FMI: Brasil terá maior dívida entre emergentes

FMI: Brasil terá maior dívida entre emergentes

Em 2019, país só perderá para a Venezuela, atingindo 90,5% do PIB. Patamar supera a média da América Latina, de 66,9%. Monitor Fiscal, divulgado pelo Fundo, ressalta importância do equilíbrio nas contas públicas

Excluindo a Venezuela que passa por grave crise econômica e social , o Brasil vai se tornar o país emergente com a maior dívida bruta em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) em 2019, informou ontem o Fundo Monetário Internacional (FMI) em seu relatório Monitor Fiscal, divulgado em Bali, na Indonésia. Atualmente, o país ainda é superado, na relação dívida/PIB, pelo Egito. Há apenas cinco anos, em 2013, o Brasil tinha apenas a nona maior dívida entre as 40 nações em desenvolvimento analisadas pelo Fundo.

De acordo com as projeções do Fundo, a dívida bruta do país passará de 84% do PIB em 2017 para 88,4% este ano e 90,5% do PIB em 2019. Adívida continuará subindo até chegar a 98,3% do PIB em 2023. Antes da recessão de 2015 e 2016, adívida bruta estava sempre no patamar de 60% do PIB. A dívida bruta brasileira está pior do que a média dos 40 emergentes (50,7%) e que do conjunto apenas dos países latino-americanos. Mesmo considerando-se o patamar da Venezuela, de 159% do PIB, a dívida média da região é de 66,9%.

Os percentuais são diferentes daqueles divulgados pelo Banco Central brasileiro, pois o FMI inclui no cálculo títulos emitidos mas que não são negociados no mercado, como empréstimos entre o governo federal e as estatais. O Fundo alerta que, pelos cálculos do governo brasileiro, a dívida bruta total do país seria de 74% do PIB no fim de 2017 dez pontos percentuais a menos.

´CICATRIZES DA CRISE´

O Monitor Fiscal, divulgado na reunião de FMI e Banco Mundial na Indonésia, não faz, contudo, nenhuma grande análise sobre o Brasil. De maneira geral, apesar de reconhecer alguns avanços, sobretudo nos países ricos, lembra que a situação fiscal da maior parte do mundo ainda é pior do que antes de 2008.

`As cicatrizes da crise financeira mundial no patrimônio público continuam sendo visíveis uma década depois`, afirma o documento. `Essas cicatrizes colocam novamente em destaque a importância do equilíbrio das contas públicas, mediante uma redução da dívida e investimento em ativos de melhor qualidade`.

Mais cedo, o economistachefe do FMI, Maurice Obstfeld, alertou para os riscos à economia mundial. O organismo também chamou a atenção para o fato de que os Estados Unidos serão o principal prejudicado pelo acirramento da guerra comercial. No Panorama Econômico Global ,o Fundo ressalta que o crescimento está apoiado por políticas cada vez mais insustentáveis e que a cooperação multilateral está sendo minada por políticas nacionalistas, segundo o jornal britânico Financial Times. Um exemplo citado pelo FMI como insustentável, informou o FT, foi a política fiscal de Donald Trump.

Em todos os cenários de aumento de barreiras alfandegárias, a China, de início, seria o país mais prejudicado. Depois, os EUA. Se a guerra comercial continuar, o Fundo estima que ela reduziria o crescimento da economia global em mais de 0,8% em2020. E, a longo prazo, ficaria 0,4% abaixo das projeções sem o cenário de tensões comerciais. Na China, a expansão da economia seria reduzida em 1,6%, enquanto nos EUA esse percentual seria de 0,9%.

ALERTA SOBRE POPULISMO

O FMI aponta também que os efeitos da crise financeira de 2008 persistem. `Já há sinais de possíveis conseqüências de longo prazo da crise no crescimento potencial, por meio de impactos em migração, fertilidade e aumento da força de trabalho. E o apoio da sociedade para a abertura e a integração econômica global parece ter se enfraquecido em muitos países depois da crise. O corolário disso é o crescente apelo do populismo e de panaceias protecionistas.`

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