a região precisa de investimentos em infraestrutura. “Vamos construir uma infraestrutura transnacional”, disse

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino