Governo avalia zerar tarifa de importação de soja

Governo avalia zerar tarifa de importação de soja

Medida, já adotada para o arroz, teria por objetivo aumentar a oferta do produto e, por conseqüência, reduzir preço. Analistas dizem, porém, que dólar valorizado torna mercado externo mais atraente. Cerca de 90% da produção este ano foram vendidos

Sem planos de controlar diretamente a formação de preços dos alimentos e com os estoques cada vez mais baixos, o governo poderá repetir com a soja o que fez com o arroz na quarta-feira: reduzir a zero a tarifa de importação, hoje em 10%, até o fim deste ano, de uma quantidade limitada do produto que vier de países fora do Mercosul. A idéia é aumentar a oferta no mercado doméstico, o que contribuiria para reduzir o preço. Mas, segundo especialistas, com o dólar alto, o produto importado ainda chegaria aqui com preço elevado. O cenário cambial também estimula produtores brasileiros a exportarem soja.

No caso da soja, a avaliação é que a forte concentração das exportações para o mercado chinês poderá prejudicar as indústrias de óleo de soja e derivados do produto, também usado como ração animal. Os EUA poderiam fornecer o produto ao Brasil temporariamente com o imposto menor. Hoje, já se importa soja paraguaia.

Segundo uma fonte da área econômica, a combinação entre preços elevados dos alimentos no mercado externo e real desvalorizado frente ao dólar vai estimular ainda mais as exportações do agronegócio, incluindo a soja. Com isso, o produto pode faltar ou ficar mais caro.

De acordo com Carlos Cogo, analista de mercado da Cogo Inteligência em Agronegócio, 90% da safra de soja já foram vendidos: Temos apenas 10% da safra disponível no mercado até o fim do ano. Segundo dados do Ministério da Economia, de janeiro a agosto deste ano, as importações de soja cresceram quase 300% em valor e 307% em volume frente ao mesmo período de 2019. Já as exportações aumentaram cerca de 30%.

O superintendente técnico da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Bruno Lucchi, explica que, no início da pandemia, muitas indústrias esmagadoras de soja reduziram a produção, diante da expectativa de uma forte queda na demanda. Mas esse cenário acabou não se confirmando, em razão do auxílio emergencial, que levou ao aumento do consumo pelas famílias.

Se a indústria for comprar lá fora, terá que fazer isso em dólar, e o produto tem cotação internacional, o que significaria alta de custos diz Lucchi. Ele lembra que, se de um lado o câmbio estimula as exportações, de outro encarece as importações. Além disso, o dólar valorizado aumenta os custos do produtor, já que o custo de sementes, defensivo s agrícolas e outros insumos é referenciado em dólar.

E uma tempestade perfeita concorda Cogo. O cenário mais preocupante para o governo é este fim de semestre, épocade entressafra. Daí a isenção do Imposto de Importação de arroz vigorar apenas até dezembro. No início de 2021, começa a ser colhida a safra de grãos. Mas a aposta é que os preços dos alimentos comecem a ceder já neste mês.

Em uma rede social, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, garantiu não haver risco de faltar arroz e que os preços vão recuar em breve. As exportações de arroz cresceram quase 170%, em volume, este ano. Não só o preço está bom para exportar, o câmbio também. O arroz faz parte do dia a dia do brasileiro, é preciso importar para suprir a demanda interna disse o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

Lucchi vê o corte na tarifa de importação como inócuo. Cogo, por sua vez, acha que pode segurar a alta desenfreada. Já o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Guilherme Bastos, disse que os preços dos itens da cesta básica já estão chegando ao limite e devem começar a ceder em outubro. E o IBGE informou que a produção agrícola deverá bater novo recorde este ano: 251,7 milhões de toneladas. (Colaborou Pedro Capetti)

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