Governo caminha para não banir a Huawei do leilão da tecnologia 5G no Brasil

Governo caminha para não banir a Huawei do leilão da tecnologia 5G no Brasil

19:14 - Empresas de telecom ameaçam ir à Justiça se chinesa for barrada do processo para indenização por investimentos já realizados

Manoel Ventura e Naira Trindade

BRASÍLIA - O governo federal caminha para não banir totalmente a chinesa Huawei no fornecimento da infraestrutura para as redes de 5G no Brasil, cujo leilão está previsto para ocorrer em 2021. A pressão das empresas de telecomunicações e a importância que o fornecedor tem para a infraestrutura já montada no país estão pesando na avaliação do Palácio do Planalto, de acordo com fontes que acompanham de perto o assunto.

As principais empresas de telecomunicação do Brasil, que efetivamente vão disputar o leilão e montar a infraestrutura do 5G — e, portanto, contratar os fornecedores —, ameaçam ir à Justiça caso a Huawei seja banida do país, cobrando uma indenização do governo pelos investimentos já feitos usando equipamentos chineses, como mostrou o GLOBO.

Uma ala do governo, por outro lado, ainda advoga para que sejam aplicadas ao menos restrições pontuais à empresa, como a proibição de sua atuação em infraestruturas críticas como áreas de defesa. Esse modelo já chegou a ser analisado pelos técnicos do governo, meses atrás e, por ele, a empresa estaria fora em cerca de 30% da rede nacional.

O principal obstáculo considerado pelo Palácio do Planalto para não barrar a Huawei, como querem os Estados Unidos, é a presença da empresa nas redes de 4G e 3G. Segundo executivos das teles, quase metade da infraestrutura montada hoje foi fornecida pela chinesa, além de já haver contratos em vigor nesse sentido. Eles ressaltam que isso é uma média e há regiões e casos em que 100% da rede é Huawei.

O 5G será construído sobre as redes 4G. Por isso, banir qualquer empresa que já atue no país vai obrigar a troca de equipamentos e aumentar os cursos das companhias. Essa conta está sendo levada em consideração pelo Planalto para não barrar totalmente a Huawei.

Uma ala considera mais ideológica do governo, liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, por outro lado, ainda tenta ampliar certas restrições.

Uma versão do edital do leilão, que será ainda decidida pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), também não prevê restrições de fornecedores. Mas técnicos da Anatel ressaltam que a agência não quer decidir sobre esse assunto, e nem colocaria restrições a fornecedores no edital do leilão.

Mais que uma internet de altíssima velocidade para celulares, a quinta geração de redes móveis de telefonia representará um novo marco para a indústria, para a agricultura de precisão e na criação de tecnologias para cidades inteligentes, segurança pública e internet das coisas. Setores como o da agricultura também fizeram chegar ao Planalto que restringir uma empresa poderia encarecer as instalações.

Os EUA pressionam para que países como o Brasil vetem a Huawei na construção das redes de infraestrutura com o argumento da segurança de informações. A empresa é uma das maiores fornecedoras mundiais de tecnologia para 5G e tem como principais concorrentes a sueca Ericsson e a finlandesa Nokia.

O que irá a leilão são as frequências com as quais o 5G vai operar. Ele será disputado pelas empresas de telecomunicação, que em seguida vão contratar fornecedores para montar a infraestrutura necessária para operação do 5G no Brasil.

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