G-20 concorda com metas ambientais amplas, mas sem acordo sobre como alcançá-las

G-20 concorda com metas ambientais amplas, mas sem acordo sobre como alcançá-las

Os ministros do Meio Ambiente e da Energia do Grupo dos 20 países ricos (G-20) fizeram pouco progresso na quinta-feira sobre como atingir as metas climáticas, disseram autoridades, com um grupo de países resistindo a compromissos firmes.

Perto do suntuoso palácio real em Nápoles, na Itália, onde ocorreu a reunião, milhares de manifestantes agitando bandeiras protestaram contra o que eles disseram ser a falta de ação contra o aquecimento global.

A reunião do G-20 discutiu biodiversidade e meio ambiente na quinta-feira, enquanto energia e mudanças climáticas estarão na agenda de sexta-feira. Diplomatas têm lutado por dias para encontrar um terreno comum significativo em ambos os tópicos.

A Itália, que detém a presidência rotativa do G-20 este ano, disse que um comunicado sobre meio ambiente finalmente foi acordado para a "grande alegria" de todos os 20 países, após "semanas de negociações e uma sessão ininterrupta de dois dias".

O documento de sete páginas cobriu vários assuntos, incluindo segurança alimentar, uso sustentável da água, lixo marinho, finanças sustentáveis e como educar melhor os jovens sobre questões climáticas, disse o ministro italiano da Transição Ecológica, Roberto Cingolani.

Um resumo divulgado por seu gabinete carece de compromissos políticos concretos, mas mesmo assim Cingolani chamou o resultado de "particularmente ambicioso" e disse que reflete os objetivos da presidência italiana do G-20.

"Esta é a primeira vez que esses temas são claramente escritos e vinculativos para todos os países que produzem 80% do produto interno bruto (PIB) mundial e 85% de suas emissões de carbono", disse ele a repórteres.

A declaração de sexta-feira, abordando diretamente os compromissos com a mudança climática, provavelmente será mais desafiadora.

Em seu discurso ao G-20, visto pela Reuters, o ministro do Meio Ambiente da Argentina, Juan Cabandie, pediu uma "troca da dívida" pela qual uma parte da dívida dos países em desenvolvimento seja perdoada para que possam financiar sua transição ecológica. Cingolani disse desconhecer a proposta.

A reunião do G-20 é vista como um estágio intermediário chave antes das negociações climáticas globais conhecidas como COP 26, a serem realizadas em Glasgow em novembro.

A urgência da ação climática foi evidenciada neste mês por inundações mortais na Europa, incêndios nos Estados Unidos e altas temperaturas na Sibéria, mas os países continuam em desacordo sobre como pagar por políticas caras para reduzir o aquecimento global.

Brasil, Arábia Saudita e Indonésia estão entre os países que continuam resistindo às tentativas da presidência italiana de reforçar a linguagem das declarações do G-20, disseram autoridades.

"Parece que haverá uma total falta de compromissos sobre dinheiro", disse Oscar Soria, do grupo ativista on-line Avaaz, dos Estados Unidos.

"O norte está dizendo ao sul: 'precisamos proteger o meio ambiente'. E o sul está dizendo: 'precisamos de dinheiro para isso'. E a presidência italiana não está se mostrando muito boa em colocar todos na mesma página", disse ele.

Os países desenvolvidos concordaram nas Nações Unidas em 2009 em, juntos, contribuir com US$ 100 bilhões a cada ano até 2020 em financiamento climático para os países mais pobres, muitos dos quais estão lutando com a elevação do mar, tempestades e secas agravadas pela mudança climática.

No entanto, essa meta ainda não foi atingida.
“Os compromissos de financiamento assumidos pelos países desenvolvidos não foram honrados, afetando a confiança entre as partes”, disse Cabandie.

Excluindo o progresso de última hora, parece improvável que a reunião do G-20 em Nápoles faça referência aos US$ 100 bilhões ou faça quaisquer outras promessas financeiras firmes. Houve breves momentos de tensão durante a marcha de protesto, quando um pequeno grupo jogou balões cheios de água na polícia.

"Há coisas que não entendo", disse Cingolani. "Não sei por que haveria brigas hoje, quando 20nações do mundo se reúnem para se comprometerem a buscar soluções."

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