Governo argentino pede discrição ao Brasil sobre novo voo SP-Malvinas

Governo argentino pede discrição ao Brasil sobre novo voo SP-Malvinas

Rota da Latam terá escala mensal no país vizinho, que teme endosso à soberania britânica das ilhas

O governo argentino pediu que nenhuma autoridade federal brasileira comentasse ou prestigiasse o lançamento de novo voo ligando São Paulo às ilhas Falklands, conhecidas no país vizinho como Malvinas.

O motivo ê o temor de uma crise política decorrente do estabelecimento da rota, que terá duas escalas mensais, uma de ida e outra volta, na cidade a rgentina ile C órdoba. O trajeto será realizado pela companhia chileno-brasileira Latam ecomera a operar na próxima quarta-feira (-20), com um Boeing 767-300ER. O pedido, realizado de for ma informal, diegoupormeio de canais diplomáticos e foi aceito pelo Itamaraty.

A preocupação do governo de Buenos Aires ê que a eventual presença de políticos em eventos relacionados à inauguração do serviço passasse a impressão de que o Brasil endossa a soberania do Reino Unido sobre as ilhas. O Brasil reconhece o pleito argentino sobre o arquipélago e chama as ilhas de Malvinas. As Falklands, localizadas a 500 km da Patagônia, foram objeto de uma guerra entre argentinos e britânicos, em 1982. Em decadéncia politica, a ditadura argentina liderada pelo general Leopoldo Galtíeri invadiu o arquipélago.

A então primeira-ministra britânica Margaret Thatcher decidiu enviar uma força naval para retomar o território, o que conseguiu 74 dias depois da invasão. Entre Exército, Marinha e Aeronáutica, a Argentina enviou mais de 14 mil homens. O Reino Unido, 29,7 mil. O saldo foi de 649 mortos do lado argentino e 255 do lado britânico, além de três ilhéus.

A ditadura argentina entrou em colapso a seguir. Pessoas que acompanharam o caso na diplomacia brasileira afirmam que náo havia nenhuma perspectiva de tal endosso de políticos ao lançamento da rota ou ao voo em si, o que mostra o quão sensível ainda ê a questão das Falklands no país vizinho, em especial neste momento o governo de Maurício Macri foi derrotado nas urnas pelo peronista Alberto Fernández em outubro.

Ao responder ao cumprimento britânico pela vitória, o fu tu ro presidente da Argentina inic íou seu texto dizend o que não renunciaria ao desejo de governar as ilhas. A questão é que a rota, na prática, é uma ligação disfarçada entre a Argentina e as ilhas. Não é algo inédito: a Latam opera desde 1999 um voo semelhante, que sai de Punta Arenas (Chile) e faz a mesma escala dupla mensal na argentina Rio Gallegos. À época houve uma chuva de críticas sobre o que seria um reconhecimento indire to de que as ilhas são britânicas.

As Falklands foram incorporadasao LmpérioBritânico em 183 3 e são ho j e um território ultramarino de Londres. E o são por opção de 99,8% de seus cerca de 3.400 habitantes, de acordo com plebiscito realizado sobre o tema em 2013. A reivindicação argentina vem do fato de que, antes de 1833, o país sul-americano foi um dos que disputaram a colonização das ilhas o primeiro assentamento local foi francês, em 1764.

Ainauguração da rota paulista foi duramente criticada, especialmente por políticos peronistas como Rosana Bertone, a governadora da Província da Terra do Fogo. O voo inaugurado em 1999 e o novo foram estabelecidos em governos de oposição ao peronismo CarlosMenem, antes, e Maurício Macri, agora, mas os governos peronistas dominados pela família Kirchner entre eles nada fizeram para suspendê-los. Desde 2016, já sob Macri, a Argentina e o Reino Uni do vinham tomando medidas de confiança mútua sobre as ilhas.

No fim de outubro deste ano, autoridades de Londres devolveram a pequena estátua de Nossa Senhora de Luján, tomada dos soldados in vasores argentinos que levaramaimagem da padroeira de seu país para as ilhas em 198 2. O papa Francisco, que é argentino e próximo do peronismo, abençoou o objeto no Vaticano. Além da questão histórica envolvendo as ilhas, há inte resses econômicos. A prospecção de petróleo no entorno cias Falklands está travada devido ao fato de a Argentina reivindicar também as águas territoriais da região.

Atualmente, as ilhas são autossuficientes. Têm um Produto Interno Bruto anual e quiva lenteaR$ 54a milhões, oriundos da pesca, da lã de suas 500 mil ovelhas e do turismo, mas o petróleo é o que chama a atenção: as reservas sob o mar estão estimadas em 1 bilhão de barris hoje o Brasil todo tem 12 vezes isso. O voo da Latam sairá duas vezespor mês de São Paulo, uma delas com escala em Córdoba, rumo ao aeródromo de Mount Pleasant.
O lugar abriga os mais avançados caças do Hemisfério Sul, usualmente operando quatro modelos Eurofighter Typhoon. A freqüência obrigará o visitante a passar ao menos uma semana em Stanley, a capital e única cidade das Falklands, se quiser p egar o voo de volta na mesma rota. No site da Latam, cada perna da viagem começa pelo valor de R$ 2.259.

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