Fusão de ministérios pode ser reavaliada

Fusão de ministérios pode ser reavaliada

Após críticas e temendo repercussão internacional negativa, campanha quer rever união dos ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura

Diante de críticas de setores de exportação do agronegócio, a equipe técnica do candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, rejeita uma fusão das pastas do Meio Ambiente e da Agricultura e descarta romper o Acordo de Paris para controle do aquecimento global.

Um estudo que está sendo preparado por auxiliares do presidenciável ressalta que órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICM- Bio) devem estar, num eventual governo, na estrutura de um superministério de infraestrutura ou se manter como pasta independente integrada ao sistema de defesa nacional. A decisão final será tomada por Bolsonaro, que espera uma redução de ministérios.

Ontem, em entrevista ao Jornal Nacional, o candidato disse que a junção dos ministérios não dificultaria a defesa do meio ambiente. `Não dificulta porque eu poderia botar uma pessoa do mesmo perfil ideológico na Agricultura e no Meio Ambiente. O que não pode continuar acontecendo? Uma briga entre os ministérios.`

Nas últimas semanas, no entanto, o grupo de campanha do PSL recebeu análises de especialistas em comércio exterior que preveem dificuldades com fornecedores da Europa se um possível governo confirmar o aniquilamento do Meio Ambiente e sinalizar para um aumento das taxas de desmatamento na Amazônia.

Desde a pré-campanha, os auxiliares de Bolsonaro já trabalhavam com a perspectiva de que uma fusão era inviável administrativamente. Eles argumentam que área ambiental atua em temas de infraestrutura e energia, por exemplo, sem conexão com a Agricultura. As críticas generalizadas reduziram a possibilidade da integração.

Alerta. Em carta à campanha, o consultor de assuntos internacionais Rubens Barbosa, ex-embaixador em Washington, alertou que a questão ambiental está interligada ao comércio do País com outros países. Ele citou a importância de manter o Brasilno Acordo de Paris,firmado em 2015 para conter o aquecimento global. O ex-diplomata ainda alertou para uma proposta de transferir a embaixada em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém, o que desagradaria aos países muçulmanos que compram carne brasileira, e contatos da campanha com Taiwan, que tem causado mal-estar com os chineses.

Nas conversas com a equipe de Bolsonaro, a própria Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que deve indicar o nome para chefiar o novo ministério, disse que não compactua com o fim dos órgãos ambientais. A deputada Ter eza Cristina (DEM- MS), presidente da FPA e cotada para assumir o ministério, chegou a elogiar em público a fusão das pastas, mas, nos bastidores, a parlamentar e boa parte da bancada temem que a fusão prejudique a imagem do setor especialmente nos países europeus.

Leonencio Nossa  Adriana Fernandes   Tânia Monteiro

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