Ford diz, em 40 segundos, o que restou no Brasil

Ford diz, em 40 segundos, o que restou no Brasil

Montadora eliminou US$ 800 milhões em custos anuais

Numa longa apresentação, de mais de uma hora e meia, dirigida a investidores, a Ford traçou, ontem, um panorama dos seus planos globais. Apenas 40 segundo, no entanto, foram suficientes para explicar a situação das operações na América do Sul.

Tempo suficiente para o chefe da área financeira, John Lawler, contar que, depois de fechar as fábricas no Brasil, a companhia conseguiu eliminar US$ 800 milhões em custos anuais na região.

Lawler explicou que a montadora americana perdeu US$ 3,5 bilhões na América do Sul nos últimos cinco anos. Mas com a decisão de fechar três fábricas no Brasil e demitir 80% dos funcionários na região, conseguiu um “modelo de negócios sem riscos e com poucos ativos”. “Mas fizemos tudo de forma socialmente responsável”, disse, antes de passar para a região seguinte, que ganhou mais tempo e trouxe notícias melhores: a China.

O efeito da decisão de abandonar a atividade industrial no Brasil apareceu há alguns dias, no balanço relativo ao primeiro trimestre. Os dados foram enfaticamente repetidos por Lawler ontem.

As operações fora da América do Norte saíram de prejuízos anuais de US$ 2 bilhões nos últimos três anos para um lucro (antes de juros e tributos) de US$ 500 milhões apenas nos primeiros três meses do ano.

Para isso, contribuiu também a diminuição em 26% o tamanho do parque industrial na Europa, com 25% de redução de pessoal no leste europeu. A empresa conseguiu, na Europa, eliminação de US$ 1 bilhão em custos anuais.

Em contrapartida, a atividade industrial da companhia quase desapareceu na América do Sul, com o encerramento de 75% do complexo fabril. Foi preservada a fábrica da Argentina, onde é feita a picape Ranger, exportada, em grande parte para o mercado brasileiro, e uma pequena linha de produção de veículos Troller, no Ceará, que será fechada até o fim do ano.

Já a China ganhou não apenas mais produção de veículos como expansão da área de engenharia e de desenvolvimento de produto. “Para reduzir custos e desenhar veículos especialmente para o gosto do consumidor chinês”, disse Lawler. Há um ano, a Ford produzia na China 66% dos carros da sua marca de luxo Lincoln vendidos naquele mercado. Agora são 90%.

A apresentação de Lawler, que traçou o panorama global e metas financeiras, como uma margem ajustada de ajustada de EBIT de 8% (ganhos antes das taxas e impostos) em 2023, veio depois de a companhia expor um agressivo plano, voltado, sobretudo, a investimentos adicionais em eletrificação, incluindo não só os carros como o desenvolvimento de baterias e serviço de carregamento.

“Essa é a nossa maior oportunidade de crescimento e criação de valor desde que Henry Ford começou a produzir o Modelo T em massa”, destacou o presidente mundial da montadora, Jim Farley.

Um dos principais anúncios feitos pelo executivo aos investidores foi o plano de ampliar para US$ 30 bilhões, até 2025, o programa de investimentos em eletrificação. Em fevereiro, a companhia havia anunciado que planejava destinar US$ 22 bilhões à produção de veículos elétricos no mesmo período.

No evento apresentado de forma digital, a partir da sede da Ford, em Dearborn, Farley disse que a montadora se prepara para que até 2030,40% do volume global de suas vendas sejam de veículos elétricos. “Nossa ambição é liderar a revolução elétrica”.

Os anúncios acontecem pouco mais de um mês depois de o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, revelar, durante a Cúpula do Clima, o plano de o país destinar US$ 174 bilhões em programas de eletrificação, como infraestrutura de carregamento e intensificação do uso de transporte público em veículos elétricos.

A Ford anunciou, também, planos para elevar sua participação no mercado de veículos comerciais, como picapes e vans elétricas, destinadas a entregas urbanas. E isso inclui o Brasil.

Ao encerrar a breve apresentação sobre a América do Sul, Lawler antecipou um dos lançamentos aguardados pelo mercado brasileiro: a van Transit, que será montada no Uruguai, na Nordex, uma empresa local que monta veículos de forma terceirizada. O executivo apontou, aos investidores, que a região ganharia “forças no portfólio e produtos por meio das vendas da picape Ranger e da Transit.

Foram apresentados, também, planos para avançar no desenvolvimento da conectividade. “Não se trata mais de um veículo. Estamos mudando a relação com o consumidor, entregando serviços. O carro tem que saber ouvir, aprender, estar conectado à nuvem e totalmente atualizado”, destacou Farley

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