Futuro chanceler argentino lamenta ´luto´ com Brasil

Futuro chanceler argentino lamenta ´luto´ com Brasil

Felipe Solá diz que evitará embate ideológico e ´bofetadas´ do governo Bolsonaro; ele convoca sociedade a ajudar no diálogo bilateral

0 presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, que toma posse em 10 de dezembro, já definiu sua esís tratégia para a relação com o Brasil: evitar que a ideologia seja parte do vínculo, driblar as `bofetadas` que possam ser antecipadas e permanecer no `ringue` buscando que, junto com a sociedade civil, sejam encontradas maneiras de conviver e dialogar. Esse foi o caminho traçado no pelo peronista Felipe Solá, que será o novo ministro das Relações Exteriores.

`Estamos em luto em relação ao Brasil`, disse Solá em palestra na Universidade Torcuato Di Telia anteontem à noite. Para ele, é `absolutamente inesperado que um país irmão com o qual tivemos uma quantidade de encontros com bom impacto regional inesperadamente tenha um governo com um nível de agressividade enorme contra a Argentina, contra o Mercosul e contra a História comum dos últimos 30 anos`.

 O futuro chanceler argentino anunciou que seu país não sairá do Grupo de Lima, já que Fernández considera que devem ser mantidas as instâncias existentes nas quais pretende expressar sua opinião e buscar saídas diferentes para crises como a venezuelana.

SEM ACEITARA RAIVA Para Solá, o que ele considera uma atitude agressiva do Brasil contra a Argentina é um `golpe fortíssimo`:

 Não é que digamos `temos de acertar umacoisa com um fulano porque é um pouco aloprado`. Não, isso é um luto, um luto de ilusões, de projetos, de imaginação sobre o futuro. Frente a uma agressão assim a gente se fecha diante do inesperado e a reação imediata é um choque de imobilidade. A palavra que aparece é raiva, mas não podemos aceitar isso porque representamos um país.

 O futuro chanceler deixou claro que `para brigar são necessários dois` e insistiu na idéia de evitar a ideologização da relação bilateral.

Se querem ideologizar a relação, temos de evitar fazer a mesma coisa do nosso lado. Não vamos aceitar que o debate sejaideológico, até que se cansem. Vamos buscar todas as brechas possíveis e para isso é necessário a ação da sociedade civil junto ao Estado disse o ex-deputado do Partido Justicialista (PJ) que já ocupou cargos em governos passados, entre eles o de Carlos Menem (1989-1999).

 Solá disse que essa colaboração da sociedade civil incluiria empresários, artistas e até mesmo militares.

Quem quiser ideologizar vai encontrar dificuldades. Depois podemos discutir se (vale a pena ficar no) Mercosul. Pessoalmente, acho que eles (o governo brasileiro) não têm isso claro, vejo uma espécie de raiva ideológicaapontou Solá, que citou a entrevista do ministro Ernesto Araújo ao GLOBO, na qual o chanceler brasileiro defendeu que o Mercosul se transforme num Sudeste Asiático. Nunca discutiram isso no Mercosul, não é uma decisão unilateral. Não se pode anunciar algo primeiro à imprensa sem antes consultar os membros (do bloco) . E uma idéia, podemos discutir. Queremos que aceitem que exista debate, nossa intenção é modesta e legítima.

 O novo embaixador no Brasil seráo ex-governador daprovíncia de Buenos Aires Daniel Scioli. De acordo com Solá, sua missão será `deixar de lado a questão política e ideológica e priorizar a relação com todos os setores da vida brasileira`. Se tem um grandão que é como esses boxeadores que dão bofetadas muito abertas que podem ser previstas, o que temos de fazer é evitar e permanecer no ringue disse, numa metáfora que, para ele, explica o momento da relação bilateral.

 

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