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Governo Bolsonaro não confirma Copa América e estabelece condições, incluindo atletas vacinados

Governo Bolsonaro não confirma Copa América e estabelece condições, incluindo atletas vacinados

18:58 - Ministro da Casa Civil diz que evento deverá seguir protocolos sanitários caso seja realizado no país

O ministro Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil) afirmou na noite desta segunda-feira (31) que a realização da Copa América no Brasil ainda não está definida, mas disse que o evento, caso ocorra no país, seguirá protocolos sanitários como a vacinação de atletas e comitivas.

"Não tem nada certo. Estamos no meio do processo, mas não vamos nos furtar a uma demanda, caso seja possível atender", declarou o ministro.

Ramos fez uma declaração à imprensa ao lado do secretário especial de Esporte, Marcelo Reis Magalhães.

Ele afirmou que na manhã desta segunda recebeu uma ligação de Walter Feldman, secretário-geral da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), que lhe consultou sobre a organização do evento no Brasil. Nas palavras de Ramos, tratou-se de uma "demanda" levantada por Feldman.

Ainda de acordo com Ramos, o tema foi debatido em reunião no Planalto, por orientação do presidente Jair Bolsonaro, mas o martelo ainda não foi batido.

O ministro detalhou ainda condições sanitárias que devem ser estabelecidas caso o torneio de fato ocorra no Brasil, entre elas a de que atletas e comitivas estejam vacinados.

"Esse evento, caso se realize, não terá público. No momento são 10 times. No máximo, já foi acordado nessa reunião com a nossa presença e a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), são dez times, com dois grupos; 65 pessoas em cada delegação. Todos vacinados. [É] imposição que nós tratamos com a CBF. Até agora não há documento firmado, apenas essas tratativas", afirmou.

Caberá à CBF, segundo o secretário Magalhães, negociar diretamente com os estados e municípios para escolher as sedes do torneio.

Pela tabela original, os jogos ocorrerão entre 13 de junho e 10 de julho. Neste calendário, é inviável um atleta receber, por exemplo, duas doses da Coronavac, no intervalo recomendado de 28 dias entre cada aplicação, antes da primeira rodada.

O governo não explicou se as datas das partidas poderão ser alterada ou se aceitará atletas que receberam apenas uma dose da vacina, o que não garantiria a eficácia do imunizante.

Auxiliares do governo Bolsonaro relataram surpresa com o anúncio de que o torneio seria realizado no Brasil. No Ministério da Saúde, interlocutores disseram reservadamente que souberam do tema apenas na manhã desta segunda.

Alguns governadores de estados cotados para receber partidas —como Pernambuco e Rio Grande do Norte— já afirmaram que não têm condições sanitárias para isso. Outros disseram que não foram procurados pelo governo.

Os comentários de Ramos contradizem manifestação da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), que em suas contas oficiais afirmou que o Brasil sediaria o evento. A entidade fez um agradecimento nominal ao presidente Jair Bolsonaro.

"O Brasil receberá a Copa América 2021! O melhor futebol do mundo levará alegria e paixão a milhões de sul-americanos. A Conmebol agradece ao presidente Jair Bolsonaro e sua equipe, assim como à Confederação Brasileira de Futebol", disse a Conmebol, no Twitter.

Apesar de ter destacado a situação de indefinição, Ramos rebateu críticas contra a realização do campeonato no Brasil por conta da crise da pandemia da Covid. Até o momento, mais de 460 mil pessoas morreram da doença no país.

"Por que o Brasil vai sediar a Copa América durante uma pandemia? Senhores, primeiro que foi uma demanda que foi realizada via CBF, pela Conmebol. Estamos em plena pandemia, com situação difícil, só que o Campeonato Brasileiro envolve 20 times na Série A e 20 times na Série B".

"Ou seja, estão ocorrendo jogos em todo o Brasil. Fora esse detalhe, acabaram na semana passada os campeonatos estaduais. Então, com a realização dos jogos da Copa América, que serão poucos, não sei por que algumas pessoas se pronunciaram contra o evento, se há jogos do Campeonato Brasileiro, dos estaduais, e da Libertadores", disse.

Magalhães, por sua vez, ressaltou que a Copa América é um evento privado.

"A gente teve a demanda da CBF hoje pela manhã e estamos fazendo esforços para, caso, caso a gente venha realizar a Copa América, que a CBF, por se tratar de evento totalmente privado —é bom deixar claro: é evento privado—, que a CBF negocie com os estados e municípios onde vão ser as sedes. O governo federal apenas dará toda a parte de estrutura para a entrada dessas equipes no país, basicamente isso", afirmou.

Ramos disse que governo deve decidir na terça (1) se o evento será feito no Brasil. "Vou ainda fazer ligações com a CBF. Amanhã, se Deus quiser, nós teremos uma posição final", afirmou o ministro.

A Copa América seria realizada na Colômbia e Argentina. O primeiro país foi descartado no último dia 20, em razão da turbulência política que vive. O segundo, no domingo (30), por causa da crise sanitária.

O Brasil avalia receber os jogos, mesmo com a pandemia descontrolada e sob alertas de possível nova onda da doença.

Os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e do Amazonas, Wilson Lima (PSC), afirmaram que não vão se opor.

Lima disse à Folha que não é "insensível" receber o torneio em plena crise sanitária, e meses após o Amazonas enfrentar colapso pela falta de oxigênio. Ele afirmou que a Copa América é oportunidade de movimentar a economia.

"Os números [no estado] estão estáveis, o que nos dá tranquilidade para conversar sobre a vinda dos jogos", disse o governador do Amazonas. Ele afirma que foi pego de surpresa pelo anúncio da Conmebol.

O governador Eduardo Leite (PSDB) disse considerar "inoportuno" realizar partidas do torneio no Rio Grande do Sul, mas que, se houver algum convite, vai "levar o assunto para discussão com os outros Poderes e entidades que representam a sociedade gaúcha".​

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