À frente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Kátia Abreu diz que pedirá socorro ao mundo para aumentar vacinação

À frente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Kátia Abreu diz que pedirá socorro ao mundo para aumentar vacinação

17:56 - Comissão votará nesta terça moção de apelo à comunidade internacional para tentar conseguir 100 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19. 'Viramos o covidário do mundo', diz Abreu.

Nos últimos dias, a senadora Kátia Abreu (PP-TO), nova presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, trabalhou com sua equipe para finalizar o texto de uma Moção de Apelo à Comunidade Internacional, que será votada nesta terça-feira no Senado. A iniciativa, que a senadora diz esperar aprovar por unanimidade, é um chamado a parceiros do Brasil para conseguir 100 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19. O texto, ao qual O GLOBO teve acesso, faz um alerta: "o avanço da pandemia no Brasil representa risco real para o mundo". "Não estamos pedindo tratamento especial, estamos pedindo tratamento de socorro... viramos o covidário do mundo", disse a senadora, em entrevista exclusiva ao GLOBO.

Como surgiu a ideia da moção?

Hoje temos opções, e acho que a mais viável é apelar a países que têm estoques de vacinas sobrando. São 11 os países que fizeram uma reserva grande. Não queremos furar a fila de ninguém, dos laboratórios. Nós só queremos que tenham duas considerações em relação a nós. Primeiro, uma questão humanitária: ninguém no mundo está vivendo a pandemia como nós estamos. Para se ter uma ideia, existe uma média mundial de quantos entubados morrem, que é de 70%. No Brasil, estamos em 80%. Nossa contaminação está altíssima porque não temos vacina, e a população tem resistido em cumprir as determinações de afastamento, uso de máscara, higiene... Depois, ainda temos uma cepa que está contaminando [as pessoas] com muita pressa. Não estamos pedindo tratamento especial, estamos pedindo tratamento de socorro. Viramos o covidário do mundo.

O que exatamente está se pedindo à comunidade internacional?

Numa situação normal, vacinar todos acima de 60 anos seria o primeiro passo. Mas na nossa situação, o que nos tranquilizaria seria ter mais 100 milhões de doses da vacina. A China e os Estados Unidos, nossos grandes parceiros comerciais há décadas, poderiam adiantar vacinas para que possamos receber essas 100 milhões de doses. Quando nosso cronograma vier, devolvemos. Ou podemos pagar agora.

Um apelo internacional para que seja articulado um socorro ao Brasil...

Sim. O segundo ponto, em paralelo à questão humanitária, é que este erro [de não socorrer o Brasil] pode se transformar num erro histórico. Nós somos um risco para o mundo. Hoje ninguém quer passar perto de nós, e com razão. Se não for por solidariedade, que seja pelo medo do que podemos causar.

O esforço do Senado está esbarrando ná péssima imagem que o Brasil tem atualmente no exterior?

Não queremos, num momento como este, sermos nivelados por baixo. Não aceitamos que erros momentâneos possam abalar o que o Brasil representa, o que a diplomacia brasileira já fez até hoje. Por culpa de fatos isolados, específicos, de determinadas pessoas que abriram mão espontâneamente do diálogo diplomático, não pode pagar o país todo. Governo não é só Executivo, é Legislativo e Judiciário. E o Legislativo está de pé, com o olho bem aberto e trabalhando. E fará tudo para salvar vidas neste país. Cometemos erros, sim, do ponto de vista diplomático com China e EUA. Cometemos erros estratégicos na compra de vacinas. Agora, por isso, vamos ser nivelads de baixo? Não podemos aceitar isso. O Brasil representa só esses dois [últimos] anos? Representamos 50% do território da América Latina. Somos grandes exportadores de alimentos do mundo, guardiões da maior floresta tropical do mundo, e isso não significa nada? Queremos saber quem vai nos virar as costas e quem vai nos estender as mãos.

Existe uma campanha de algumas ONGs internacionais, entre elas a Human Rights Watch, que defende uma visão de Brasil que vá além do governo Bolsonaro...

É isso que nós estamos tentando, temos que ser nivelados por cima. É impossível que aconteça uma tragédia no Brasil que não tenha repercussão internacional. Não se iludam, vejam o tamanho que temos e o que representamos. Não somos uma ilha de turismo. Existe uma questão de risco de saúde internacional. [Joe] Biden e Xi Jinping [presidentes dos EUA e da China] não podem ficar fazendo vista grossa.

A senhora tem conversado com embaixadores?

Eu não durmo mais. É Rússia, China, fico até qualquer hora falando com todo mundo, pedindo socorro.

E quais têm sido as respostas?

Olha, todo mundo estava precisando de um choque de realidade. O Congresso brasileiro está muito atento a quem são nossos verdadeiros amigos, porque amigos não deixam amigos de joelhos. Estou aguardando, otimista, porque acredito em tudo o que estou dizendo. O Brasil não é uma ilhota no meio do nada. Toda crise produz oportunidades, vamos ver quem aproveita a oportunidade. O Senado quer dar muita relevância à questão da vacinação, tem instrumentos poderosos para corrigir rumos, e não estou falando de impeachment. Ninguém vai fazer o que quiser, o Congresso é responsável pelo Orçamento da União, os recursos, as reformas, projetos de lei, acordos internacionais, não estamos aqui querendo ser mais importantes do que o Executivo ou Judiciário. Queremos assumir nossa posição de poder, e trabalhar pelo Brasil.

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