Governadores levam a Kerry projetos para recompor floresta e de bioeconomia

Governadores levam a Kerry projetos para recompor floresta e de bioeconomia

A implementação varia entre 24 e 72 meses e está estimada em US$ 300 milhões

Sete governadores representando todas as regiões do país têm reunião virtual marcada na sexta-feira com John Kerry, o enviado especial para o clima do presidente americano Joe Biden. Na ocasião, irão apresentar nove projetos de recomposição florestal, bioeconomia e desenvolvimento socioprodutivo. A implementação dos projetos varia entre 24 e 72 meses e está estimada em US$ 300 milhões.

A reunião durará uma hora e têm confirmadas as presenças dos governadores Eduardo Leite (PSDB-RS) pela região Sul; João Doria (PSDB-SP), pelo Sudeste; Reinaldo Azambuja (PSDBMS) pelo Centro-Oeste; Wellington Dias (PT-PI), pelo Nordeste; Flavio Dino (PSB-MA) e Helder Barbalho (MDB-PA) pela região Norte, e Renato Casagrande (PSB-ES), que coordena a coalizão Governadores pelo Clima, protagonista da iniciativa. O movimento divulgou uma carta em abril onde anunciavam a disposição de criar o que chamam de “a maior economia de descarbonização do planeta”. Só os governadores de Rondônia (Marcos Rocha (PSL) e Roraima (Antônio Denarium, sem partido), não aderiram ao movimento.

“É o primeiro passo de uma relação direta dos governadores com o governo central de um país importante”, disse ao Valor o governador Casagrande. “É natural que os governadores possam ter uma articulação global para sua ação local”, continua. Casagrande faz questão de dizer que a iniciativa “não concorre com o governo federal, é complementar.”

As negociações socioambientais entre os governos Bolsonaro e Biden congelaram logo depois da cúpula promovida em abril pelo americano. Em discurso no evento, Jair Bolsonaro prometeu mais recursos para fiscalização contra ilegalidades na Amazônia, mas em seguida as verbas foram contingenciadas, o que teve péssima repercussão no governo americano. Além disso, informações dos EUA foram fundamentais para o inquérito que envolve o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles e a cúpula do MMA e Ibama sobre suspeita de irregularidades na exportação de madeira da Amazônia.

A reunião com Kerry deve durar uma hora e é fruto de articulações entre o governador Casagrande e Terry Tamminem, que foi secretário da agência de proteção ambiental da Califórnia durante o governo de Arnold Schwarzenegger. A conexão foi feita pela organização R20-Regions of Climate Action fundada pelo ex-governador da Califórnia.

Na ocasião, os governadores irão apresentar nove projetos. Um dos projetos do Sudeste é sobre a gestão integrada de recursos hídricos e revitalização de bacias hidrográficas com enfrentamento de eventos extremos como inundações, secas, erosão e deslizamentos buscando plantar espécies nativas da Mata Atlântica. A estimativa é de gerar mais de 40 mil empregos. O outro prevê o desenvolvimento de cadeias de produção e fortalecimento de unidades de conservação na Mata Atlântica, trabalhando com 50 associações e buscando revitalizar e proteger áreas de manguezais e restingas.

No caso da Amazônia, a ideia a ideia é executar um plano de ação para o desenvolvimento do Pará com a exportação de produtos compatíveis com a floresta. No Nordeste, um dos projetos busca combater o desmatamento e promover a restauração da Caatinga e da Mata Atlântica e o outro, produzir e plantar mudas em áreas degradadas, buscando renda para populações em extrema pobreza no Maranhão.

No Centro-Oeste, uma das iniciativas procura estimular melhores práticas de uso do solo, par reduzir sedimentos nas bacias hidrográficas que abastecem o Cerrado e o Pantanal. O outro busca promover boas práticas de conservação e combate a incêndios no Pantanal. No Sul, a ideia é melhorar a qualidade e quantidade de água de bacias hidrográficas e recuperar ambientes florestais do Pampa e da Mata Atlântica.

“Temos que começar uma estratégia de captação de recursos junto ao governo americano dentro de um modelo de governança”, diz Casagrande, que defende a criação de um consórcio público nacional, unindo os Estados com objetivo de implementar políticas climáticas. Ao consórcio estaria atrelado um fundo. “Os Estados poderiam apresentar projetos a este Fundo, que teria recursos dos EUA, da União Europeia, de instituições privadas e de quem mais tenha interesse em investir no Brasil na proteção dos recursos naturais”, diz o governador.

“Nada substitui o papel do governo nacional, mas os Estados teriam governança em uma área vital para a sobrevivência do planeta. Mas para o Brasil dar sua contribuição, o mundo tem que nos ajudar a preservar as riquezas naturais, e para isso, temos que gerar oportunidades para quem quer investir no país”, resume. “A hora em que o mercado de carbono for regularizado, o potencial que o Brasil tem de preservar e recuperar floresta, e produzir energia renovável, é grande.” Ele espera que isso aconteça na próxima rodada de negociação climática, a CoP 26,
em Glasgow, em novembro.

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