Fogo na Austrália pode favorecer carne brasileira

Fogo na Austrália pode favorecer carne brasileira

Por sua vez, o Brasil, como um dos maiores exportadores de carne do mundo, também presenciou um aumento significativo na demanda chinesa em 2019, bem como os vizinhos Argentina e Uruguai.

Os incêndios na Austrália afetam a produção de carnes no país, o que deve abrir espaço para novo salto de exportações do Brasil, após o crescimento da demanda causado pela peste suína africana. Estima-se que as queimadas tenham matado pelo menos 56 mil cabeças de gado nos estados de NovaGales do Sul, Vitória e Austrália d o Sul, os maiores produtores e também os mais afetados pelo fogo.

En quanto fazendeiro s e autoridades ainda concentram esforços na recuperação dos estragos e calculam as perdas totais para o setoro que deve levarmeses, especialistas p ro j etam um cenário desafia dorem 2020 e, possivelmente, pai a anos subsequentes. Do outro lado do mundo, o Brasil aparece como provável substituto temporário para preencher as lacunas de umgrandeclienteem comum entre os dois países: a China.

O pais asiático ampliou a importação de carne nos últimos anos por causa da peste suína africana, que mata de 80% a 100% dos porcos infectados e segue se alastrando. Recentemente, foram identificados os primeiros casos na Polônia. Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), mais de 1 milháo deporcos foram abatidosdo início da epidemia na China, em2018, até o começo deste mês.

Em 2019, a China quebrou recordes na importação de carne de gado da Oceania. A Associação de Carne e Pecuária da Austrália (MLA, sigla em inglês), entidade que c ompila os número s do seto r, afirma que a China importou mais que Japão, Core ia do Sul e Estados Unidos, países que estão no topo da lista de compradores há décadas.

Noanopassado,maísde3Qo mil toneladas de carne bovina australiana foram enviadas para o país asiático, o que corresponde a um aumento de 84% na comparação com 2018. `A demanda por carne vermelha da Austrália continua sendo extremamente forte. Conforme as projeções para 2020, a Austrália terá de produzir mais de 2milhões de toneladas de carnebovina, sendo 70% destinado à exportação`, avalia Scott Tolmie, gerente de inteligência de mercado da MLA.

Com os incêndios florestais, não há certeza de que conseguirá suprir a demanda. Conforme dados da MLA, aproximadamente 80 mil propiedades destinadas à pecuária estão nas áreas atingidas pelas queimadas, no sudeste da Austrália. A entidade estima que 9% do reb anho de g ado nessa região tenha sido impactado e outros 11% estão em locais parcialmente atingidos pelo fogo.

Além da morte de animais, também houve um prejuízo gigantesco na área de pastagem entre os mais de 6 milhões de hectares carboniza dos. Com isso, a tendência é que a venda de um dos principais produtos da Austrália, o corte `grass fed`, que significa alimentação do gado unicamente à base de pasto, também possa ficar abaixo do esperado em 2020.

` Trata- se de um períod o terrível para criadores de gado e outros animais, principalmente porquetudoaconteceu logo depois de meses enfrentando uma seca. Como ainda não sabemos o impacto real do fogo àpecuária, nosso foco imediato está voltado â assistência aos produtores rurais que perderam tudo`, afirma Tolmie. Matthew Dalgleish, analista sênior da consultoria de agronegócio australiana Mercado, acredita que secas duradouras, queimadas frequen tes e inundações serão cada vez mais fortes na Oceania, forçando pecuaristas a serem ma is resilientes às condições climáticas extremas. `

Não tenho certeza se as mudanças climáticas que estamos vivenciando seja o novo normal, mas suspeito que sim`, afirma. `Acredito que, além das queimadas, a peste suína africana e seus impactos na disponibílidadedeproteínana China continuarão sendo um dos maiores impulsionadores de crescimento da export ação de carnes do Brasil e outros países para a China.` Por sua vez, o Brasil, como um dos maiores exportadores de carne do mundo, também presenciou um aumento significativo na demanda chinesa em 2019, bem como os vizinhos Argentina e Uruguai.

 

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