Governo corre risco de ficar sem dólares para honrar compromissos

Governo corre risco de ficar sem dólares para honrar compromissos

O governo argentino cone o risco de ficar logo sem dólares e está diante de uma crise de balanço de pagamentos se os credores não aceitarem a renegociação da dívida proposta ontem, segundo afirmam economistas.

As medidas anunciadas ontem para tentar conter a escalada do dólar acendem um alerta sobre a acelerada perda de reservas internacionais do Banco Central local. 0 peso argentino desvalorizouse 3,04% frente ao dólar ontem. Ao fim do dia, amoeda americana era cotada a 58,10 pesos no interbancário.

Na taxa média do Banco Central, a cotação era de 60,17. A alta do dólar ocorreu apesar de o Banco Central ter vendido mais de US$ 367 milhões de reservas. Os bônus soberanos do país caíram até 7%. O risco-país chegou a atingira máxima de2.112 pontos.

Desde as prévias partidárias, em 11 de agosto, o Banco Central argentino torrou mais de US$ 8 bilhões de suas reservas internacionais para tentar conter a alta do dólar, e hoje tem cerca de US$ 57 bilhões, segundo o BC. Desse total, porém, só cerca de US$ 13,4 bilhões são reservas líquidas que excluem depósitos de bancos comerciais e podem ser usadas para defender o peso, afirma Siobhan Morden, chefe de estratégia de renda fixa para a América Latina na Amherst Pierpont Securities.

Outra estimativa, da consultoria Capital Economics, fala em reservas líquidas de cerca de US$ 19 bilhões, ante os US$ 30 bilhões em meados de abril. `O baixo nível de reservas líquidas significa que a vulnerabilidade externa da Argentina é maior do que muitos pensavam ser`, diz Edward Glossop, da Capital Economics. Segundo o banco americano Morgan Stanley, a Argentina precisa de US$ 12,9 bilhões para honrar os pagamentos do serviço da dívida soberana até o fim deste ano.

Internamente, a demanda por dólar deve aumentar nos próximos meses, devido às incertezas políticas e econômicas, o que continuará causando turbulência no mercado cambial, diz Carlos de Sousa, da consultoria Oxford Economics. `O principal problema é que muitos argentinos que têm aplicações financeiras de 30,60 ou 90 dias devem logo começar a trocar pesos por dólar`, afirmou.

Os argentinos costumam chamar isso de fuga de capital, ainda que a moeda não necessariamente deixe o país. Basta que uma corrida ao dólar faça a moeda americana sair do sistema financeiro local, afirma o analista financeiro Christian Buteler. Em um ano de relativa tranqüilidade, ele argumenta, é comum haver uma fuga de capital da ordem de US$ 3 bilhões ou US$ 4 bilhões.

Dados disponíveis mostram saída de capitais de US$ 2,9 bilhões em junho e de mais de US$ 13 bilhões no ano, diz Martin Castellano, do Instituto Internacional de Finanças (IIF), ao lembrar que em 2018 a fuga de capitais total chegou a US$ 27,2 bilhões.

`Apesar de os US$ 13 bilhões deste ano estarem abaixo do total do ano passado, é um nível historicamente alto. Isso indica a necessidade de financiamento adicional.` (MG) Medidas sobre renegociação foram anunciadas por Lacunza (centro) depois de reunião com representantes do FMI

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