Fernández cancela viagens internacionais e prepara mudanças no gabinete

Fernández cancela viagens internacionais e prepara mudanças no gabinete

19:23 - Governo peronista tenta solucionar crise desencadeada após a derrota da coalizão governamental nas eleições primárias do domingo passado; porta-voz apresenta renúncia

Dois dias após a crise que evidenciou as profundas divisões na coalizão governista, o presidente argentino, Alberto Fernández, deu início às reformas ministeriais exigidas por sua vice, Cristina Kirchner, para impulsionar o governo e reverter a deteriorada situação econômica do país. Segundo fontes oficiais, as mudanças seriam anunciadas entre esta sexta-feira, 17, e sábado.

Juan Pablo Biondi, um dos homens mais próximos e de maior confiança de Fernández, apresentou sua renúncia ao cargo de porta-voz do governo, segundo o jornal Clarín. Embora fontes próximas a ele neguem veementemente, o secretário de Comunicação e Imprensa cedeu sua posição como parte da reformulação do gabinete e com o objetivo de descomprimir a tensão com a vice-presidente.

Após uma série de reuniões que entraram pela madrugada desta sexta-feira, 17, o presidente da Argentina prometeu organizar um novo gabinete e "encerrar a discussão no país". A imprensa argentina noticiou que Fernández está reunido na Casa Rosada com vários membros de seu governo.

Segundo o Clarín, o presidente revelou ter avançado com seu plano de incorporar novos nomes ao seu governo, entre eles, Daniel Scioli, atual embaixador no Brasil, e Julián Domínguez, ex-presidente da Câmara dos Deputados.

Os desdobramentos surgem no contexto da crise desta semana no governo argentino, após a derrota da coalizão governamental nas eleições primárias do domingo passado - antes das eleições legislativas de 14 de novembro - e da decisão de vários ministros da ala do peronismo kirchnerista, liderados pela vice-presidente de renunciar.

Fernández também suspendeu suas viagens ao exterior, incluindo a visita ao México para a cúpula de sábado entre chefes de Estado da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), para terminar de definir as medidas econômicas que serão anunciadas nos próximos dias, segundo ele.

Além de cancelar a sua participação na reunião com os líderes da Celac - grupo que a Argentina espera presidir em 2022, se receber o apoio necessário -, o presidente não participará pessoalmente da 76ª Assembleia Geral das Nações Unidas, mas com um vídeo gravado. A Assembleia dos líderes ocorre na próxima semana, a partir de terça-feira.

O conflito político no país se agravou na quinta-feira, quando a vice-presidente - a quem cabe substituir o presidente durante viagens ao exterior - publicou uma longa carta nas redes sociais na qual criticou abertamente, entre outras coisas, a política econômica do governo. A forma como conduz a área iria ter consequências eleitorais, segundo Cristina, lembrando a Fernández que foi ela quem o escolheu como candidato a presidente.

Horas antes, o presidente usou o Twitter para fazer a sua primeira declaração pública sobre o conflito: "Escutei o meu povo. A arrogância não se aninha em mim. O governo continuará a se desenvolver da forma que eu achar conveniente. Foi para isso que fui eleito. Sempre buscarei a união dos argentinos", escreveu.

A crise que expôs as profundas divisões na coalizão governista deixou um clima de incerteza na Argentina sobre se o presidente executará as reformas ministeriais e econômicas exigidas pela vice. Fernández não disse se aceitará as demissões que foram apresentadas a ele por vários ministros e dirigentes vinculados a Cristina.

Crise antiga
Em 2008, Alberto Fernández, que havia sido chefe de gabinete dos Kirchner (Cristina e, antes, de seu marido, Néstor) por cinco anos, renunciou em meio a fortes desentendimentos e, por uma década, foi um dos maiores críticos de Cristina.

Até que, em 2019, a então senadora - cuja imagem era marcada pelas múltiplas denúncias de corrupção que ainda enfrenta - propôs a ele ser candidato à presidência tendo ela como sua vice, movimento que teve sucesso nas urnas.

Em declarações à agência EFE, o analista político Patricio Giusto considerou que essa atual crise institucional, talvez a pior desde 2001, tem como pano de fundo o que chamou de "pecado original" que envolveu um candidato a vice-presidente escolhendo o candidato a presidente, contribuindo com seus votos para governar em seu nome.

“É uma aliança que nasce mal em um sistema presidencialista”, acrescenta o especialista, que também considera a má gestão econômica e da pandemia escândalos que degradaram a figura presidencial.

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