Gado francês não deve depender de ração do Brasil, diz ministro

Gado francês não deve depender de ração do Brasil, diz ministro

O ministro francês do Meio Ambiente, Nicolas Hulot, criticou a importação de alguns produtos ricos em proteínas usados para ração animal, afirmando que desejava evitar que o gado francês se tornasse dependente de produtos brasileiros produzidos de maneiras que prejudicam a floresta tropical amazônica.

O ministro francês do Meio Ambiente, Nicolas Hulot, criticou a importação de alguns produtos ricos em proteínas usados para ração animal, afirmando que desejava evitar que o gado francês se tornasse dependente de produtos brasileiros produzidos de maneiras que prejudicam a floresta tropical amazônica.

"É essa incoerência toda que desejo deter", ele disse.

Hulot não identificou os produtos, mas soja é uma cultura brasileira rica em proteínas usada frequentemente para ração animal na França.

O ministro afirmou ainda que a França tomará medidas para restringir o uso de óleo de palma na produção de biocombustíveis, a fim de reduzir o desflorestamento nos países de origem.

O país já havia se oposto a outros usos do óleo de palma, no passado. Diversos projetos de lei foram apresentados ao Legislativo francês, de 2012 em diante, propondo um imposto especial sobre seu uso na alimentação, mencionando os danos ambientais causados pelas plantações.

Indonésia e Malásia, os dois maiores produtores mundiais de óleo de palma, se opuseram ao tributo, afirmando que era discriminatório e violava as regras de comércio internacional.

"Fecharemos uma janela que oferecia a possibilidade de uso de óleo de palma em biocombustíveis", disse Hulot durante a apresentação de um plano mais amplo de combate à mudança do clima.

Ele não detalhou as medidas planejadas, mas disse que desejava deter a "importação do desflorestamento" pela França, mencionando a produção de soja e óleo de palma de forma ecologicamente insustentável em seus países de origem.

O grupo Avril, maior produtor francês de biocombustível, recebeu positivamente as declarações de Hulot. A empresa usa óleo de colza francês como principal base para seu biocombustível, com um processo que gera ração animal conhecida como farelo de colza.

"O grupo Avril apoia todas as iniciativas favorecendo biocombustíveis que produzam proteína para ração animal e a proibição... de biocombustíveis feitos de óleo de palma", disse Jean-Philippe Puir, presidente-executivo do Avril, por e-mail.

Ele disse que quaisquer medidas adotadas não deveriam se limitar à França e que deveriam ser adotadas em nível europeu.

O Avril reduziu sua produção de biodiesel em diversas ocasiões, no passado, mencionando problemas causados pela concorrência de produtos importados mais baratos, que usam óleo de palma como base.

As importações francesa de biodiesel, que em muitos casos contém óleo de palma, subiram a mais de 1,1 milhão de toneladas em 2016, ante menos de 300 mil toneladas em 2010, segundo o Avril.

Os produtores europeus de biodiesel dizem que o farelo de colza oferece alternativa à soja importada, originária principalmente da Argentina e Brasil.

Os biocombustíveis de safra vêm enfrentando crescentes críticas na Europa.

Os oponentes afirmam que algumas safras são cultivadas em terras desflorestadas. Também dizem que safras alimentícias como o açúcar e os cereais deveriam ser usadas para alimentar pessoas, e não para produzir combustível.

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